Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Laranjal do PSL envolveu apuração em MG e PE e entrevista com 95 pessoas

Casos motivaram a primeira queda de um ministro do governo Bolsonaro, Gustavo Bebianno

Ranier Bragon Camila Mattoso
Brasília

A produção das reportagens sobre candidaturas de laranjas no PSL, partido de Jair Bolsonaro, envolveu a análise de documentos e apuração em seis cidades de Minas Gerais e Pernambuco, onde foram entrevistadas 95 pessoas, entre candidatos, assessores, políticos, empresários, investigadores, advogados e moradores.

Os casos dos laranjas resultaram na abertura de investigação pelo Ministério Público e pelas polícias federal e civil, e motivaram a primeira queda de um ministro do governo Bolsonaro, Gustavo Bebianno, que foi o presidente nacional do PSL na campanha.

A dica de que o partido teria patrocinado candidaturas suspeitas em Minas chegou à Sucursal de Brasília no início de janeiro, ocasião em que o trabalho de checagem das informações teve início.

Foram levantados os dados de todas as prestações de contas do PSL, o que reforçou a suspeita inicial —quatro candidatas de Minas haviam recebido expressiva fatia da verba pública do partido, figurando no ranking dos 20 mais agraciados no país, apesar de terem tido votações insignificantes.

A Folha foi para o Vale do Aço, tendo em três dias percorrido as cidades de Ipatinga, Governador Valadares, Coronel Fabriciano e Timóteo.

A checagem mostrou gráfica com as portas fechadas, nenhum sinal de campanha efetiva e a confirmação de que parte do dinheiro voltou para empresas ligadas a assessores do hoje ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, chefe do PSL de Minas à época. 

A Folha entrevistou Cleuzenir Barbosa, candidata em Valadares que disse ter sido pressionada a integrar o esquema. Hoje ela vive em Portugal.

O trabalho de análise dos dados mostrou processo semelhante em Pernambuco, terra do hoje presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar.

Por telefone, Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL no estado e que recebeu a terceira maior verba pública do PSL no país, R$ 400 mil, não soube dar detalhes de sua campanha. Bivar negou o esquema, mas disse à Folha que o desempenho se justificou porque “política não é muito da mulher”.

A partir desse momento, os repórteres Joana Suarez e João Valadares vasculharam mais de dez endereços de Recife e Amaraji (PE), atrás das gráficas e das candidatas envolvidas no caso, sempre encontrando um cenário incompatível com o alegado gasto.

Reportagem de João Pedro Pitombo e Guilherme Garcia mostrou potenciais laranjas em 14 partidos, o que foi confirmado pelo trabalho feito, a partir de então, por outros veículos de comunicação.

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