Descrição de chapéu Eleições 2020 datafolha

Com 56%, Kalil lidera em BH e pode ser reeleito no 1º turno, aponta Datafolha

Prefeito da capital mineira tem mais que o dobro da soma dos rivais; João Vítor Xavier aparece com 6%

Belo Horizonte

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), lidera com folga a disputa na capital mineira e poderia ser eleito no primeiro turno, aponta pesquisa Datafolha. Com 56% das intenções de voto, Kalil tem mais que o dobro da soma dos índices de seus rivais.

Em seguida, aparecem João Vítor Xavier (Cidadania), com 6%, Áurea Carolina (PSOL) e Bruno Engler (PRTB), com 3%.

A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha ouviu presencialmente 800 eleitores na segunda (5) e terça-feira (6).

A eleição deste ano em Belo Horizonte tem 15 candidaturas, com campos políticos mais fragmentados do que de costume.

PT e PSDB, dois partidos tradicionais na política mineira, disputam em chapas puro-sangue e aparecem distantes dos primeiros colocados.

Os petistas apostaram em Nilmário Miranda (2%), ex-ministro do governo Lula, enquanto os tucanos escolheram Luísa Barreto (0%), que deixou uma secretaria na gestão do governador Romeu Zema (Novo).

O candidado de Zema, Rodrigo Paiva, tem 2% das intenções de voto. Afirmaram que pretendem votar branco ou nulo 13% dos entrevistados, enquanto 7% não souberam responder.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, 42% não souberam responder. Kalil é citado por 37%, e Áurea por 2%. João Vítor, Paiva, Miranda e Engler, por 1% cada um.

Com 24%, o candidato do PT é o nome com maior rejeição entre os entrevistados, empatado com Cabo Xavier (PMB). Engler e João Vítor aparecem com 19%, enquanto Kalil é rejeitado por 18%

Apesar da larga vantagem, o atual prefeito diz que não despreza nenhum candidato. Eleito em 2016 pelo PHS com o slogan “Chega de político” e com outros dois partidos na coligação —PV e Rede—, Kalil disse nesta semana, na sabatina Folha/UOL, que se tornou político desde que sentou na cadeira de prefeito.

Neste ano, ele, que migrou para o PSD, tem outras sete siglas ao seu lado: MDB, DC, PP, PV, Rede, Avante e PDT.

Criticado por medidas adotadas para conter a pandemia do novo coronavírus, como o tempo em que o comércio não essencial permaneceu fechado, Kalil tem mantido agenda restrita de campanha, apenas em horário de almoço e à noite.

O prefeito não foi ao debate realizado pela Band no dia 1º de outubro, alegando fazer parte do grupo de risco para a Covid-19 —ele tem 61 anos e é fumante.

“A estratégia vai ser fazer diferente, governar a cidade até 31 de dezembro, porque eu não fui eleito até setembro, outubro, novembro. Eu fui eleito para ser prefeito até 31 de dezembro de 2020”, afirmou.

Na sua primeira eleição, há quatro anos, Kalil começou a corrida atrás do tucano João Leite, hoje deputado estadual, com 21% na pesquisa Datafolha, contra 33% do adversário. Um mês depois, já no segundo turno, ele tinha 52% e Leite 48% na sondagem. Foi eleito com 52,9% dos votos.

João Vítor Xavier avalia que a vantagem do prefeito é normal e se deve ao fato de ser mais conhecido que os adversários. Ele é deputado estadual no terceiro mandato e radialista há 20 anos da Rádio Itatiaia, uma das principais de Minas Gerais.

“Essa questão de pesquisa me importa muito pouco no momento, porque já vimos essa história repetidas vezes aqui em Minas Gerais", afirmou João Vítor na sabatina Folha/UOL. O candidato do Cidadania recebeu o apoio de outros oito partidos: DEM, PSB, PSL, PL, PTB, PSC, Podemos e PMN.​

Deputada federal mais votada em Belo Horizonte em 2018 e vereadora com maior número de votos em 2016, Áurea Carolina tentou formar uma frente ampla de esquerda para evitar a fragmentação do campo, mas não teve sucesso. Na sua coligação, a candidata do PSOL conseguiu UP e PCB e 16 segundos de televisão.

A disputa inclui ainda o deputado estadual Bruno Engler, que trocou o PSL pelo PRTB no início deste ano visando sua candidatura à prefeitura. Eleito aos 21 anos em 2018 e coordenador do Movimento Direita Minas, Engler tem divulgado que conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (eleito pelo PSL e hoje sem partido).

A chapa de Engler, porém, vive um imbróglio interno. O deputado quer como vice a policial militar reformada Coronel Cláudia e rejeita o nome registrado pelo partido, Mauro Quintão, presidente municipal do PRTB, sigla do vice-presidente, o general Hamilton Mourão.

A chapa com a candidata escolhida por Engler foi indeferida pela Justiça Eleitoral.

Na sabatina Folha/UOL, Engler afirmou que espera posição do presidente nacional da legenda, Levy Fidelix, com quem ele diz ter um acordo que lhe garantia autonomia na definição da chapa. Ele também afirmou que “é muito difícil” seguir com Quintão como vice.

“O candidato Bruno Engler mantém a posição firme e irrevogável de seguir com o nome da Coronel Cláudia Romualdo até às eleições. Enquanto houver meios jurídicos de sustentação da candidatura da Coronel Cláudia ao cargo de vice-prefeita, esforços não serão medidos pela assessoria jurídica do deputado”, disse em nota a assessoria de Engler.

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