Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Liberal raiz, deputado mais votado no RS quer fim de minimáfias partidárias

Marcel van Hattem (Novo) ganhou notoriedade ao liderar protestos pelo impeachment de Dilma

Curitiba

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), 33, diz ter se tornado liberal por intuição –e por indignação.

Filho de um engenheiro civil e de uma arquiteta, o jovem nascido em São Leopoldo, interior gaúcho, afirma ter convivido desde cedo com os impactos da burocracia governamental e das leis trabalhistas e viu o pai fechar empresa e despedir funcionários por causa dos altos impostos.

“São coisas que acabam, intuitivamente, levando você a ser liberal, por causa da indignação com o que acontece”, disse à Folha.

Deputado federal eleito Marcel Van Hatten (Novo-RS)
Deputado federal eleito Marcel Van Hatten (Novo-RS) - Najara Araújo - 22.jan.19/Câmara dos Deputados

Van Hattem ganhou notoriedade ao liderar protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, quando fez coro aos brados de “fora, PT”, pedindo “uma política sem ideologismos”.

Virou um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre) e, no ano passado, tornou-se o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul, defendendo pautas como a redução de impostos, o armamento da população e a Escola sem Partido.

Mas o político afirma ser um liberal raiz, cuja formação começou “antes de muitos outros que entraram na onda das candidaturas liberais”.

Formado em relações internacionais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e com vasta formação no exterior, Van Hattem gostava de ler, desde a adolescência, as colunas do guru conservador Olavo de Carvalho e a obra de Ludwig von Mises, teórico do liberalismo e da economia de livre mercado.

Aos 19 anos, ele foi pela primeira vez ao Fórum da Liberdade, evento que congrega a juventude gaúcha de direita, onde se debatem temas como empreendedorismo, livre iniciativa e desburocratização, e onde o rosto de Mises está estampado em camisetas.

Isso foi quase 15 anos atrás, quando o governo Lula ainda estava em seu início, vivendo picos de popularidade.

Remando na contramão, Van Hattem criticava “o populismo caudilhista” da América Latina, e conclamava jovens como ele a serem protagonistas da mudança, em um discurso na Universidade Georgetown, em Washington, em 2009, onde foi bolsista do igualmente liberal Instituto Ling.

“Mas ninguém fez mais pelo liberalismo no Brasil do que a Dilma”, afirmou Van Hattem, ao comentar a adesão do eleitorado brasileiro às pautas liberais e conservadoras durante a eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

“Muita gente dizia que eu não representava o povo. Pelo contrário”, disse, em referência aos quase 350 mil votos que fez no Rio Grande do Sul. “É típico da arrogância daqueles que se intitulam donos da vontade popular.”

A crítica ao PT é uma constante em sua atuação política. Eleito deputado estadual em 2014, se notabilizou por pronunciamentos aguerridos na tribuna da Assembleia, em que criticou o aparelhamento das instituições pelo partido e chegou a comparar a atuação da esquerda nas escolas “ao que o nazismo fez com os jovens na Segunda Guerra”.

À Folha Van Hattem argumentou que a polarização na política, por si só, não é negativa.

“Ela é o primeiro passo para a pluralização e a democratização do debate”, disse. “Quem critica a polarização, hoje, é de esquerda. Porque perderam a hegemonia de falar sozinhos.”

Na semana passada, Van Hattem anunciou que irá concorrer à presidência da Câmara. Entre suas principais pautas, estão o compromisso de não pautar reajustes salariais aos deputados e a defesa das reformas previdenciária, tributária e política, o que inclui o fim do fundo partidário.

“Criaram-se verdadeiras minimáfias, de pessoas interessadas no butim do dinheiro público”, argumentou.

Para ele, a próxima legislatura do Congresso será mais plural, e os extremos que marcaram as últimas eleições tenderão a se atenuar. A não ser que a esquerda, segundo ele, continue a semear a divisão.

“A ideologia marxista é que gera conflito. E quem faz esse tipo de discurso acaba colhendo indignação”, afirmou.

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