Pré-candidato no RJ, antropólogo afirma que sociedade viveu cegueira sob Cabral

Segundo Rubem César, bom momento econômico impediu que indícios de irregularidades fossem notados

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O antropólogo Rubem César Fernandes (PPS), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, afirmou nesta quarta-feira (6) que a sociedade viveu uma cegueira durante as duas administrações do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), atualmente preso.

O Viva Rio —ONG fundada há 25 anos pelo pré-candidato como uma forma de mobilização da sociedade civil contra a crescente violência urbana— manteve uma série de parcerias com as polícias Civil e Militar durante a gestão Cabral. Para ele, o bom momento econômico impediu que indícios de irregularidades fossem notados.

“A sociedade do Rio viveu um momento de cegueira. E aí eu me incluo. A um ano da Copa, a gente não imaginava o tamanho do buraco que a gente estava entrando. E não imaginava o tamanho da cobiça desses dirigentes, e da irresponsabilidade da República do Cabral”, disse.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pela Folha, UOL e SBT. Fernandes filiou-se ao PPS em março deste ano para tentar chegar ao Palácio Guanabara.

Rubem Cesar gesticulando durante entrevista
Sabatina Folha/UOL/ SBT com o pré-candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Rubem Cesar (PPS) - Raquel Cunha/Folhapress

O antropólogo defendeu que as Forças Armadas continuem atuando ao longo de todo mandato do futuro governador, não necessariamente por meio da atual intervenção federal. Ainda assim, defendeu a nomeação de um general para a Secretaria de Segurança.

“As Forças Armadas são o atacado, coordenação de inteligência, logística e apoio às ações. Eles pensam macro. A polícia pensa a rua”, disse ele.

Na área de segurança, ele defendeu o projeto das UPPs, criadas por Cabral. Para ele, o projeto pode ser recuperado, junto com investimento social e de desenvolvimento econômico nas favelas.

“Desenvolvimento local e focado na rapaziada da pá virada, rapaziada do risco. E respeito pelas comunidades, que são vista como lixo pela sociedade, classe média”, declarou.

Embora o PPS esteja mais próximo de fechar aliança nacional com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), Fernandes declarou que aceitaria quase todos os candidatos em seu palanque. Mencionou também a ex-ministra Marina Silva (Rede) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Atacou apenas o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas na ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Com certeza Bolsonaro não sobre no meu palanque. Para mim ele é um palhaço, fica fazendo falação gratuita sem consequência. Pessoal gosta porque ele é engraçado. Os demais tudo bem. Pensando no Rio de Janeiro e o desafio, o maior número de adesões, melhor”, afirmou.

O próximo a ser entrevistado será o deputado federal de Índio da Costa (PSD), na sexta-feira (8), seguido do ex-governador Anthony Garotinho (PRP), no dia 11, e os deputados Tarcísio Motta (Psol), no dia 12 e Pedro Fernandes (PDT), no dia 15.

O PT ainda define entre o ex-ministro Celso Amorim e a escritora Márcia Tiburi o pré-candidato a ser entrevistado no dia 14.

Romário (Podemos) afirmou que só daria entrevistas quando fosse oficializado candidato. Eduardo Paes (DEM) até o momento nega a pré-candidatura e não aceitou o convite.

As sabatinas ocorrem no estúdio do SBT, na zona norte do Rio de Janeiro, sem a presença de público. Começam às 9h e serão transmitidas ao vivo nos sites da Folha, UOL e SBT.

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