Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro sobre Moro: 'Eu sou técnico de um time de futebol, ele é um jogador'

Isolado, ministro da Justiça ganha afago do presidente, em meio a desgaste no Congresso, no STF e também no Planalto

Talita Fernandes Ricardo Della Coletta
Brasília

Para amenizar o desgaste do ministro Sergio Moro (Justiça), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez afagos ao ex-juiz nesta sexta-feira (9) e comparou a relação entre eles a de um time de futebol. 

"Em grande parte, eu me aconselho com ele [Moro]. Eu sou técnico de um time de futebol, ele é um jogador. Então jogador conversa comigo, dá sugestão", disse Bolsonaro, ao afirmar que consulta Moro, além de outros ministros, no processo de escolha do novo procurador-geral da República. 

Bolsonaro disse que a escolha do futuro chefe do Ministério Público Federal deve ocorrer apenas na sexta-feira (16) e brincou que existem "80 no páreo".

A declaração foi feita pelo presidente ao deixar o Palácio da Alvorada, acompanhado do ministro. 

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro, em Brasília (DF)
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sergio Moro, em Brasília (DF) - André Coelho/Folhapress

Bolsonaro e Moro tiveram nesta sexta-feira um breve encontro na residência oficial da Presidência da República, dez minutos antes de saírem juntos para um evento no Clube do Exército. A reunião não estava prevista nas agendas. 

O afago a Moro ocorre um dia após Bolsonaro ter dado alfinetadas no titular da Justiça

Na quinta (8), o presidente disse que apesar de ser da Justiça, Moro "não julga mais ninguém" e recomendou ao auxiliar "paciência" na aprovação do pacote anticrime no Congresso. Na ocasião, Bolsonaro indicou que a prioridade era o avanço de medidas econômicas.

Nos bastidores de Brasília, integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se queixam do estilo de Moro de agir. Eles o definem como arrogante e individualista. 

Isso levou com que o ministro da Justiça amargasse uma série de derrotas tanto no Congresso, com o pacote anticrime, quanto no STF, em especial no caso da apuração dos hackers e da transferência do ex-presidente Lula de Curitiba para São Paulo. 

"Um ministro na situação do Moro, no meu entendimento, ele veio para o governo com um propósito e ele quer ver suas propostas aprovadas. Ele tem consciência de que depende não apenas dele, depende do Parlamento. Então a paciência que eu peço para ele e ele pede para mim, que é muito comum, quantas vezes ele me conteve, isso faz parte do nosso dia a dia", disse Bolsonaro.

Questionados sobre o motivo do encontro entre eles, Bolsonaro disse que convidou o ministro para ir a um evento dos novos oficiais generais. 

Já Moro, brincou que o café da manhã do Alvorada é melhor do que o do Ministério da Justiça. 

Já na cerimônia no evento no Clube do Exército, o presidente fez novos acenos ao seu auxiliar. 

"Quero fazer um elogio público aqui ao nosso ministro Sergio Moro, um homem que teve a coragem, a galhardia e a vontade de fazer cumprir a lei. Fazer com que as entranhas do poder fossem colocadas à vista de todos no passado e também no presente. Uma pessoa a quem também devemos em grande parte a situação que o Brasil se encontra, ao lado da democracia e da liberdade. Obrigado Sergio Moro", disse em discurso.

Ao sair do Alvorada, o ministro da Justiça minimizou as críticas à votação de seu projeto e disse que, desde sempre, a Previdência foi uma prioridade para o governo. 

"A reforma da Previdência sempre teve prioridade porque existe uma necessidade de alavancar a economia. Superada a votação na Câmara, não existe nenhum óbice para discutir o projeto anticrime dentro da Câmara. É um  projeto importante, é um projeto do governo Bolsonaro", disse.

Moro aproveitou a fala para também fazer afagos ao presidente. 

"Não seria possível esse projeto se não fosse a eleição do presidente. Se tivesse tido outro resultado da eleição, provavelmente a gente estaria discutindo anistia criminosa. Estamos discutindo um projeto que fortalece o combate ao crime e esse projeto foi muito discutido com o presidente, tem a aprovação do governo."

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