Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro aponta cadeira do Planalto como sua Kryptonita, admite choro e revela bronca em Olavo

Em entrevista à revista Veja, presidente também falou sobre laranjas e bancada do PSL

São Paulo

Em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira (31), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) falou sobre as angústias do cargo, a nomeação equivocada do ex-ministro da Educação, a bronca em Olavo de Carvalho, a prisão de Lula, o escândalo dos laranjas e a bancada de parlamentares do PSL.

Sobre o cargo, Bolsonaro compara a cadeira no Planalto à Kryptonita para o Super-­Homem. A seguir, alguns dos trechos da entrevista.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a cerimônia de assinatura de decreto no Palácio do Planalto, em Brasilia
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a cerimônia de assinatura de decreto no Palácio do Planalto, em Brasilia - Lucio Tavora/Xinhua

Pressão na Presidência - "Já passei noites sem dormir, já chorei pra caramba também. Angústia, né? Tá faltando o mínimo de patriotismo para algumas pessoas que decidem o futuro do Brasil. O pessoal não está entendendo para onde o Brasil está indo. Não preciso dizer quem são essas pessoas. Elas estão aí. Imaginava que ia ser difícil, mas não tão difícil assim. Essa cadeira aqui é como se fosse Kryptonita para o Super-­Homem. Mas é uma missão, entendo que Deus me deu o milagre de estar vivo. Nenhum analista político consegue explicar como eu cheguei aqui, mas cheguei e tenho de tocar esse barco."

Vélez e Olavo de Carvalho -  "Errei no começo quando indiquei o Ricardo Vélez como ministro. Foi uma indicação do Olavo de Carvalho? Foi, não vou negar. Ele teve interesse, é boa pessoa. Depois liguei para ele: “Olavo, você conhecia o Vélez de onde?”. “Ah, de publicações.” “Pô, Olavo, você namorou pela internet?”, disse a ele. Depois, tive de dar uma radicalizada. Em conversas aqui com os meus ministros, chegamos à conclusão de que era preciso trocar, não se pode ter pena, e trocamos."

Lula - "Costumo dizer muitas vezes: se você está comendo coisa não muito boa e passa a comer uma coisa boa, legal. Mas, quando você está comendo bem e volta a comer uma coisa ruim, você sente. Ele saiu de uma situação de líder para a de um cara preso, condenado por corrupção. Apesar disso, não tenho nenhuma compaixão em relação a ele. Ele estava trabalhando para roubar também a nossa liberdade."

PSL -  "É um partido que foi criado, na verdade, em março do ano passado e buscava pessoas, num trabalho hercúleo no Brasil. Então nós fomos pegando qualquer um: “Quebra o galho, vem você, cara, vamos embora”. E tem muita gente que entrou e acabou se elegendo com a estratégia que eu adotei na internet."

Laranjas - "Veja o caso do ministro Marcelo Álvaro Antônio [Turismo, pivô do escândalo], investigado por irregularidades eleitorais. Eu tenho um compromisso com o Moro. Tem de ter algo de concreto. Só em cima de denúncias fica complicado. Ele nem é réu ainda, não foi denunciado. Deixa apurar um pouquinho mais." 

Reforma política e reeleição - "Se a gente fizer uma boa reforma política eu topo ir para o sacrifício e não disputar a reeleição. Porque um dos grandes problemas do Brasil na política é a reeleição. O cara chega ao final do primeiro mandato dele, ou ele quer continuar no poder, que lhe deu fama e prestígio, ou ele quer continuar porque se o outro, o adversário, assumir vai levantar os esqueletos que ele tem no armário. Existe isso no Brasil." 

"Então o meu caso é o seguinte: com uma boa reforma política, que diminuiria o número de parlamentares de 500 para 400, entre outras coisas mais, eu toparia entrar nesse bolo aí de não disputar a eleição."

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