Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro atropela Polícia Federal e anuncia troca de superintendente no Rio

PF no Rio passa por momento delicado após o surgimento do caso Queiroz

Talita Fernandes Camila Mattoso
Brasília

A Polícia Federal vai trocar o comando da superintendência no Rio de Janeiro. A mudança já estava sendo discutida na cúpula da PF, mas a corporação foi pega de surpresa pelo anúncio feito na manhã desta quinta-feira (15) pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no TST, em Brasília, na terça (13)
O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia no TST, em Brasília, na terça (13) - Pedro Ladeira/Folhapress

Ele chegou a citar entre os motivos da substituição questões de "gestão e produtividade", mas foi rebatido por nota oficial da própria instituição, que negou problemas de desempenho da chefia.

A substituição vinha sendo planejada para as próximas semanas. A manifestação do presidente, porém, causou desconforto. Bolsonaro deu a entender que foi ele o responsável pela decisão da troca.  

Internamente, no entanto, a cúpula da PF descarta que tenha havido qualquer interferência. 

Ricardo Saadi, atual chefe, será substituído por Carlos Henrique Oliveira, nome escolhido pelo diretor-geral da Policia Federal, Maurício Valeixo. Carlos Henrique é homem de confiança de Valeixo e já tinha sido promovido neste ano, quando virou superintendente de Pernambuco. 

“Todos os ministérios são passíveis de mudança. Vou mudar, por exemplo, o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Motivos? Gestão e produtividade”, afirmou Bolsonaro.

A escolha de superintendentes, historicamente, é feita pelo diretor-geral da Polícia Federal, sem ingerência de ministros ou do próprio presidente. Por isso, o anúncio feito por Bolsonaro é atípico. 

A PF do Rio passa por momento delicado, especialmente após o caso Fabrício Queiroz, PM aposentado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele é pivô da investigação do Ministério Público do Rio que atingiu o senador e primogênito do presidente

A apuração começou após um relatório do governo federal ter apontado a movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Esse caso especificamente não está com a PF, mas há investigações que podem envolver os mesmos personagens.

 

Em nota, a instituição negou que a troca de comando no Rio ocorra por problemas de desempenho da chefia.

"A Polícia Federal informa que a troca da autoridade máxima do órgão no estado já estava sendo planejada há alguns meses e o motivo da providência é o desejo manifestado, pelo próprio policial, de vir trabalhar em Brasília, não guardando qualquer relação com o desempenho do atual ocupante do cargo", disse a PF no comunicado.

Na nota, ela afirmou que "a substituição de superintendentes regionais é normal em um cenário de novo governo". "De janeiro para cá, a PF já promoveu a troca de 11 superintendentes", afirmou.

Esta foi a segunda vez que a Polícia Federal se manifestou para negar ou esclarecer alguma declaração do governo.

Na primeira, no fim de julho, o órgão publicou uma nota oficial desmentindo a possibilidade de destruição do material encontrado com um suspeito de ter hackeado autoridades da Lava Jato.

Na época, a PF afirmou que caberia à Justiça, "em momento oportuno, definir o destino do material", contradizendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, que ligou para pessoas públicas avisando que o material seria destruído.

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