Marta se filia ao Solidariedade e fala em exercer qualquer papel nas eleições em SP

Ex-prefeita, que já passou pelo PT e MDB, buscou ser vice em chapa petista e propõe frente ampla da esquerda

São Paulo

A ex-prefeita de São Paulo e ex-senadora Marta Suplicy se filiou ao Solidariedade nesta quinta-feira (2).

A filiação a um partido até 4 de abril, segundo as regras da Justiça Eleitoral, era o primeiro passo para que Marta pudesse concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano.

Em nota, a ex-prefeita fala em frente ampla para disputar as eleições de 2020, mas não deixa claro se será candidata —afirma que pode exercer qualquer papel. ​Marta, que já foi do PT, estava sem partido desde que deixou o MDB, em agosto de 2018.

Caso ela decida ser candidata, o Solidariedade deve formalizar a candidatura em convenção, a ser realizada entre 20 de julho e 5 de agosto. O prazo para registro da candidatura é 15 de agosto. Apesar da pandemia de coronavírus, o calendário eleitoral está mantido até agora.

A ex-prefeita Marta Suplicy - Zanone Fraissat/Folhapress

"Filiei-me ao Solidariedade com a perspectiva de continuar lutando pela construção de uma frente ampla para disputar as eleições de 2020 que poderá governar a cidade de São Paulo com força política, competência e compromisso social. Nesta arquitetura de unidade democrática posso exercer qualquer papel. Pretensão pessoal não é o que me move neste momento", diz Marta.

A ex-prefeita já vinha se movendo em busca de formar uma frente de defesa da democracia em oposição à direita representada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na nota divulgada nesta quinta, ela prega unidade "das forças liberais, de centro, progressistas, todas democráticas".

Nesse sentido, Marta buscou costurar uma chapa com o PT. Seus planos, no entanto, se frustraram. A ex-prefeita queria ser vice do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que não topou concorrer neste ano apesar de toda a pressão que sofreu no partido.

Petistas têm dúvidas se Marta aceita ser vice de outro nome que não seja Haddad. O PT cancelou as prévias devido à pandemia de coronavírus, mas definiu que irá escolher o candidato em São Paulo até o fim de abril.

Concorrem ao posto o ex-deputado Jilmar Tatto, os deputados Alexandre Padilha, Carlos Zarattini e Paulo Teixeira, o vereador Eduardo Suplicy, o ex-vereador Nabil Bonduki, e a militante do movimento negro Kika da Silva.

Outro obstáculo para Marta foi encontrar uma legenda que topasse a dobradinha com o PT. Ela chegou a conversar com PDT e Rede, mas as siglas estavam dispostas a lançá-la prefeita e não a vice. Os caciques Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) não foram simpáticos à ideia de uma chapa petista.

Já no Solidariedade Marta teria o aval para eventualmente compor a chapa do PT.

Outra opção considerada, o retorno de Marta ao PT também não se viabilizou, embora parte do partido defendesse isso. Ao deixar o PT, em 2015, a ex-prefeita atacou a sigla e disse que não "tem como conviver com corrupção". No MDB, votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Na nota, ao pregar união do campo político da esquerda, Marta fala em "graves riscos de ordem institucional, econômica" e em "equívocos e irresponsabilidades de vários governantes".

"Está colocado o desafio de abandonar o oportunismo eleitoral e nos centrarmos no que nos une. [...] A unidade democrática e progressista poderá ser o instrumento para São Paulo dar um basta ao escandaloso e equivocado desmonte das políticas públicas populares. Só assim o Brasil poderá abrir caminhos para reencontrar-se e acordar do terrível pesadelo em que se encontra", diz.

Ela também critica "ações de isolamento desta ou daquela força politica do mesmo campo democrático". "Fora de hora e equivocados estão os que insistem, também de forma irresponsável, no debate de disputas internas partidárias voltadas para o próprio umbigo", completa.

Uma ampla frente de esquerda ainda não é realidade nas capitais. O PT discute alianças com o PSOL em torno de Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, e com o PC do B em torno de Manuela D'Ávilla, em Porto Alegre.

No entanto, enquanto o PT pede apoio desses partidos em São Paulo em troca, as duas siglas pretendem lançar nome próprio na capital paulista.

Ao mesmo tempo, se constrói uma outra frente de esquerda alternativa ao PT, com PDT e PSB —e possivelmente a adesão de Rede e PV. Os partidos já se acertaram em São Paulo, com o lançamento de Márcio França (PSB) e miram a parceria em outras capitais.

Em campo políticos diversos, no centro e na direita, os nomes colocados para a disputa na capital paulista são o do atual prefeito Bruno Covas (PSDB), Joice Hasselmann (PSL), Andrea Matarazzo (PSD), Arthur do Val (Patriota) e Filipe Sabará (Novo).

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