Descrição de chapéu Eleições 2018

Márcio França vai esperar rearranjo da política para definir futuro após governo

Derrotado por Doria no 2º turno por 4 pontos, governador avalia que sai do pleito maior do que entrou

Gabriela Sá Pessoa
São Paulo

Recuperando-se de pneumonia nos dois pulmões, o governador Márcio França (PSB) tem comentado a interlocutores que aguardará o rearranjo da política nacional, nos primeiros meses da presidência de Jair Bolsonaro (PSL), para definir qual será seu futuro após deixar o Palácio dos Bandeirantes.

Derrotado por João Doria (PSDB) no segundo turno, no domingo (28), por um placar de 51,75% a 48,25%, o pessebista avalia que os mais de 10 milhões de votos que recebeu foram um bom resultado político.

Ele começou a disputa com 3% das intenções de voto, mas na reta final do primeiro turno ultrapassou Paulo Skaf (MDB) por 89 mil votos.

"Há vitórias eleitorais que já tive que me senti em derrota. E há derrotas que me senti vitorioso. Hoje, me sinto vitorioso aqui", ele afirmou, em discurso após o resultado no domingo (28).

Cercado por microfones, o governador Márcio França no colégio em que votou no domingo (28), na capital paulista; à esquerda, seu braço-direito, Claudio Valverde
O governador Márcio França no colégio em que votou no domingo (28), na capital paulista; à esquerda, seu braço-direito, Claudio Valverde - Gabriel Cabral/Folhapress

O placar nas urnas seguiu o que as pesquisas de intenção de voto apontavam ao longo do segundo turno, até que o Datafolha de sábado (27) mostrou França numericamente à frente de Doria. A equipe reconhece que a pesquisa animou mais do que deveria. 

A campanha do governador avalia que Doria foi eficaz ao associá-lo ao PT e à esquerda durante o segundo turno. A estratégia pegou sobretudo no interior do estado, onde França precisava ganhar terreno para equilibrar a disputa. Na capital, o pessebista venceu o ex-prefeito com 58,1% dos votos.

Além disso, acreditam que o discurso polarizado da eleição nacional contaminou a disputa estadual. 

Reservadamente, França tem avaliado que fez o possível para se descolar dos petistas —atraiu apoios de militares e do senador eleito Major Olímpio (PSL), bolsonarista, e levou Skaf para a campanha—, mas que é impossível apagar o passado.

Seguidores de Márcio França no Twitter têm sugerido que ele dispute a Prefeitura de São Paulo, algo que, ao por enquanto, ele descarta. Alguns aliados próximos do governador, no entanto, apostam que dificilmente ele passará os próximos quatro anos fora da vida política, sem disputar algum cargo.

O pessebista diz que quer aguardar os primeiros desdobramentos do governo Bolsonaro, intuindo que os próximos lances da política exigirão um rearranjo dos partidos do campo progressista, em que ele se coloca.

França tirou a semana para se tratar da pneumonia, após ser aconselhado pelos médicos a se preservar.

Ele tem se queixado de enjoos, por causa da medicação, e de falta de ar. Só na semana que vem procurará a equipe de João Doria, chefiada pelo vice Rodrigo Garcia (DEM), para iniciar as conversas sobre transição.

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