Em nova denúncia, Lava Jato acusa Paulo Preto de lavagem de R$ 1,38 milhão no exterior

Ex-diretor da Dersa em governos tucanos foi denunciado pelo Ministério Público

Katna Baran
Curitiba

A força-tarefa Lava Jato no Paraná apresentou nova denúncia contra Paulo Vieira de Souza, conhecido por Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, empresa estatal paulista de construção e manutenção de rodovias. Ele é acusado de lavagem de dinheiro de US$ 400 mil em 2016.

Paulo Preto está preso em Curitiba (PR) desde fevereiro, quando foi deflagrada a 60º fase da operação Lava Jato. Em março, ele já foi condenado a 145 anos de prisão por fraude nas obras do Rodoanel Sul em São Paulo, acusado dos crimes de peculato, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema público.

Apontado como operador financeiro do PSDB, Preto foi diretor da Dersa entre 2005 a 2010, durante os governos de Geraldo Alckmin e José Serra. Ele também recebeu 27 anos de condenação por fraude a licitação e formação de cartel por irregularidades em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário Metropolitano de São Paulo, entre 2004 e 2015.

Segundo o Ministério Público Federal narra na nova denúncia, o ex-diretor transferiu o dinheiro de uma conta na Suíça para outra em Hong Kong, por meio de offshores e com o apoio do doleiro Wu-Yu Sheng e do operador financeiro Rodrigo Tacla Duran.

Para finalmente ter acesso a quantia no Brasil, Duran teria realizado quatro entregas do valor equivalente em reais —somando R$ 1,38 milhão— a Paulo Preto, entre maio em junho de 2016. De acordo com a denúncia, entre as provas do crime estão registro do celular do ex-diretor, em que constaria “Grude – OK Rui Rei”, sendo “Rui Rei” um dos codinomes utilizados por Duran.

O apelido foi admitido por ele mesmo, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da JBS. Também foram utilizadas como provas da denúncia as declarações dos delatores Fernando Migliaccio e Marco Bilinski, ex-executivos da empreiteira Odebrecht.

Na denúncia, o MPF pediu a decretação de nova prisão cautelar do ex-diretor. Os procuradores receberam informações e provas via cooperação internacional atestando que, enquanto estava solto, Paulo Preto continuou movimentando dinheiro a partir de uma conta aberta nas Bahamas, para onde teriam sido enviados cerca de US$ 34 milhões no início de 2017. Ele teria feito ao menos ao menos sete transferências até 2019, somando US$ 5 milhões.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do ex-diretor.

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