Lula está apaixonado e vai se casar, afirma ex-ministro

Segundo Bresser Pereira, primeiro projeto de Lula ao sair da prisão é viver com a namorada

Cristina Camargo Wálter Nunes
São Paulo

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira afirmou neste sábado (18), em uma postagem em uma rede social, que o ex-presidente Lula está apaixonado e vai se casar assim que sair da prisão.

A previsão dos advogados do petista é que ele deixe o regime fechado ainda neste ano, após ter a sua pena no caso do tríplex de Guarujá reduzida em abril pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A decisão, tomada por unanimidade por quatro ministros, manteve a condenação do petista, mas baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

Com isso, a partir de setembro, abre-se a possibilidade de pedir a progressão para o regime semiaberto.

​Bresser visitou Lula na última quinta-feira, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde o ex-presidente está preso desde abril do ano passado.

“Ele está em ótima forma física e psíquica”, escreveu Bresser. Segundo o ex-ministro, a grande preocupação do petista no momento é “ter reconhecida sua inocência”.

Logo após escrever sobre as apreensões do ex-presidente, Bresser tratou sobre a vida pessoal do ex-presidente. “Está apaixonado e seu primeiro projeto ao sair da prisão é se casar”, disse.

A namorada de Lula é a socióloga Rosângela da Silva, que visita o petista com frequência na cela da PF e tem por vol ta de 40 anos. O ex-presidente tem 73. O nome dela foi revelado pelo jornalista Guilherme Amado, colunista da revista Época, e confirmado pela Folha

Segundo perfil dela em uma rede social, ela atua desde na Itaipu Binacional, em Curitiba, com foco em projetos de sustentabilidade, e já teve passagem pelo setor de comunicação da Eletrobras, no Rio.

 
A socióloga Rosângela da Silva - Reprodução / Facebook

Lula é viúvo há pouco mais de dois anos. A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos.

Em entrevista concedida à Folha, em abril, o ex-presidente chegou a dizer que adoraria estar em casa com sua mulher, filhos, netos e companheiros.

Na visita, Bresser deu ao ex-presidente o seu livro “A Construção Política do Brasil”, onde afirma que ele fez um belo governo, mas errou ao deixar o juro alto e o câmbio apreciado.

O petista foi condenado em primeira e segunda instância no caso do tríplex e, em primeira instância, no caso do sítio de Atibaia (SP). Neste último caso, a condenação precisa ser confirmada em segundo grau, pelo TRF da 4ª Região, para que Lula também passe a cumprir pena —isso deve ocorrer nos próximos meses.

Além disso, o ex-presidente está prestes a ser sentenciado em uma terceira ação penal em Curitiba, também na Lava Jato. Esse processo trata da aquisição de um terreno para o Instituto Lula pela Odebrecht que, segundo a acusação, foi feita com dinheiro oriundo de propina.

Além disso, o ex-presidente virou réu cinco vezes no Distrito Federal, e só uma das ações foi concluída, com a absolvição dele, em 2018, de uma acusação de tentar obstruir a Lava Jato.

Em Curitiba há pouco mais de um ano, Lula vive isolado num espaço de 15 metros quadrados no quarto andar da Superintendência da PF.

O dormitório, antes usado por policiais em viagem, não tem grades e se resume a banheiro, armário, mesa com quatro cadeiras, esteira ergométrica e um aparelho de TV com entrada USB e que só sintoniza canais abertos.

Durante a semana, na parte da manhã, conversa com advogados. Às quintas-feiras recebe parentes, à tarde, e dois amigos, geralmente políticos.

Ele sai três vezes por semana para o banho de sol. Circula num pequeno espaço de 40 metros quadrados onde antes funcionava um fumódromo, no terceiro andar.

Até janeiro, Lula recebia líderes religiosos, mas a juíza Carolina Lebbos proibiu esses encontros, apesar de a Lei de Execução Penal prever o direito à assistência religiosa. No lugar haveria uma consulta com um capelão da própria PF, mas isso não aconteceu.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.