Gestão Doria veta parque, e MST adia feira de alimentos em SP

Organizadores reclamam de motivos políticos; governo diz que parque não comporta 200 mil pessoas

José Marques
São Paulo

O MST decidiu adiar a quarta edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, que seria realizada no mês de maio, após o governo João Doria (PSDB) vetar o evento no parque da Água Branca, zona oeste de São Paulo.

Os organizadores reclamam que o veto foi anunciado em cima da hora, embora o pedido de autorização de uso do parque estivesse protocolado desde o ano passado. 

Primeira Feira Nacional da Reforma Agrária, no Parque da Água Branca, em 2015 - Alf Ribeiro - 22.out.2015/Folhapress

"Nos enrolaram esse tempo todo. Faz uns 15 dias que o próprio secretário do Meio Ambiente nos chamou, disse que o conselho do parque vetou a feira e que a secretaria manteve a decisão", afirma João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST. 

"Não nos deixaram nem argumentar e nem explicaram os motivos do veto."

A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente diz que eles sabiam da decisão do conselho desde fevereiro, quando foi publicada a ata do que foi discutido.

"Na reunião realizada em março, com o objetivo de explicar a medida e buscar outros locais para o evento, todos os membros da organização já estavam cientes da decisão", diz o órgão, em nota.

Segundo a pasta, o conselho gestor do parque entendeu que a estrutura do local não comporta mais o evento, que tem previsão de receber 200 mil pessoas, e que foram sugeridas alternativas como os parques da Juventude e o Ecológico do Tietê.

O conselho é formado por oito membros do governo e oito da sociedade civil, e é opinativo, não tem poder deliberativo.

João Paulo Rodrigues diz que o conselho do parque também opinou em anos anteriores contra a realização da feira, mas os governadores intervieram e permitiram a sua realização.

Ele diz que, por meio do vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), tentaram até a intermediação do ex-governador e presidente do PSDB Geraldo Alckmin para que a feira fosse realizada, mas ainda assim a gestão João Doria não se sensibilizou.

O MST avalia que a proibição tem relação com o discurso político mais forte de Doria contra movimentos de esquerda e alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). "Sem dúvidas foi uma orientação do próprio núcleo duro do Palácio dos Bandeirantes", afirma Rodrigues.
 
Segundo ele, o adiamento da feira prejudica os pequenos produtores, que já haviam programado a venda de hortifrúti e carnes na feira em maio.

Agora, a entidade articula com o prefeito Bruno Covas (PSDB) outro espaço para que o evento aconteça em agosto.

"Mas a nossa esperança é que Doria volte atrás e permita que a feira no parque da Água Branca, porque, como diria [o sociólogo] Antônio Candido, é um dos parques mais caipiras de São Paulo", diz o coordenador do MST.

"Topamos negociar tudo com eles, inclusive a diminuição no número de barracas e diminuir o som das apresentações artísticas".

Segundo o movimento, no ano passado, a feira movimentou 420 toneladas de 1.500 produtos.

Uma das opções alternativas para a feira de agosto é o complexo do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

Na nota enviada à reportagem, o governo ainda afirma que a sugestão feita para que a feira fosse nos parques da Juventude e Ecológico do Tietê é porque eles "são maiores e oferecem mais segurança ao público".

"Na reunião, o movimento demonstrou interesse em realizar o evento no Ibirapuera, sob responsabilidade do município. Os assessores da Pasta orientaram sobre o procedimento com a Prefeitura e se colocaram a disposição caso optassem por outro parque estadual", diz o comunicado.

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