Descrição de chapéu Eleições 2018

Alckmin prevê agendas com França, irrita Doria e acumula estresse em SP

Em 3º lugar nas pesquisas no estado, tucano teme melindrar sucessor e adia campanha em casa

Thais Bilenky
São Paulo

A se somar à cobrança que sofre nacionalmente para avançar nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) enfrenta em casa o estresse causado pelo palanque duplo.

Pré-candidato a governador de São Paulo, o ex-prefeito João Doria (PSDB) pressiona o presidenciável a percorrer o estado a seu lado, para evitar que o governador Márcio França (PSB) avance sobre votos potencialmente tucanos.

Um périplo por cidades do interior havia sido montado para a dupla tucana, mas o presidenciável desistiu.

Quando abordado sobre seu envolvimento na campanha de Doria, Alckmin não apenas desconversa, como mantém marcadas as agendas públicas de inaugurações de obras do governo e de estações de Metrô ao lado de França, vice que o sucedeu e busca a reeleição.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin aperta a mão, em cumprimento, do ex-prefeito de São Paulo João Doria, em inauguração de trecho da linha 15 Prata do Metrô, no dia 6 de abril de 2018
Alckmin e Doria se cumprimentam em inauguração de trecho da linha 15 do Metrô, na véspera de ambos deixarem seus mandatos no governo e na prefeitura para disputar as eleições em outubro - Roberto Casimiro - 06.abr.2018/Fotoarena/Folhapress

As datas desses eventos não foram anunciadas, mas precisam ocorrer no próximo mês para estarem em conformidade com a legislação, que proíbe inaugurações de obra pública por candidatos nos três meses anteriores à eleição.

Alckmin teme melindrar França, que tem agora o controle da máquina estadual, se rodar com o ex-prefeito. Mas precisa atenuar o descontentamento de Doria com a falta de empenho em sua campanha. O ex-governador trabalhou para que o PSDB apoiasse França e não lançasse candidato próprio. Sem sucesso.

Atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas até mesmo em São Paulo, onde ganhou no primeiro turno a reeleição em 2014, Alckmin enfrenta o pior período de sua pré-campanha até aqui.

Seu desempenho suscita questionamentos quanto à sua viabilidade inclusive entre tucanos. Daí a pressão para que recupere os votos do PSDB em São Paulo percorrendo o estado.

Nesse ínterim, Doria apareceu em público com outro presidenciável, o empresário Flavio Rocha (PRB), na Marcha para Jesus, na capital paulista, no último dia 31, e apressou-se em sugerir que a aliança entre PSDB e PRB em São Paulo se estendesse à disputa nacional.

Não foi a primeira vez que aliados de Alckmin criticaram a postura de Doria, que tenta se antecipar aos passos do presidenciável.

Emissário do ex-governador procurou Doria e, dias depois, na segunda-feira (4), criador e criatura tomaram um café da manhã juntos, em um clima descrito como cordial.

Ânimos foram acalmados, mas horas depois aliados de Doria voltaram a Alckmin para propor agendas comuns aos dois em cidades médias do estado. Nada feito.

O pré-candidato a presidente afirma que só quer correr o estado paulista em julho, segundo auxiliares. Até lá, mantém foco na composição de palanques regionais.

Nos últimos dias, o tucano esteve no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia e Espírito Santo. A situação país afora, contudo, tampouco alivia a pressão.

Um tucano relatou ter encontrado um Alckmin, que parecia ser um desconhecido da população na Bahia, assustado com o fôlego de Bolsonaro para atrair o voto antipetista.

Preocupa o presidenciável ainda o desgaste que caciques do PSDB acumulam em seus estados. Os governadores tucanos do Mato Grosso, Pedro Taques, do Pará, Simão Jatene, e Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, veem-se às voltas com citações e investigações inclusive na Lava Jato, assim como Beto Richa, que deixou a administração do Paraná para disputar o Senado.

Até agora o grande trunfo político de Alckmin foi ter convencido o senador Antonio Anastasia (PSDB) a disputar o governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Na Bahia, quarto maior colégio, tucanos dão como certa a reeleição de Rui Costa (PT), mas esperam que o apoio do PSDB a José Ronaldo (DEM) na disputa pelo governo evite que Alckmin passe vergonha.

Integrantes do núcleo duro alckmista reconhecem que a articulação política da campanha está cambaleante.

O presidenciável chegou a anunciar Tasso Jereissati (PSDB) na linha de frente da candidatura, mas o senador cearense não assumiu qualquer protagonismo, muito pelo contrário, voltou-se à disputa em seu estado.

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