Descrição de chapéu Eleições 2018

PT amplia alianças e negocia com partidos pró-impeachment

Em alguns estados os petistas trabalham para compor com MDB, PP e PSB

Catia Seabra João Pedro Pitombo Carolina Linhares
São Paulo , Salvador e Belo Horizonte

Sob as bênçãos do comando partidário, governadores e dirigentes petistas já traçam, em seus estados, alianças com partidos que compõem a base do governo de Michel Temer (MDB) e apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Uma resolução petista, de dezembro de 2017, determina como núcleo de alianças partidos que votaram contra o impeachment e as medidas do governo Temer, mas em pelo menos 16 estados as negociações vão na contramão.

Candidato à reeleição, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), trabalha para manter na coligação os 21 partidos de sua base, incluindo o MDB do senador Eunício Oliveira, o PPS e até o DEM.

Wellington Dias, governador do Piauí, em debate
Wellington Dias, governador do Piauí, em debate. - Keiny Andrade /Folhapress

No Piauí, o governador Wellington Dias (PT) afirma que, para sua reeleição, quer manter o time que o apoia desde 2015. Isso inclui ter no palanque o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, que apoiou o impeachment de Dilma, além do MDB, que aderiu ao petista no ano passado.

Na Bahia, a chapa de reeleição do petista Rui Costa deve sacrificar a reeleição da senadora Lídice da Mata (PSB), aliada fiel do PT baiano, pela candidatura ao Senado do deputado estadual Ângelo Coronel (PSD), que já apoiou o grupo de ACM e é próximo ao senador Otto Alencar (PSD).

O PT do Acre, por sua vez, vai liderar uma frente ampla de 14 siglas –entre elas, PV, PRB e PSB. Presidente estadual da legenda, André Kamai afirma que a relação dos partidos é fraternal.

Apesar de pregar aproximação a esquerda, não há orientação do comando nacional pela ruptura das coligações estaduais. Após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as alianças já foram debatidas em duas reuniões da cúpula do partido, que decidiu liberar negociações.

Lula chegou a incentivar algumas alianças, como o apoio à reeleição de Renan Filho (MDB), em Alagoas, e à candidatura de Helder Barbalho (MDB), no Pará.

A articulação com o PSB –a maioria da bancada votou pelo impeachment– ganhou força nas últimas semanas, após Joaquim Barbosa desistir de disputar a Presidência.

Afastados, PSB e PT começam a reconstruir pontes em Pernambuco, onde romperam, e Minas Gerais, onde estão afastados desde 2014.

"Caminhamos para uma aliança com o PSB em Pernambuco", diz o senador Humberto Costa (PT) –a sigla terá de abdicar da competitiva candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo.

Como contrapartida, petistas querem que Márcio Lacerda (PSB) desista do governo de Minas para apoiar a reeleição de Fernando Pimentel (PT).

A reaproximação com o PSB é crucial para o petista, já que ele deve perder seu principal aliado até aqui, o MDB.

Líder do governo Pimentel na Assembleia de Minas, Durval Ângelo (PT), quer garantir a aliança mais ampla possível. Para isso, o partido abriu conversas com PR, PDT e Podemos –o que garantiria mais tempo de TV a Pimentel.

Em outros estados onde a sigla não tem candidatos competitivos, a tarefa de manter o tamanho de sua bancada no Congresso pode fazer o PT buscar alianças.

Em Alagoas, elas já foram sacramentadas. O PT reaproximou-se do governador Renan Filho (MDB) e vai apoiá-lo na campanha à reeleição. Em troca, o MDB deve abrir bases eleitorais para a reeleição do deputado federal Paulão, único da bancada do PT alagoano.

A reaproximação acontece dois anos depois de o MDB ter rompido e entregado os cargos durante o impeachment, quando o senador Renan Calheiros (MDB) votou pela derrocada de Dilma.

O mesmo pode acontecer no Pará, onde o PT lançou a pré-candidatura do senador Paulo Rocha. Se não chegar ao segundo turno, é provável que a legenda apoie Helder Barbalho (MDB) –outro que votou pelo impeachment.

Também há a possibilidade de apoio à candidatura a governos estaduais de parlamentares que votaram pelo impeachment de Dilma, como o senador Acir Gurgacz (PDT), em Rondônia, e o deputado Daniel Vilela (MDB), em Goiás.

A posição do PT

AC 
Candidatura de Marcus Alexandre
Partidos: PSB, PCDOB, PV, PRB e PDT

AL
Apoio a Renan Filho (MDB)

BA
Reeleição de Rui Costa 
Partidos: PSD, PP, PR, PDT, PSB e PCdoB

CE
Reeleição de Camilo Santana 
Principais partidos: PDT, MDB, DEM, PSB, PTB, PP, PR, PRB, PV, PPS

ES
Apoio a Paulo Hartung (MDB) ou a Renato Casagrande (PSB) 

GO
Candidatura de Kátia Maria ou apoio a Daniel Vilela (MDB) 

MG
Reeleição de Fernando Pimentel
Partidos: PCdoB, Pros e PRB

PA 
Candidatura do senador Paulo Rocha ou apoio a Helder Barbalho (MDB)

PB
Apoio a João Azevedo (PSB)

PE
Candidatura de Marília Arraes ou apoio à reeleição de Paulo Câmara (PSB)

PI
Reeleição de Wellington Dias 
Partidos: PP, MDB, PDT, PTB, PSD e PCdoB

PR
Possível apoio ao senador Roberto Requião (MDB)

RN
Candidatura da senadora Fátima Bezerra 
Partidos: PCdoB e PHS

RO
Possível apoio ao senador Acir Gurgacz (PDT) 

RR
Apoio a Suely Campos (PP)

SE
Apoio ao governador Belivaldo Chagas (PSD)

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