Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Novata do PT na Câmara diz que objetivo da oposição é barrar retrocessos

Marília Arraes afirma que é preciso reconhecer papel de protagonista do PT na esquerda

Angela Boldrini
Brasília

Recém-chegada à Câmara dos Deputados, a recifense Marília Arraes (PT-PE) diz que a principal tarefa da oposição durante o governo de Jair Bolsonaro (PSL) será a de tentar barrar as pautas do Planalto.

"A gente tem que fazer um paralelo com a sociedade, se você for observar os sindicatos no último ano têm comemorado quando conseguem manter as conquistas, quando na verdade antes se procurava era melhorar", afirma ela, que tomará posse nesta sexta-feira (1º).

Marília Arraes (PT-PE), que troca o mandato de vereadora em Recife por uma das vagas de Pernambuco na Câmara dos Deputados
Marília Arraes (PT-PE), que troca o mandato de vereadora em Recife por uma das vagas de Pernambuco na Câmara dos Deputados - Avener Prado - 12.abr.2018/Folhapress

Ela diz, por exemplo, que deve focar na obstrução de projetos como a reforma da Previdência, e de preservar "os direitos humanos, das mulheres e minorias", diz.

Primeira neta do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes e prima do ex-presidenciável Eduardo Campos, a deputada eleita deixa a Câmara de Vereadores do Recife, onde esteve pelos últimos três mandatos.

Foi lá que começou a trajetória como política de carreira, apesar de ter participado do movimento estudantil quando cursava direito na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Apesar da verve familiar para a política, ela diz que chegou a cogitar outras carreiras: "Quando fui eleita [vereadora], estava estudando para um concurso", diz ela à Folha por telefone nesta quarta (30).

O "imprevisto" a levou para a carreira como política, primeiro no PSB e depois no PT. A chegada a Câmara dos Deputados também não estava prevista: a deputada eleita queria concorrer ao governo de Pernambuco, mas teve sua candidatura rifada pelo partido, que decidiu apoiar a chapa de Paulo Câmara (PSB). 

Rompida com o PSB —de onde saiu em 2016, citando o apoio dado pelo partido à candidatura de Aécio Neves (PSDB) nas eleições presidenciais de 2014—, a vereadora não quis abandonar a candidatura e acabou tendo seu nome retirado em votação do partido.

Só então registrou candidatura para deputada federal, e arrebanhou 193 mil votos, sendo a segunda mais votada no estado. O pódio, aliás, ficou na família: com o filho de Eduardo Campos, João (PSB), que arrebanhou 460 mil votos.

Com ela, são 15 os novos deputados do PT que assumem mandato em 2019. A bancada total tem 54 parlamentares, polarizando com o PSL de Bolsonaro como a maior bancada da Casa.

A deputada diz que o partido passa por uma fase em que é preciso se aproximar das bases e fazer uma "reflexão coletiva", mas vê com maus olhos o que chama de um movimento de "isolamento" do PT por outros setores da esquerda.

"É importante reconhecer o papel de protagonista do PT no campo político da esquerda, hoje a unidade da centro-esquerda não pode se passar sem considerar isso", afirma ela.​

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