Descrição de chapéu Eleições 2018

Haddad celebra apoio de Barbosa e diz que nem todos têm coragem de admitir risco de Bolsonaro

Petista não cita Ciro Gomes, mas mostra irritação com falta de declarações do aliado

Marina Dias Catia Seabra
São Paulo

Em seu último evento de campanha, na periferia de São Paulo, Fernando Haddad (PT) celebrou o apoio público do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa à sua candidatura, mas estocou aqueles que, segundo ele, “não têm coragem de admitir o risco” que seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), representa.

Haddad não citou nominalmente Ciro Gomes (PDT), de quem esperava um apoio mais explícito a seu nome no segundo turno, mas mostrou irritação ao ser questionado por jornalistas sobre o fato de o ex-governador do Ceará não ter se posicionado a seu favor.

“O que Joaquim Barbosa falou é o que todo mundo sabe e alguns têm medo de dizer. Infelizmente, nem todo mundo tem a coragem de admitir o risco que ele [Bolsonaro] realmente representa para o país”, afirmou Haddad neste sábado (27).

 Na véspera da eleição, o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad realiza uma caminhada pelo bairro de Heliopolis, zona sul de São Paulo
Na véspera da eleição, o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad realiza uma caminhada pelo bairro de Heliopolis, zona sul de São Paulo - Nelson Antoine/Folhapress

O petista disse ainda que queria falar dos apoios que recebeu “até sábado” e que tentou falar com Ciro, que chegou de viagem à Europa na noite desta sexta-feira (26), mas tem se mantido em silêncio sobre o segundo turno.

“Eu tentei [falar com Ciro]. [...] estou querendo falar de quem, até o sábado, se manifestou. Para mim, Joaquim Barbosa é a notícia do dia. Vocês estão querendo transformar uma notícia boa numa notícia ruim. Só colabora com a desgraça nesse país”, disse Haddad aos jornalistas.

“O apoio do Joaquim Barbosa é muito significativo. Ele tem uma representação muito forte. Ele representa valores com os quais eu compartilho. Eu o visitei, aguardei esse momento, estou celebrando seu apoio”, completou.

O ex-presidente do STF declarou voto em Haddad neste sábado (27), a um dia do segundo turno. Disse, em seu Twitter, que fez uma escolha “racional” e que, “pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo”, em referência à Bolsonaro.

“Por isso votarei em Fernando Haddad”, escreveu Barbosa.

Desde o início do segundo turno, o petista tem tentado construir uma frente democrática contrária a Bolsonaro, mas o apoio público não veio das figuras mais esperadas por ele, Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Haddad havia conversado com o ex-presidente do STF em Brasília há alguns dias, mas o encontro tinha sido pouco assertivo. Segundo relatos, o petista sinalizou que Barbosa seria um bom nome para ser seu ministro da Justiça, o que poderia afastar a pecha de corrupção do PT.

Relator do mensalão, o magistrado foi algoz de petistas históricos, como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha.

Na última semana, além de Barbosa, atores políticos de menos relevância no cenário eleitoral, como Marina Silva (Rede), que terminou o primeiro turno com 1% dos votos, o tucano Alberto Goldman e também Jarbas Vasconcelos, senador eleito pelo MDB do Pernambuco, declararam voto em Haddad.

Um dia antes da eleição, o candidato do PT manteve o tom mais agressivo contra Bolsonaro que tem adotado na última semana de campanha e disse que seu adversário é uma pessoa “perigosa”, “um risco institucional”.

Segundo Haddad, há setores da imprensa que tentam “adocicar” o capitão reformado.

“Vocês estão tratando um sujeito truculento como uma pessoa da paz, uma pessoa razoável. Bolsonaro não é razoável”, disse.

O último ato de campanha do PT foi em Heliópolis, uma favela da região Sudeste da capital paulista. “Obrigado. Eu terminei a campanha aqui porque sei que, se virar em São Paulo, eu viro no Brasil”.

Depois de movimentos erráticos nos dez primeiros dias do segundo turno, o partido focou o discurso no eleitor mais pobre, tradicionalmente lulista, e que não se sentia muito conectado à figura de Haddad —muitos migraram para Bolsonaro no primeiro turno.

Haddad voltou a crescer no segmento na última semana e a campanha ganhou ânimo desde quinta (25), quando as pesquisas começaram a mostrar uma redução da vantagem do capitão reformado sobre o petista.

A diferença, porém, segue grande —12 pontos. 

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