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Divergência na avaliação de Bolsonaro se acentua entre pobres e ricos, diz Datafolha

Insatisfação com governo cresceu entre aqueles que recebem até dois salários mínimos

Brasília

As diferenças na avaliação do governo de acordo com a faixa de renda se acentuaram ao longo do primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro (sem partido). O índice de aprovação ao presidente entre os mais pobres é apenas metade da taxa observada entre os mais ricos.

Uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha mostra uma distância considerável nesses grupos. Entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos por mês, apenas 22% dizem que o governo tem um desempenho ótimo ou bom.

Esse índice é de 35% na faixa de renda seguinte, de dois a cinco salários mínimos. Nos dois segmentos de renda mais alta (cinco a dez salários e mais de dez salários), 44% dos entrevistados aprovam o governo Bolsonaro.

O contraste já foi levemente menor. No início de abril, quando o Datafolha mediu a popularidade do presidente, a taxa de aprovação era de 26% no grupo mais pobre.

A ampliação dessa divergência é mais visível quando se mede a avaliação negativa do governo. Nos últimos oito meses, o percentual de entrevistados de baixa renda que consideram a gestão do presidente ruim ou péssima subiu nove pontos, chegando a 43% na pesquisa de dezembro.

A desaprovação é bem menor nos demais segmentos de renda: 31% nos grupos que ganham de dois a cinco e de cinco a dez salários mínimos, e 28% no topo da pirâmide, com renda superior a dez salários mínimos.

Os dados indicam que, embora seja mais rejeitado entre os mais pobres, Bolsonaro consolida apoio tanto na população mais rica, que foi a primeira impulsionadora de sua campanha presidencial em 2018, quanto numa parcela das faixas econômicas intermediárias.

Nesses dois últimos grupos, houve pouca variação nos índices de popularidade do presidente entre abril e dezembro, o que sugere que estão ali as principais trincheiras da base política de Bolsonaro —o que inclui ao menos uma parte do que se costuma chamar de classe média.

O quadro aponta, por outro lado, que os brasileiros mais pobres ampliaram sua insatisfação com o governo. A faixa da população com renda inferior a dois salários mínimos é volumosa e, nos últimos 15 anos, demonstrou identificação eleitoral com o PT e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal rival político de Bolsonaro.

O perfil dos entrevistados reflete a composição da população brasileira. Entre os participantes da pesquisa, 44% têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos. A faixa intermediária (de dois a cinco salários) também é ampla, com 40% dos entrevistados.

Só 9% recebem de cinco a dez salários e outros 3% têm renda superior a dez salários mínimos. Aí estão os melhores índices de popularidade de Bolsonaro, mas os estratos têm baixo peso quantitativo na composição do eleitorado. Os bons percentuais, portanto, não se projetam de maneira significativa para o total da amostra.

O Datafolha entrevistou 2.948 pessoas em 176 municípios do país na quinta (5) e sexta-feira (6) da última semana. As entrevistas foram feitas pessoalmente, em locais de grande circulação.

O levantamento mostra que a avaliação do desempenho de Bolsonaro na economia também é mais positiva entre os mais ricos do que nas camadas mais pobres da população. O abismo entre esses grupos é bem maior nesse quesito do que na aprovação ao governo de modo geral.

No grupo de baixa renda, só 18% acham que o governo está fazendo um trabalho ótimo ou bom na economia. Esse número sobe para 28% na faixa de dois a cinco salários mínimos. No segmento seguinte, a taxa de aprovação é de 39% e, entre os mais ricos, de 47%.

Os números da atividade econômica apontam para uma recuperação desde o início do governo, embora os índices de desemprego permaneçam altos. Houve criação de novos postos de trabalho, mas nas regiões mais pobres do país a maioria dos empregados ocupa vagas informais, sem carteira assinada.

As divergências entre as classes de renda também são evidentes em outros pontos de percepção sobre o trabalho de Bolsonaro.

Quase metade —49%— dos brasileiros mais pobres afirma nunca confiar nas declarações do presidente. Essa taxa é menor nas demais camadas da população.

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