Jornalista bolsonarista preso nega ter incentivado atos antidemocráticos

Em depoimento à PF, Oswaldo Eustáquio atribuiu ofensas contra Alexandre de Moraes a infiltrados

Brasília

O jornalista e youtuber bolsonarista Oswaldo Eustáquio Filho negou, em depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (2), que tenha participado de manifestações antidemocráticas e incentivado atos contra instituições como o STF (Supremo Tribunal Federal) e Congresso Nacional.

Interrogado na superintendência de Brasília, para onde foi transferido após ser preso em Mato Grosso do Sul, ele atribuiu a infiltrados ofensas dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito dos atos antidemocráticos no tribunal. Moraes determinou a prisão de Eustáquio na semana passada.

"[Eustáquio] afirma que as pessoas que proferiram tais falas não pertencem a nenhum movimento conhecido pelo declarante, que tais pessoas foram identificadas pelo movimentos como infiltrados; que as pessoas se referiam ao ministro do STF Alexandre de Moraes como 'cabeça de ovo', 'cabeça da minha piroca' e 'advogado do PCC'', afirmou ele, segundo um trecho do depoimento.

O blogueiro Oswaldo Eustáquio
O blogueiro Oswaldo Eustáquio - Reprodução/Instagram Oswaldo Eustáquio

Ele se referia a uma manifestação da qual participou em junho, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Esses infiltrados, segundo o jornalista, tentaram furar bloqueio da Polícia Militar nas proximidades do Congresso, em direção à Praça dos Três Poderes.

Moraes mandou prender Eustáquio Filho a pedido da Polícia Federal e com o aval da PGR (Procuradoria-Geral da República), sob a suspeita de que o apoiador de Bolsonaro estaria fugindo do país. A defesa do jornalista nega que fosse intenção dele deixar o Brasil.

À PF, ele afirmou que houve um equívoco das autoridades por ter feito mudança de residência recentemente —a casa antiga e a atual ficam em bairros nobres de Brasília.

O jornalista disse que decidiu participar de recentes manifestações "pelo Brasil, pelas instituições, pela manutenção da tripartição dos Poderes e pela intervenção popular".

A "intervenção popular" seria, segundo ele, "a utilização do direito ao voto de forma consciente e colocar no Parlamento pessoas que tenha desejo de mudar a historia da nação brasileira, para haja paz sem fim".

Ele afirmou que é amigo de Sara Giromini, conhecida como Sara Winter e líder do grupo de extrema direita 300 do Brasil, mas negou qualquer vínculo profissional com ele. Disse que mantém relação de amizade com Allan dos Santos, do site Terça Livre.

Winter e Santos são também alvos de investigações conduzidas sob a responsabilidade de Alexandre de Moraes.

Eustáquio Filho disse à PF que trabalhou como assessor de imprensa do governo de transição de Bolsonaro até 31 de janeiro de 2019. Creditou a indicação a "uma coalizão de pessoas que conheciam o seu currículo de mais de dez anos de jornalista investigativo no Paraná".

Atualmente, segundo ele, tem vínculo não formal com um jornal do Paraná e uma rádio de Goiânia (GO), para os quais produz reportagens escritas e em vídeo.

Disse também que se tornou youtuber há dois meses e meio, a partir de uma entrevista que fez com o ex-deputado Roberto Jefferson, mas que nunca recebeu dinheiro (monetização) pela atividade do seu canal no YouTube.

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