Câmara não pode ser 'panelinha', diz Ramalho, candidato a presidir a Casa

'Nós vamos acabar com esse negócio de alto e baixo clero', afirma o deputado

Angela Boldrini
Brasília

Queridinho dos parlamentares do chamado "baixo clero" e candidato à presidência da Câmara, Fábio Ramalho (MDB-MG), o Fabinho, afirma que, se ganhar, fará uma gestão "sem panelinhas".

"Nós vamos acabar com esse negócio de alto e baixo clero", afirmou à Folha em seu gabinete nesta quinta-feira (10).

O vice-presidente da Câmara e candidato a presidente na nova legislatura, deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), durante entrevista em seu gabinete
O vice-presidente da Câmara e candidato a presidente na nova legislatura, deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), durante entrevista em seu gabinete - Pedro Ladeira/Folhapress

O vice-presidente da Casa —conhecido pelos jantares com comida mineira farta que oferecida aos pares durante as noites de votação e as festas que dá em seu apartamento funcional— criticou a atuação do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"Faltou ao presidente a defesa da casa, a defesa da instituição da Câmara", disse ele, que também afirmou que há entre os candidatos de oposição à reeleição de Maia um pacto para apoio mútuo num eventual segundo turno.

Com bom trânsito entre os novatos, Ramalho pode amealhar cerca de cem votos, estimam aliados.

 

O sr. foi ser recebido por Jair Bolsonaro no Planalto. Pretende se colocar como candidato do presidente? Eu sou independente. Fui fazer para ele uma visita de cortesia. E também dizer a ele que eu votarei as reformas de graça, mas que elas têm que ser construídas aqui no parlamento. 

Como seria a relação de uma eventual gestão sua com o governo Bolsonaro? A Câmara tem que fazer o trabalho dela, tem que ter a sua pauta. Hoje a pauta nossa quase que não existe, a gente fica aqui carimbando coisa. Tem que acabar com essa "carimbação". Hoje a gente tem 513 deputados, e temos que ter pelo menos um projeto de cada um. 

O partido do sr. não declarou apoio à sua candidatura, e pode se unir a outros candidatos, como Rodrigo Maia (DEM-RJ) ou Arthur Lira (PP-AL). O sr. acha viável ganhar sem apoio partidário? Minha candidatura nasceu de vários parlamentares, tanto dos que foram reeleitos quanto dos que perderam a eleição. Eles acharam eu eu deveria ser o presidente porque eles viram que durante este mandato eles foram muito prejudicados pela maneira como a Casa foi conduzida.

Precisamos de um Parlamento independente, porque só assim teremos uma democracia forte e vamos poder fazer reformas. 

O sr. foi vice-presidente da Câmara durante toda a gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Por que romper com ele agora e sair candidato? Não teve rompimento. O Rodrigo nunca nos procurou. A Mesa [Diretora] se reuniu muito pouco nesse período, e para cassar um deputado inconstitucionalmente [Paulo Maluf (PP-SP) perdeu o mandato em agosto de 2018].

A gente viu parlamentares sendo presos com crime prescrito [João Rodrigues (PSD-SC)]. Essa aqui é uma Casa soberana. 

O que eu quero fazer é uma Câmara forte, independente, e não de uma "panelinha" de 20 [pessoas]. Posso afirmar que as reformas não avançaram porque o parlamento não foi ouvido. Quem foi ouvido foram os donos de bancos, foram investidores financeiros. [Maia] esqueceu de fazer a reforma dentro da Casa. A Casa, quando é um puxadinho do Planalto, não funciona.

Então, para o sr., a gestão Maia foi voltada para o Planalto e não para a Câmara? Foi voltada para algumas poucas pessoas, e não defesa da instituição Câmara dos Deputados. A Casa precisa ser mais defendida, ela precisa ter mais força.

Há outros postulantes em oposição ao Maia. Num eventual segundo turno, essas candidaturas se unirão? Tem esse compromisso entre todos nós. E qualquer outro candidato que quiser concorrer tem o nosso compromisso de que, quem for pro segundo turno [contra Maia], nós vamos apoiar. 

O sr. disse que há na Casa uma "panelinha". O sr. pretende fazer uma gestão voltada para o chamado "baixo clero"? Eu penso que eu vou fazer uma gestão para os 513 deputados. Nós vamos acabar com esse negócio de baixo e alto clero.

O sr. tem procurado deputados de partidos que já fecharam com a candidatura de Maia, como PSL e PRB? Já conversei com quase todo mundo. Eu estou procurando os deputados, não as lideranças, porque muitas vezes fecha-se o acordo primeiro e depois se avisa o parlamentar.

O sr. é favorável à aprovação da reforma da Previdência? As reformas são necessárias para a sobrevivência, inclusive dos mais pobres. O brasileiro tem que saber disso. Eu já falei com o presidente Bolsonaro que ele tem que fazer isso, eu vou fazer isso aqui na Câmara. 

O sr. colocaria para votar projetos como o Escola sem Partido, a PEC do aborto? Eu acho que qualquer tema na Casa tem que ser discutido, tem que ser votado.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.