Governo Temer cometeu série de equívocos em negociação com caminhoneiros, diz Márcio França

Governador paulista, candidato à reeleição, participou de sabatina de Folha, UOL e SBT nesta quarta (30)

José Marques
São Paulo

O governo Michel Temer cometeu “uma sequência de equívocos” nas negociações da paralisação dos caminhoneiros, que acabaram estendendo o movimento, afirmou nesta quarta-feira (30) o governador de São Paulo Márcio França (PSB), pré-candidato à reeleição.

“O governo federal até que tentou, mas falou com as pessoas erradas e se comunicou errado. Aí deu tudo errado”, disse França, em sabatina da Folha, em parceria com o UOL e SBT.

O pessebista assumiu a liderança na negociação com os caminhoneiros no estado na sexta (25), após o primeiro acordo do governo federal ser frustrado pela continuidade da paralisação.

Márcio França, pré-candidato à reeleição ao governo de São Paulo pelo PSB, em sabatina com Folha, UOL e SBT
Márcio França, pré-candidato à reeleição ao governo de São Paulo pelo PSB, em sabatina com Folha, UOL e SBT - Carine Wallauer/UOL

Segundo ele, a decisão foi tomada “na mesa”, em Brasília, e não considerou caminhoneiros que não estavam ligados às grandes entidades da categoria.

“O presidente se reúne lá numa sala em Brasília —muito típico do que acontece com quem está em Brasília, acha que Brasília é um espelho do Brasil. Negocia com algumas pessoas e acha que está negociando com o Brasil", disse.

"Quando eles decidiram na mesa que acabou a greve, aqui na ponta houve uma revolta."

Para ele, o movimento foi um "amálgama de revolta contra tudo" e pode dar abertura a novas manifestações.

Eleito vice-governador na chapa de reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014, França assumiu o Palácio dos Bandeirantes em abril deste ano, com a renúncia do tucano para disputar a Presidência.

França foi o segundo a ser sabatinado entre os postulantes ao governo estadual. Na segunda (28) foi a vez de Luiz Marinho (PT). João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) serão entrevistados nos próximos dias.
Doria lidera as pesquisas de opinião e, em provocação, tem chamado França de “Márcio Cuba” na tentativa de ligá-lo à esquerda. 

Para França, o apelido é “frágil, um negócio meio baixo” porque mexe com nome de família.

"Quando eu fui na casa dele [Doria], levei uma caixa de charuto cubano e falei: de Cuba, eu gosto do charuto. Foi uma brincadeira infeliz", acrescentou.

Ele critica Doria por ter renunciado a prefeitura para concorrer e compara ao pedido de uma pizza pelo telefone.

Disse que, se uma pessoa pede uma pizza de oito fatias, ela não pode vir incompleta. “Ele não pode tirar os outros seis pedaços da pizza. Quer dizer, até pode, mas vai ter que ouvir reclamações”, afirmou.

França também nega ter feito ações eleitoreiras ao homenagear uma policial militar que reagiu a um assalto e matou o ladrão em Suzano, na Grande São Paulo, e quando esteve no local em que um edifício desabou no centro da capital.

“Acho que pode ser interpretado [como eleitoreiro], mas não é verdade. Qualquer um na condição de governador de São Paulo vai ter protagonismo”, disse.

Ele diz que “não provocou” para ficar mais conhecido, mas que esses fatos precisavam de atitudes suas. 

LAVA JATO

Márcio França ainda defendeu a manutenção do ex-tesoureiro da campanha de Geraldo Alckmin em 2014, Marcos Monteiro, no governo, apesar de ele ser investigado pela Lava Jato.

"Eu tenho um pressuposto. Até você ser condenado, você é inocente. Você pode me  amarrar num pau de arara, vou continuar dizendo isso", afirmou, acrescentando que acredita que Monteiro é honesto.

Ele ainda defendeu Alckmin, cujo cunhado Adhemar Cesar Ribeiro é citado em delações como a pessoa que recebeu caixa dois da Odebrecht para as campanhas do tucano.

"O governador Alckmin não é o político mais idôneo que conheci, é o ser humano mais idôneo que conheci. Ele é um ser humano exemplar", disse. 

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