Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro tem febre de novo, e médicos detectam pneumonia

Imprevisto prolongará permanência no Einstein por ao menos 7 dias; estamos tranquilos, diz presidente

Talita Fernandes Cláudia Collucci
São Paulo

Após 11 dias de internação no hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a ter febre na noite de quarta-feira (6), e uma tomografia detectou pneumonia.

Ele permanecia nesta quinta-feira (7) em uma unidade semi-intensiva, sem previsão de alta, com visitas restritas somente aos familiares.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante caminhada no Hospital Albert Einstein na tarde desta quinta-feira (7/2)
O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante caminhada no Hospital Albert Einstein na tarde desta quinta-feira (7/2) - Presidência da República

Além de inspirar cuidados médicos, a detecção da pneumonia prolongará ainda mais a internação de Bolsonaro, por no mínimo mais sete dias, devido ao aumento de antibióticos, conforme disse à Folha Antonio Luiz Macedo, cirurgião que é um dos responsáveis por cuidar da saúde do presidente da República.

Inicialmente, a equipe responsável pela operação estimava alta após dez dias, completados na quarta. Outros imprevistos já haviam estendido a internação. Agora, na hipótese mais otimista, ele completará 18 dias de hospital.

Nas primeiras 48 horas depois da cirurgia, a Presidência ficou a cargo do vice, general Hamilton Mourão, mas depois Bolsonaro voltou ao posto, com despachos no hospital.

O presidente foi submetido a uma cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada de uma bolsa de colostomia em 28 de janeiro —a terceira por que passou após ser alvo de facada, em setembro de 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

O boletim médico divulgado nesta quinta-feira diz que Bolsonaro havia apresentado na noite anterior um "episódio isolado de febre sem outros sintomas associados" e que, "submetido à tomografia de tórax e abdome", foi evidenciada "boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia".

A detecção de pneumonia levou à ampliação do tratamento com antibióticos, que já havia sido reforçado no domingo (3), quando teve febre pela primeira vez após a cirurgia.

O novo diagnóstico levou Bolsonaro a usar as redes sociais para tranquilizar seus seguidores. Ele compartilhou vídeo no qual seu porta-voz fala sobre a situação e escreveu. "Cuidado com o sensacionalismo. Estamos muito tranquilos, bem e seguimos firmes."

O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse que a febre do presidente foi em torno de 38 graus e que exames descartaram a hipótese de infecção viral.

"Os médicos acharam por bem acrescentar à antibioticoterapia um novo componente, uma nova droga, de forma que esse espectro possa ser ainda maior e têm a convicção de que essa ação vai debelar essa pneumonia encontrada no seu pulmão", disse.

De acordo com Rêgo Barros, o presidente se mostrou triste quando foi detectada a pneumonia, mas recuperou em seguida o ânimo, dizendo que ele fez brincadeiras com enfermeiros do hospital.

"O estado de ânimo do presidente é de alguém que está agarrado à sua cura." Ele acrescentou que Bolsonaro expressou vontade de comer bife com batata frita quando voltar a comer normalmente.

O porta-voz descartou haver preocupação dos médicos com a saúde do presidente. "Não me pareceu, segundo eu conversei com os médicos, uma alteração do nível de preocupação. Eles são uma equipe extremamente experiente."

Rêgo Barros afirmou ainda que Bolsonaro está com dificuldades para dormir e que os médicos estudam auxiliá-lo na melhora da qualidade do sono, mas não especificou se ele será medicado.

O boletim informou que o presidente está "sem dor, com sonda nasogástrica, dreno no abdômen e recebendo líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral".

Segundo o general, os médicos estão tratando paralelamente as recuperações da cirurgia em si e da pneumonia.

Ele disse que a descoberta da infecção não vai mudar, por exemplo, a reintrodução alimentar de Bolsonaro.

Desde a cirurgia, sua nutrição é feita de forma endovenosa e nos últimos dois dias ele passou a ingerir também água. Pacientes neste caso têm reintrodução alimentar gradativa: inicialmente são ingeridos líquidos, depois passa para o estágio pastoso e, ao final, alimentos sólidos.

A alta médica costuma ocorrer só quando há evacuação ao fim desse processo alimentar, o que mostra o funcionamento normal do intestino.

Além da primeira-dama, Michelle, os filhos Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estiveram com o presidente nesta quinta. Por telefone, ele conversou com os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Economia, Paulo Guedes.

​Relembre o caso do presidente

Bolsonaro foi submetido à cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada de uma bolsa de colostomia no dia 28 de janeiro, segunda-feira passada.

Na ocasião, os médicos mudaram a técnica prevista inicialmente e tiveram que fazer um procedimento mais complexo do que era esperado.

Um trecho do intestino, que estava ligado à bolsa que recolhia as fezes havia quase cinco meses, foi retirada e descartada.

Com isso, decidiu-se ligar o intestino grosso ao delgado diretamente. Por esse motivo, o processo foi mais longo do que o esperado, e três a quatro horas, e durou sete. 

Essa foi a terceira operação pela qual ele passou desde que foi alvo de uma facada, em setembro de 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Nos primeiros dias seguintes à cirurgia, o presidente mostrou boa recuperação.

No último fim de semana, contudo, ele teve uma parada do intestino, além de ter náuseas e vômitos. Isso fez com que os médicos decidissem colocar uma sonda nasogástrica para a retirada de líquido acumulado no estômago, que provocava enjoo.

Um aumento de temperatura no domingo também fez com que os médicos iniciassem um tratamento de amplo espectro com antibióticos, o que provocou o primeiro adiamento da alta.

Isso ocorreu ao mesmo tempo em que foi descoberto um acúmulo de água na cavidade abdominal, exigindo a colocação de um dreno no local. 

A descoberta da pneumonia levou os médicos a ampliar a quantidade de antibióticos, exigindo um recomeço do tratamento que dura, no mínimo sete dias.

O porta-voz, os exames de imagem detectaram normalidade na recuperação do intestino, onde foi realizada a cirurgia. Ele não quis dizer quais as prováveis causas da pneumonia.

"Ficar na suposição não me parece adequado, não vou citá-las", disse, acrescentando que os médicos têm algumas hipóteses.

Embora o Palácio do Planalto tenha montado uma estrutura de despachos ao lado do quarto do presidente, ele segue com visitas restritas a familiares.

 

O que aconteceu desde a cirurgia de Bolsonaro

Atividade precoce
A recomendação médica era para que o presidente evitasse falar nos primeiros dias para evitar o acúmulo de gases na região do abdômen, o que poderia atrapalhar a cicatrização. Dois dias depois da cirurgia, porém, Bolsonaro reassumiu a Presidência a distância, fez reuniões e assinou decretos

Paralisia intestinal
Cinco dias após a cirurgia, a expectativa era que o presidente já estivesse comendo alimentos pastosos pela boca e evacuando. No sábado (2), porém, Bolsonaro voltou a usar sonda nasogástrica. O intestino delgado parou, houve acúmulo de líquido no estômago e o presidente teve náuseas e vômitos

Quadro infeccioso
Na noite de domingo (3), o presidente teve febre e exames mostraram uma infecção (abscesso) na região intra-abdominal, próxima à antiga colostomia. Na quarta (6), voltou a ter febre, e uma tomografia detectou pneumonia. Exames médicos descartaram a possibilidade de infecção viral

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