Sem Lula, Ciro investe em aliança com PC do B, tradicional aliado do PT

Pedetista se reuniu nesta quinta com Manuela D'Ávila, pré-candidata pelo partido

Presidenciável Ciro Gomes (PDT), que busca aliança com o PC do B
Presidenciável Ciro Gomes (PDT), que busca aliança com o PC do B - Ricardo Borges - 8.mai.18/UOL
Gustavo Uribe Catia Seabra
Brasília e São Paulo

O pré-candidato presidencial do PDT, Ciro Gomes, iniciou articulação para tentar compor uma aliança com o PC do B, partido tradicionalmente aliado do PT.

Nesta quinta-feira (10), em um gesto de aproximação, o pedetista se reuniu com a pré-candidata do PC do B, Manuela D'Ávila. No encontro, falaram sobre o cenário eleitoral, mas não trataram de uma composição no primeiro turno.

A estratégia do PDT tem sido a de, neste momento, tentar aglutinar o PC do B e o PSB em uma espécie de frente de esquerda, facilitando um eventual acordo, em julho, em torno de Ciro Gomes.

"Eu tratei com ele [Ciro] a necessidade de manutenção dos canais de diálogo entre as candidaturas progressistas", disse Manuela à Folha.

Ela lembrou que mantém diálogo também com o PT e com o PSOL. "Temos de nos concentrar no que nos une, não no que nos divide. Somos concorrentes, mas os adversários estão do outro lado", afirmou.

Mesmo com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril, o PDT considera improvável a possibilidade de uma aliança com o PT no primeiro turno. 

Ainda assim, negocia-se um pacto de não agressão entre os dois partidos no primeiro turno, na tentativa de que uma candidatura de esquerda passe ao segundo turno.

"Ciro está fazendo boa análise do quadro político. Tem noção da gravidade da crise que o país atravessa. E que a hora é de construir pontes", disse o deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP).

Na semana passada, o governador do Maranhão, Flávio Dino, defendeu que PC do B, PSOL e PT abram mão de suas pré-candidaturas para apoiar Ciro Gomes.

Para ele, a multiplicidade de candidaturas ameaça o campo da esquerda de perder já no primeiro turno.

"Está chegando o momento de admitir uma nova agenda. Se não oferecermos uma alternativa viável, você pode perder a capacidade de atrair outros setores do centro que se guiam também pela viabilidade", disse.

Segundo o líder do PDT na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (CE), as bancadas federais do PDT e PSB iniciarão diálogo na próxima semana. ​

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.