Exame de Bolsonaro para Covid-19 tem novo resultado positivo, diz Presidência

Teste deve frustrar planos do presidente de sair do isolamento no Palácio da Alvorada

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro teve mais um teste com resultado positivo para o coronavírus, informou nesta quarta-feira (22) o Palácio do Planalto.

O terceiro teste realizado pelo presidente desde que contraiu a doença no início do mês ainda detectou a presença do vírus, o que deve frustrar os planos de Bolsonaro de sair do isolamento ao qual tem se submetido no Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência.

"O presidente Jair Bolsonaro segue em boa evolução de saúde, sendo acompanhado pela equipe médica da Presidência da República. O teste realizado pelo presidente no dia de ontem, 21, apresentou resultado positivo", disse o Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta e conversa com apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada após ter testado positivo novamente para o Covid-19. Ele veio ao jardim acompanhar a cerimônia de arriamento da bandeira, um hábito que tem mantido desde a última semana e que tem juntado apoiadores - Pedro Ladeira/Folhapress

Desde que anunciou ter sido contaminado, em 7 de julho, Bolsonaro tem realizado agendas oficiais por videoconferência. Ele afirma só se reunir pessoalmente com auxiliares que já tiveram o coronavírus.

Nos últimos dias, no entanto, ele adquiriu o hábito de caminhar até a entrada do Palácio da Alvorada no final das tardes para acompanhar o arriamento da bandeira. Mesmo permanecendo separado do público por um espelho d'água, ele causa aglomeração de apoiadores no local.

Bolsonaro costuma transmitir essas interações com seus simpatizantes nas redes sociais.

No dia 15 de julho, Bolsonaro revelou que seu segundo exame ainda havia identificado a Covid-19 em seu organismo —ele só deve voltar ao trabalho após testes clínicos indicarem que ele não tem mais o vírus.

Na terça (21), na conversa com apoiadores em frente do Alvorada, o presidente disse por exemplo que gostaria de realizar uma viagem ainda nesta semana para o Piauí caso seu novo exame atestasse a sua recuperação do coronavírus.

Desde o início da crise mundial do coronavírus, Bolsonaro tem dado declarações nas quais busca minimizar os impactos da pandemia e, ao mesmo, tratar como exageradas algumas medidas tomadas no exterior e por governadores de estado no país.

Ele também provocou aglomerações, muitas vezes sem uso de máscara recomendada para evitar o contágio da Covid-19.

Bolsonaro tem divulgado que se tratou da Covid-19 com a hidroxicloroquina, medicamento sem efeito comprovado para a doença e com efeitos colaterais associados a seu uso.

No domingo (19), em frente a um grupo de apoiadores, ele tirou do bolso uma caixa do remédio e acenou com ela para o público.

Nesta semana, os ministros Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Milton Ribeiro (Educação) também anunciaram que seus exames deram positivo para a Covid-19.

Além dele, os ministros Augusto Heleno (Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia) também tiveram diagnósticos positivos, pouco depois de voltarem de uma viagem presidencial aos Estados Unidos em que outros auxiliares de Bolsonaro também retornaram infectados.

A exemplo de seu chefe, Lorenzoni também disse no Twitter que está se medicando com um coquetel que inclui a cloroquina.

Antes do teste que confirmou a Covid-19, Bolsonaro teve três resultados negativos em exames para o novo coronavírus, segundo laudos entregues pela AGU (Advocacia-Geral da União) à Justiça.

Os testes foram realizados nos dias 12, 17 e 18 de março e entregues ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, relator da ação em que o jornal O Estado de S. Paulo pedia para o magistrado obrigar o presidente a divulgar os exames.

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