Descrição de chapéu Legislativo Paulista

Assembleia de SP inicia legislatura em meio a temor com segurança

Está em andamento na Casa um processo para comprar equipamentos de controle para o edifício

Joelmir Tavares José Marques
São Paulo

O primeiro dia da nova legislatura da Assembleia de São Paulo será determinante para o esquema de segurança que a Casa adotará nos próximos anos. Em meio à preocupação com ataques e protestos, a posse dos deputados, nesta sexta (15), funcionará como um teste.

A expectativa é que a eleição da Mesa Diretora —que tem como principais candidatos o atual presidente, Cauê Macris (PSDB), e a estreante Janaina Paschoal (PSL)— atraia manifestantes ao prédio do Legislativo, o Palácio 9 de Julho, ao lado do parque Ibirapuera (zona sul da capital).

Janaina diz que desestimulou apoiadores que queriam sair em caravanas até de outros estados para pressionar os parlamentares a votar nela contra o favorito Cauê. A deputada fala que tem medo de acontecer tumulto.

Ao menos seis eventos com mote favorável a ela foram criados no Facebook. No principal deles, intitulado "grande ato por Janaina Paschoal presidente da Alesp #elasim", cerca de 500 pessoas confirmaram presença via rede social.

Os organizadores afirmam na página que o ato será realizado do lado de fora do prédio.

A Casa diz que o efetivo fixo de 87 PMs será usado na organização da cerimônia. No plenário, os 94 deputados estarão cada um com um acompanhante. Só mais três convidados de cada parlamentar terão acesso ao auditório.

A entrada no prédio estará liberada. Telões serão colocados no hall principal e nos plenários para quem quiser acompanhar a transmissão da cerimônia e da eleição.

Desde 2018 está em andamento na Casa um processo para comprar equipamentos de controle para o edifício. Como a coluna Mônica Bergamo noticiou em janeiro, a previsão é adquirir aparelhos de raios X e detectores de metal.

A Assessoria Policial Militar do Legislativo fez orçamento com três fornecedores. As propostas variam de R$ 118 mil a R$ 285 mil, dependendo do número de equipamentos e do serviço de garantia.

Hoje o acesso é totalmente livre. Agentes vigiam as portarias, mas não fazem inspeções em quem entra ou sai, embora seja proibido circular com armas no prédio.

"É fato que há alguns anos esse debate vem sendo feito e a Mesa Diretora tem sido demandada pela segurança da Casa", diz o deputado Luiz Fernando Ferreira (PT), que, no cargo de primeiro-secretário, é o responsável pelos assuntos administrativos.

No entanto, afirma ele, "nenhuma posição se tomou de concreta até agora, seja em relação a videomonitoramento ou ao controle de acesso".

Ele diz que o tema se fortaleceu após o ataque a facada ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral do ano passado.

Nas redes, Janaina vem defendendo um endurecimento no acesso ao palácio. Uma de suas propostas na campanha pela presidência é instituir controle mais rígido.

"A Alesp deve ser o único prédio público que não tem controle de entrada", afirmou ela há alguns dias no Twitter. "Também não conta com câmeras e detector de metal. Se ocorrer um crime lá dentro, não temos nem como começar a investigar", escreveu.

A eleição para a presidência, na próxima sexta-feira, será também uma amostra dos tempos agitados que estão por vir no local.

O PSDB (que terá uma redução das atuais 19 cadeiras para 8) perde o posto de maior bancada para o PSL, que promete ter uma postura de independência em relação ao governo do tucano João Doria.

Entre os 15 nomes do partido de Bolsonaro, há deputados com alto engajamento em redes sociais e capacidade de mobilização —o que tem assustado veteranos da Casa, alvos de ataques em "lives" (vídeos ao vivo) e no WhatsApp.

Além de Janaina, estão no grupo de influenciadores o líder da bancada, Gil Diniz, conhecido na internet pelo personagem Carteiro Reaça, e Douglas Garcia, fundador do movimento Direita São Paulo.

O time dos agitadores, jocosamente chamado por veteranos de "bancada dos youtubers", conta ainda com o deputado Arthur do Val (DEM), o Mamãe Falei, um dos líderes do barulhento MBL (Movimento Brasil Livre).

Na oposição, parlamentares de perfil mais combativo, como Carlos Giannazi e Mônica da Bancada Ativista, ambos do PSOL, já se articulam para convocar manifestações contra projetos caros ao governo, como o pacote de concessões e privatizações, do qual discordam.

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