Deputado Boca Aberta é acusado de cuspir, xingar e agredir oficial de Justiça

Parlamentar do PROS-PR, que tem histórico de polêmicas, nega episódio; funcionário registrou queixa ao intimá-lo sobre outra briga

Curitiba

O deputado federal Emerson Petriv (PROS-PR), conhecido como Boca Aberta, foi acusado de cuspir, xingar e agredir um oficial de Justiça na manhã desta quarta-feira (20), em Londrina, norte do Paraná, seu reduto eleitoral.

O oficial registrou boletim de ocorrência e certificou a situação também no processo em que atuava. O parlamentar nega as acusações. 

Adelino Corrêa afirma que foi até a casa do deputado para lhe entregar uma intimação. Inicialmente, Pretiv teria se negado a recebê-la.

O funcionário diz que, ao se dirigir ao veículo, passou a ser alvo de xingamentos. O deputado, então, teria partido para agressões físicas. Após empurrar o oficial contra o carro, o parlamentar, segundo Corrêa, rasgou o mandado judicial e cuspiu em seu rosto.

“Certifico que, embora sentindo muitas dores pelas agressões praticadas pelo réu, imediatamente deixou o local evitando ser linchado”, escreveu o oficial na certidão.

O deputado Emerson Petriv, conhecido como Boca Aberta (PROS-PR)
O deputado Emerson Petriv, conhecido como Boca Aberta (PROS-PR) - Pedro Ladeira - 2.jul.19/Folhapress

No boletim de ocorrência policial, os crimes apontados foram de injúria e desacato.

A intimação convocava o parlamentar para comparecer a uma audiência no processo que apura agressões entre Boca Aberta e Amauri Cardoso (PSDB), vereador em Londrina.

A confusão ocorreu em março deste ano. Ambos alegam terem saído feridos da briga após Cardoso ter citado o nome de Petriv numa moção de repúdio em um evento na cidade.

Em nota, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná afirmou que “condena e repudia veementemente essa prática e comportamento violento”. Na nota, conclama a categoria a “não aceitar ofensas” e também a denunciar, “para que as providências jurídicas sejam adotadas conforme a lei”.

Procurado, o deputado Boca Aberta negou as acusações e afirmou que nem sequer foi encontrado pelo oficial de Justiça, que teria ido até a casa do irmão do parlamentar. “Ele tem uma pendência antiga comigo porque faz parte de um grupo político adversário na cidade”, disse.

O deputado afirmou ainda que nesta quinta-feira (21) vai registrar boletim de ocorrência contra o funcionário da Justiça, por comunicação falsa de crime e calúnia.

O deputado Boca Aberta entrega troféu a Sergio Moro durante depoimento do ministro à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados
O deputado Boca Aberta entrega troféu a Sergio Moro durante depoimento do ministro à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados - Pedro Ladeira - 2.jul.19/Folhapress

Boca Aberta está em seu primeiro ano como deputado federal. Antes, foi vereador em Londrina, mas teve o mandato cassado em outubro de 2017 por quebra de decoro parlamentar por fazer uma "vaquinha" virtual para pagar uma multa eleitoral de R$ 8.000.

Na Câmara Municipal, ele acumulou outras polêmicas, como brigas com ao menos dois colegas.

Em agosto, o conselho de ética da Câmara dos Deputados aprovou parecer preliminar pela abertura de processo contra o deputado.

Para denunciar possível falta de atendimento num posto de saúde de Londrina, ele teria entrado em ambiente hospitalar “sem autorização, desrespeitando funcionários, causando desordem e expondo pessoas em rede social”.

Boca Aberta ficou conhecido por andar por Londrina com uma bicicleta elétrica com uma caixa de som acoplada, apelidada de Grace Kelly, em que falava dos problemas da cidade e dos políticos. Quando tomou posse da Câmara, o deputado desfilou com a bicicleta por Brasília.

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