Descrição de chapéu Eleições 2018

Doria já elogiou petista Haddad e rival França, e negou apoio de 'extremista' Bolsonaro

Prefeito agora tenta se aproximar de presidenciável e critica petista e adversário

João Doria (PSDB) em debate durante campanha das eleições 2018
João Doria (PSDB) em debate durante campanha das eleições 2018 - Bruno Santos/Folhapress
Artur Rodrigues Guilherme Seto
São Paulo

O ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) tem tentado pegar embalo na onda bolsonarista que turbinou as campanhas de diversos candidatos no primeiro turno das eleições em diversos estados.

Candidato a governador, ele tem investido no slogan Bolsodoria para vencer o atual mandatário no estado, Márcio França (PSB).

No entanto, opositores e até mesmo tucanos aborrecidos com o que viram como traição de Doria a Geraldo Alckmin (PSDB) durante o primeiro turno, quando o ex-prefeito começou a se movimentar em direção a Bolsonaro antecipadamente, têm compartilhado vídeos em que Doria aparece elogiando o presidenciável petista Fernando Haddad e o adversário Márcio França.

O que está subentendido no compartilhamento das mensagens é a ideia de que as posições de Doria são movediças, e mudam de acordo com a conveniência.

Apesar das críticas recentes a Haddad, Doria e o petista se mostravam afinados após a eleição em 2016.O tucano venceu o petista no primeiro turno e, logo depois, equipes tucana e petista iniciaram um processo de transição.

"Ele foi meu adversário, mas é um homem de bem. Ele é maior e melhor do que o partido a que pertence", afirmou o tucano, no período de transição, durante entrevista para o humorista Fábio Porchat. Esse trecho da entrevista tem sido compartilhado em grupos de tucanos que não gostam de Doria. O ex-prefeito também diz que Haddad representava "um novo PT".

Haddad, ao passar o cargo a Doria, afirmou que o fazia "como a um irmão", o que desagradou petistas. 
Depois que assumiu a prefeitura, porém, o tucano voltou a fazer ataques a Haddad. As críticas ficaram ainda mais duras depois que ele virou candidato.

"Ele foi tão mal na prefeitura que perdeu para mim no primeiro turno. Em um ano na prefeitura, fizemos mais do que nos quatro anos do Fernando Haddad", disse durante debate promovido pela Folha, UOL e SBT. 

Em outro vídeo que circula pelas redes sociais, Doria faz elogios ao então vice-governador de Geraldo Alckmin (PSDB), Márcio França. 

Ele agradece o apoio de França nas prévias para disputar a prefeitura e também depois que foi eleito. "Ele oferece seu exemplo de vida, como gestor, administrador e bom político. Uma referência não apenas para o PSB também para o PSDB, e, mais que tudo, para a política brasileira. Eu sou e estou com Márcio França", afirma.

Desde que os dois viraram adversários na disputa ao Palácio dos Bandeirantes, Doria dirige duras críticas a França. Nesta segunda (8), ele afirmou que o candidato do PSB é um esquerdista e populista, que representa a velha política. 

Em 2017, Doria defendeu uma frente ampla para derrotar Bolsonaro e Lula. Para ele, era preciso "discernimento, concordância, liderança e humildade" para criar uma frente ampla de centro. 

"Será que teremos um Lula aqui na frente? Será que é essa salvação do Brasil? Ou será o Bolsonaro? Eu digo que não. Precisamos nos apoiar em pilares que possam transformar o Brasil e, para isso, as forças democráticas e de centro precisam estar unidas. Nesse sentido, contem comigo".

Na ocasião, ele ainda sonhava que a tal força de centro fosse ele mesmo, apesar de dizer oficialmente que apoiava seu padrinho político, Geraldo Alckmin.

Nesta segunda-feira (8), França compartilhou nas redes sociais um vídeo em que Doria diz que não aceitaria o apoio de Bolsonaro.

"Agradeço, mas declino. Não acredito em extremismos nem de direita nem de esquerda", diz o candidato no vídeo de entrevista à rádio Jovem Pan.

Nesta segunda-feira (8), Major Olímpio (PSL), braço de Bolsonaro em São Paulo, disse que o presidenciável não apoiará Doria em São Paulo.

Procurada pela Folha, a assessoria de Doria encaminhou à reportagem vídeo em que França faz elogio ao tucano, quando o PSB aderiu à candidatura de Doria para a Prefeitura de São Paulo. 

"O João reúne as condições mais importantes para ser prefeito de São Paulo, pelo apoio do governador Alckmin", diz. "O Doria tem essa característica da inovação, de juntar essa coisa do empresário com o público".

"As declarações de João Doria foram dadas em um contexto que hoje não se configura mais. É preciso cautela para avaliar a data dessas declarações e o contexto em que estavam inseridas. Há, inclusive, vídeos em que o Márcio França enumera elogios a João Doria. Caso a Folha não tenha tido oportunidade de conhecê-los e indagar o governador interino sobre eles, a campanha de Doria poderá cedê-los ao jornal", disse Doria, por meio de assessoria de imprensa.


 

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