Ataque a tiros à base da Funai em MT deixa um morto e um ferido

Tiroteio ocorreu por volta das 21h desta quarta-feira (10)

Fabiano Maisonnave Rubens Valente
Manaus e Brasília

O ataque de um grupo de índios contra uma base de proteção a indígenas isolados da Funai (Fundação Nacional do Índio) localizada em Colniza, a cerca de 759 km de Cuiabá (MT), deixou um morto e um ferido.

O tiroteio ocorreu por volta das 21h desta quarta-feira (10) e foi confirmado pela Funai em Brasília nesta quinta-feira (11).

Homem morto após ataque de grupo à base da Funai em região de índios isolados, perto de Colniza (MT); região tem sido alvo de madeireiros
Homem morto após ataque de grupo à base da Funai em região de índios isolados, perto de Colniza (MT); região tem sido alvo de madeireiros - Divulgação

O indígena morto é da etnia tenharim, do Amazonas, que não reivindica terras na região. O ferido, da mesma etnia, foi levado para um hospital em Juína (MT), segundo a Polícia Militar de Colniza.

O ataque ocorreu depois que Francisco Arara, liderança dos araras do rio Guariba, teria organizado um grupo de pessoas armadas, incluindo muitos índios, e avisou por aplicativo de telefone celular que atacaria a base da Funai na noite de ontem.

A Funai informou a ameaça ao Ibama e à Polícia Federal, mas o grupo armado avançou sobre a base antes da chegada do reforço.

Segundo a PM de Colniza, o grupo deu vários tiros contra a base, onde sete funcionários do órgão buscaram proteção. Eles reagiram também com armas de fogo. Os servidores primeiro atiraram para o alto, mas o ataque não cessou. Depois, os tiros foram dados na direção dos atacantes. Um deles morreu no local.

Francisco exige posse sobre um pedaço da terra indígena da etnia de índios isolados conhecida como kawahiva do Rio Pardo, de 412 mil hectares. A Folha apurou que, horas antes do ataque, a Funai havia apreendido uma máquina usada para derrubada ilegal de madeira na terra indígena, o que teria sido a gota d'água para a ação do grupo liderado por Francisco.

A região é marcada por conflitos agrários, desmate ilegal e roubo de madeira. Em abril do ano passado, nove posseiros e trabalhadores rurais foram assassinados em um assentamento da região. Apontado como o mandante do crime, o madeireiro Valdelir João de Souza está foragido.

Outro lado

Em contato via WhatsApp, Francisco confirmou que participou da ação, mas disse que os índios estavam armados apenas com flechas e bordunas, mas que não se tratava de um ataque. O objetivo, segundo ele, era pressionar a Funai pela demarcação de suas terras.

"A gente estava todo mundo pintado. Não fomos atirar em ninguém, não temos armas pra isso, fomos até com criança. Fomos lá pra conversar com eles pra eles nos apoiarem. Nunca fomos apoiados por esse pessoal que está aqui. Pra mim, não é da Funai, não. É bandido”, afirmou Arara.

Ele disse que os tenharins participaram da ação por solidariedade e negou o envolvimento com madeireiros que têm atuado ilegalmente dentro da terra indígena.

Segundo ele, os araras do rio Guariba reivindicam demarcação de suas terras desde 1987.  Há duas aldeias, com 90 indígenas.

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