Apoiadores de Bolsonaro fazem ato pró-intervenção, e opositores usam cruzes para criticar governo

Entre os apoiadores estava um professor investigado por incentivar atos antidemocráticos

Brasília e São Paulo

Com faixas pedindo intervenção militar, um pequeno grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro promoveu neste domingo (28) uma manifestação em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.

Cerca de 100 pessoas se concentraram no Setor Militar Urbano, a 8 km da Esplanada dos Ministérios.

Atos com ataques a outros Poderes e em defesa do governo têm ocorrido aos domingos em Brasília desde 15 de março —o deste domingo foi onde Bolsonaro esteve em 19 de abril.

No início da manhã, houve também um protesto antigoverno, simbólico e silencioso, no gramado da Esplanada com mil cruzes em homenagem aos mortos pelo coronavírus, organizado por um grupo de esquerda chamado Resistência e Ação.

Um dos líderes do movimento a favor de Bolsonaro foi o professor e youtuber Emerson Teixeira, investigado no inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre atos antidemocráticos, tendo sido alvo de busca e apreensão em operação da Polícia Federal. ​

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro seguram cartazes a favor da intervenção militar e com foto do presidente
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em ato em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

Os manifestantes ostentavam faixas defendendo intervenção militar, com "Bolsonaro no poder", além da criminalização do comunismo e de uma nova Constituição. Além da aglomeração, muitos não usavam máscara de proteção, item obrigatório por meio de decreto no Distrito Federal sobre o combate ao coronavírus.

Com um megafone, Emerson Teixeira criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito dos atos antidemocráticos, e pediu a liberação do blogueiro Oswaldo Eustáquio, preso na última semana pela Polícia Federal.

Em seguida, alguns manifestantes seguiram para a Praça dos Três Poderes, onde estenderam no chão uma faixa chamando os ministros do STF de “ditadores”.

No ato não havia menções ao grupo armado de extrema direita 300 do Brasil, investigado no Supremo. Integrantes do grupo, entre eles a líder Sara Winter, foram presos e liberados recentemente mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

Dezenas de cruzes fincadas no gramado da espanada dos ministérios. Uma manifestante vestida de preto está no meio da imagem
Grupos de esquerda fazem ato simbólico contra o governo Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios - Pedro Ladeira/Folhapress

Em São Paulo, cerca de 40 pessoas se aglomeraram em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo para pedir o impeachment do governador João Doria (PSDB).

Bandeiras do Brasil, dos EUA, de Israel e faixas, camisetas e cartazes em apoio a Jair Bolsonaro estavam em alta entre os manifestantes, a maioria sem máscaras de prevenção ao coronavírus.

Em um pequeno carro de som, o locutor fazia ataques à China e ao que chamada de “Judiciário comunista” e “imprensa esquerdista”.

Em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na avenida Paulista, distante 4 km da Assembleia Legislativa, houve novo protesto contra o governo Bolsonaro, compartimentado em dois grupos.

Manifestantes ligados a torcidas organizadas de times de futebol não queriam faixas de partidos políticos, por isso eles se separaram.

O grupo liderado pelo PCO (Partido da Causa Operária) ficou em uma ponta do Masp, e os torcedores e integrantes de movimentos sociais se aglomeraram no polo oposto.

O protesto do PCO tinha faixa evocando uma "revolução" contra o governo Bolsonaro.

Antonio Carlos Silva, membro da executiva nacional do PCO, disse que a divisão foi pontual, mas que não há um racha. “É que uns setores ligados à frente ampla que não querem o ‘fora Bolsonaro’ tentaram impor uma política de que não houvesse faixas e bandeiras da esquerda, o que nós achamos um absurdo. Houve uma diferença, mas estivemos juntos na manifestação. Aos poucos isso vai se esclarecendo”, disse.

No protesto contra o governo, a maioria dos manifestantes usava máscara de proteção, mas não foi respeitada a orientação para o distanciamento social.

Manifestação contra o governo Bolsonaro em frente ao Masp, na avenida Paulista.
Manifestação contra o governo Bolsonaro em frente ao Masp, na avenida Paulista. - Eduardo Knapp 28.jun.2020 /Folhapress

O apoio do brasileiro à democracia cresceu em meio ao agravamento da crise política do governo Jair Bolsonaro e atingiu o maior índice da série histórica do Datafolha.

Segundo pesquisa divulgada neste fim de semana, 75% dos entrevistados consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões.

O apoio atual à democracia é o maior desde 1989, quando o Datafolha começou a aferir o dado.

O fechamento do Congresso é rejeitado por 78% (59% totalmente), enquanto 18% aceitam a ideia (11% totalmente). Já o do Supremo foi descartado por 75% (56% totalmente) e apoiado por 20% (14% totalmente).​

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