Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Com pressão na Saúde, Bolsonaro diz que Pazuello é 'predestinado' e motivo de orgulho para Exército

Presidente defende general que comanda pasta de forma interina e rebate críticas de militarização excessiva

Brasília

Diante do aumento da pressão do Exército para tentar se dissociar da gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro divulgou uma mensagem em que defende o general e rebate as críticas de que existe uma militarização excessiva da pasta.

Segundo Bolsonaro, Pazuello é um "predestinado" e motivo de orgulho para o Exército.

O texto do presidente foi publicado em meio à crise aberta com as declarações do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para quem o Exército, ao ocupar postos-chave na Saúde em meio à pandemia do coronavírus, está se associando a um genocídio.

"Quis o destino que o general Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. Com 5.500 servidores no ministério, general levou consigo apenas 15 militares para a pasta. Grupo esse que já o acompanhava desde antes das Olimpíadas do Rio", afirmou Bolsonaro. O ministério tem ao menos 24 militares, sendo 15 da ativa.

"Pazuello é um predestinado, nos momentos difíceis sempre está no lugar certo para melhor servir a sua pátria. O nosso Exército se orgulha desse nobre soldado", completou o presidente em suas redes sociais.

A fala de Gilmar associando o Exército a um genocídio ocorreu no fim de semana e causou irritação na cúpula militar, incomodada ao ver respingar em suas fardas as críticas do ministro do STF.

Pazuello está como ministro interino desde que Nelson Teich pediu demissão do cargo, em 15 de maio.

O Ministério da Defesa rebateu as declarações de Gilmar e, em nota co-assinada pelos comandantes das três Forças, falou em "acusação grave", "infundada, irresponsável e sobretudo leviana". A pasta também entrou com uma representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Gilmar.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, por sua vez, cobrou uma retratação do ministro do STF.

Apesar do clima público de confrontação, Bolsonaro instruiu Pazuello a buscar um diálogo com o magistrado, na tentativa de reduzir a temperatura da crise.

Conforme antecipou a colunista da Folha Mônica Bergamo, o ministro interino da Saúde falou por telefone com Gilmar nesta terça (14), explicou as medidas que estão sendo tomadas no combate à pandemia e tratou das dificuldades que têm enfrentado.

A avaliação para apaziguar os ânimos é compartilhada no Ministério da Defesa. O diagnóstico na pasta é que as manifestações de repúdio foram necessárias principalmente pelo uso da palavra genocídio —que é um crime—, mas que as respostas foram contundentes e marcaram a posição das Forças.

Na publicação desta terça nas redes sociais, Bolsonaro também fez um resumo do currículo de Pazuello.
Disse que o general tem mais de 40 anos de experiência em logística e administração e que, nos Jogos Olímpicos de 2016, Pazuello e "sua pequena equipe foram convocados para a gestão da Logística Olímpica e Financeira na parte de Segurança e Defesa".

"A competição foi um sucesso e elogiada no mundo todo", afirmou o presidente.

Bolsonaro também destacou que, entre 2018 e 2020, Pazuello esteve à frente da Operação Acolhida, que dá apoio para venezuelanos que cruzam a fronteira com o Brasil em Roraima, fugindo da crise política e econômica que assola aquele país.

As críticas de Gilmar Mendes jogaram mais combustível no grupo de oficiais que se incomodam com a presença de um general da ativa no comando do Ministério da Saúde —ainda mais num momento de crise sanitária, em que o país soma mais de 1,9 milhão de casos confirmados de coronavírus e 74 mil mortes pela doença.

Essa ala renovou as pressões para que Pazuello deixe o comando da pasta ou se transfira para a reserva como forma de dissociar a imagem dos fardados do governo Bolsonaro.

Pazuello indicou a aliados, porém, que não pretende antecipar sua ida para a reserva e que o presidente tem duas janelas no calendário da pandemia de Covid-19 para empossar um titular na pasta. A primeira, no fim deste mês. A segunda, em setembro.

Segundo relataram interlocutores à Folha, Bolsonaro pretende indicar um titular para o ministério da Saúde, mas ainda não sinalizou quando planeja efetuar o movimento.

Apesar de o Brasil ter se consolidado como um epicentro do coronavírus no mundo, Bolsonaro indicou a aliados que está satisfeito com o trabalho de Pazuello, que não vê problemas em seguir as diretrizes do Planalto no combate à pandemia e que tem um perfil bem mais discreto do que seus antecessores: Teich e, principalmente, o ex-deputado Luiz Henrique Mandetta.

Aliados de Bolsonaro destacam também que o presidente ainda não incumbiu auxiliares de buscarem um nome técnico para a Saúde, em mais um indício de que ele está satisfeito com o trabalho de Pazuello.

Na terça (14), ao demandar um pedido de desculpas de Gilmar, o vice-presidente Mourão disse entender que a eventual nomeação de um titular para o Ministério da Saúde deveria ocorrer após o arrefecimento da crise da Covid-19. "Não acho que é o momento agora. Espera a pandemia arrefecer e aí troca", afirmou, em entrevista à CNN Brasil.

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