Em Minas, PDT apoiará DEM em busca de palanque para Ciro

Com a provável saída de Lacerda, partido busca alternativa e há ponte com democratas

Carolina Linhares
Belo Horizonte

O PDT de Minas Gerais apoiará o candidato do DEM, Rodrigo Pacheco, ao governo do estado em busca de um palanque para o presidenciável Ciro Gomes (PDT) no segundo maior colégio eleitoral do país. 

"Vamos apoiar o Rodrigo Pacheco, não vejo possibilidade de ser diferente", disse à Folha o deputado federal Mário Heringer, presidente do PDT em Minas Gerais. "É uma garantia de ter um palanque diferente. Os partidos que estão nessa coligação [do DEM] não têm presidente da República próprio."

O PDT já havia acertado coligação com Márcio Lacerda (PSB), mas um acordo nacional entre PSB e PT determinou a retirada da sua candidatura em Minas. Apesar de o pessebista resistir e tentar manter a candidatura, inclusive com o apoio de aliados do PDT, a avaliação é que há uma insegurança e Lacerda pode terminar vencido pelo próprio partido. 

"Era a nossa primeira opção, mas agora temos que ser realistas. Estamos mais próximos do Rodrigo do que do Márcio", disse Heringer. Amigo de Ciro e até cotado para ser seu vice-presidente, Lacerda era o palanque preferencial do pedetista em Minas, mas a conjuntura passou a apontar para Pacheco. 

Com a provável saída de Lacerda, Pacheco se fortalece e herda a chamada terceira via, por também fazer oposição aos principais candidatos que polarizam a disputa mineira, Antonio Anastasia (PSDB) e Fernando Pimentel (PT). Lacerda e Pacheco, inclusive, vinham conversando para tentar formar uma composição.

No plano nacional, o candidato do DEM já havia afirmado que não tinha a obrigação de apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), mesmo que seu partido estivesse na aliança do tucano, e que avaliaria qual presidenciável iria apoiar. 

Os tucanos em Minas mantêm as portas abertas para que Pacheco ocupe uma vaga ao Senado na chapa de Anastasia, mas, segundo Heringer, essa não deve ser a escolha do democrata. 

"O Rodrigo Pacheco ganha uma possibilidade real de ganhar as eleições. Ele tem um futuro político pela frente criando sua própria independência. Melhor do que entrar, num momento de grande desgaste dos partidos que polarizam as eleições no Brasil e em Minas, para fazer papel de coadjuvante", disse. 

Outro ponto que une Ciro e Pacheco é o Avante, partido que está na coligação de ambos. Neste sábado (4), Ciro estará em Belo Horizonte para receber o apoio formal do Avante, presidido pelo mineiro Luis Tibé, aliado de Pacheco. 

Em seguida, Ciro participa da convenção do PDT de Minas. O partido ainda não definirá apoio a Pacheco na convenção, pois, com a candidatura de Lacerda em aberto, deixará a decisão para o último momento. Na coligação proporcional, porém, a ideia é compor com os partidos que estão na esfera de Pacheco: DEM, Avante, PP, PMB, PTC e Patriotas. 

"Vamos procurar os partidos que estão com Rodrigo pra ver as chapas que podemos coligar ou não", disse Heringer. 

PORTAS ABERTAS

Heringer criticou ainda a decisão do PSB de retirar a candidatura de Lacerda. "Ele foi defenestrado de maneira descortês e grosseira. Um cara que estava trabalhando durante dois anos pra ser candidato. Foi prefeito pelo partido por oito anos da capital de Minas. Ser defenestrado dessa maneira é uma falta de consideração sem tamanho. O que fizeram com ele não se faz."

O PSB fechou um acordo com o PT no âmbito nacional com o objetivo de isolar Ciro Gomes. O acerto determina apoio mútuo nos estados. Em Pernambuco, o PT retirou a candidatura de Marília Arraes (PT) para apoiar a reeleição de Paulo Câmara (PSB). Em troca, o PSB determinou a retirada de Lacerda a favor da reeleição de Fernando Pimentel (PT) em Minas. 

"Márcio foi vitimizado por um partido que fez negócio. Foi acordo espúrio que eles fizeram para tirá-lo", disse o presidente do PDT-MG. 

Em nota publicada na quinta (2), o partido ofereceu "portas abertas" e solidariedade a Lacerda. O texto condena o acordo como "filho feio" e diz que ele atropela o bom senso para "continuar uma hegemonia e transformar a política em chave de cadeia". 

Segundo Heringer, Lacerda mantém a responsabilidade de ser uma liderança, mesmo que não seja candidato nesta eleição. O pessebista rejeitou a opção que lhe foi oferecida de ocupar uma vaga ao Senado na chapa petista. 

"Ele vai ter que ter uma posição de protagonista. É responsável pelas pessoas que depositaram esperança nele. Vai ter que escolher um candidato, espero que escolha o candidato que seja a terceira via. E vai ter que subir nos palanques, fazer propaganda."

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