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A saída da estadista

Alemanha prepara sucessão de Angela Merkel, após gestão bem-sucedida de 16 anos

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A chanceler alemã, Angela Merkel - Tobias Schwarz/AFP

Se há um líder político que se consagrou como estadista nos últimos anos, esse líder é a chanceler alemã Angela Merkel. Ela soube como ninguém conciliar o pragmatismo com o respeito a princípios civilizacionais, como se viu na crise dos refugiados de 2015-16.

Enfrentou a Covid-19 com competência e transparência, recorrendo sempre à abordagem científica, com a qual, na condição de química quântica, está plenamente familiarizada. Até pela ausência de concorrentes à altura, tornou-se a principal líder da União Europeia.

Ao longo de 16 anos no poder, foi capaz de capitalizar tudo isso em prestígio pessoal. Trata-se de uma política incomumente popular, não apenas na Alemanha como em vários outros países europeus.

Paradoxalmente, é considerável a probabilidade de Merkel ver sua agremiação, a aliança conservadora CDU/CSU, naufragar nas eleições marcadas para o próximo dia 26.

Que a chanceler deixaria o cargo já era sabido. Faz um bom tempo que a líder anunciou a intenção de aposentar-se ao término do atual mandato, mas, diante do sucesso que é sua administração, pretendia entregar o posto a um sucessor de seu próprio partido.

Armin Laschet, o candidato designado, contudo, vem caindo nas pesquisas. Divisões internas na aliança e uma forte propensão a cometer gafes contribuem para isso.

Quem ganha pontos é o candidato do SPD, o partido de centro-esquerda, Olaf Scholz. A esta altura, só se pode prever que a Alemanha terá um governo de coalizão.

Uma eventual vitória de Scholz não chegaria a configurar uma derrota pessoal para Merkel. O social-democrata não é, afinal, um oposicionista radical que vive de fustigar a imagem da chanceler.

Muito pelo contrário, parte do prestígio de Scholz advém do fato de ele integrar a atual coalizão governista, na qual ocupa o posto de vice-chanceler e ministro das Finanças. Seu plano de resposta à pandemia, que atenuou os efeitos do desemprego e da recessão, é visto como um caso de sucesso com bom apelo eleitoral.

Qualquer que seja o resultado do pleito, a Alemanha, diferentemente de outros países ocidentais, não corre maiores riscos de sucumbir ao populismo radical.

Não se espera que o partido de extrema direita, a Alternativa para a Alemanha (AfD), tenha uma grande votação, e são praticamente nulos os riscos de que venha a ser convidado para integrar o governo.​

editoriais@grupofolha.com.br

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