Descrição de chapéu Eleições 2020

Sebastião Melo (MDB) derrota Manuela d'Ávila e é eleito prefeito de Porto Alegre

Emedebista defendeu na campanha um programa econômico liberal, com redução de impostos

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Porto Alegre

Sebastião Melo (MDB), 62, foi escolhido pelos porto-alegrenses para governar a capital gaúcha na próxima gestão.

Ele obteve 54,63% dos votos válidos, contra 45,37% de Manuela d’Ávila (PCdoB), que tentava ser a primeira mulher eleita como prefeita em Porto Alegre.

Após a vitória, Melo foi recepcionado pela militância no Ritter Hotel, no centro de Porto Alegre, onde concedeu entrevista à imprensa. Ele estava acompanhado pelo vice-prefeito eleito, Ricardo Gomes (DEM).

“Quando cheguei em frente à rodoviária [em frente ao hotel onde realizou coletiva] me lembrei que em 1978 desci aqui do ônibus, tinha saído de Goiás e vim vencer na vida nesta cidade”, disse Melo.

“Obrigado, Porto Alegre, vou devolver a ti em dobro as oportunidades que você me deu, sendo um prefeito realizador”, afirmou.

O prefeito eleito disse que sua campanha foi do “tostão contra o milhão” e que faltou dinheiro para bandeiras. Ele agradeceu ao ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM), que é do Rio Grande do Sul.

Sebastião Melo (MDB) acompanhado de correligionários
Sebastião Melo (MDB) no Colégio Paraíba, zona sul de Porto Alegre, onde votou no início da tarde deste domingo (29) - Mateus Raugust/Divulgação

A candidata derrotada, Manuela, agradeceu em uma rede social o apoio de seus eleitores e desejou sorte ao prefeito eleito.

"Enfrentamos muita baixaria e notícias falsas. Mas a democracia é soberana. Desejo sorte ao Sebastião Melo e seguiremos na luta, ao lado de quem quer uma cidade mais justa", escreveu.

​Na pesquisa Ibope divulgada no último sábado (28), Manuela aparecia com 51% de intenção dos votos válidos contra 49% de Melo. Uma pesquisa falsa atribuída ao Datafolha chegou a circular na capital gaúcha, dando vantagem para Melo. O Datafolha não realizou tal pesquisa.

Durante a campanha, Melo afirmou que sua adversária defendia um “projeto estatizante”. “São projetos completamente diferentes. Não no aspecto de diálogo e respeito à democracia, mas são diferentes."

Ele defendeu um programa econômico liberal, com redução de impostos como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e redução de burocracia para abertura de negócios. O prefeito eleito também incluiu no seu programa de governo a defesa das escolas cívico-militares em Porto Alegre.

Sobre a pandemia do novo coronavírus, Melo se manifestou em defesa da reabertura total dos segmentos econômicos e contra a vacinação obrigatória.

Ele já foi vice-prefeito de Porto Alegre de 2013 a 2016, na gestão de José Fortunati (à época no PDT, hoje no PTB), que também concorreria na eleição deste ano. Mas Fortunati desistiu pouco antes do primeiro turno, depois de a Justiça Eleitoral indeferir a candidatura de seu vice a pedido de um candidato a vereador da coligação de Melo.

O prefeito eleito é advogado, natural de Piracanjuba (GO) e deputado estadual desde 2019. O emedebista concorreu a prefeito na eleição de 2016, chegando ao segundo turno, mas foi derrotado por Nelson Marchezan Jr. (PSDB). Também já foi vereador (2000-2012). Sempre foi filiado ao MDB.

Marchezan, que foi o primeiro prefeito do PSDB na capital gaúcha, ficou de fora do segundo turno. Ele enfrenta um processo de impeachment na Câmara de Vereadores e perdeu a base que mantinha no Lesgislativo, sendo frequentemente criticado pela falta de diálogo.

O atual vice de Marchezan, Gustavo Paim (PP), também disputou a eleição. No segundo turno, Paim declarou apoio a Melo.

O emedebista chama de “riqueza” a formação da nova Câmara Municipal, com cinco vereadores negros, e lamentou a morte de Beto Freitas, homem negro espancado em um Carrefour de Porto Alegre.

“O racismo é uma triste realidade mundial. É uma questão histórica e cultural e, no Brasil, existe”, disse. A posição é diferente da manifestada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo vice, Hamilton Mourão (PRTB), ainda que Melo tenha acenado a bolsonaristas durante a campanha.

Apesar de derrota na capital, governador celebra avanço do PSDB

O governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), celebrou o avanço do seu partido no Rio Grande do Sul.

No segundo turno, o PSDB venceu em três cidades gaúchas, incluindo Pelotas, onde Leite foi prefeito. A atual prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), foi reeleita. Mascarenhas recebeu 68,7% dos votos, contra 31,30% para Ivan Duarte (PT).

Em Caxias do Sul, na serra, Adiló Didomenico (PSDB) derrotou Pepe Vargas (PT), que já governou a cidade e foi ministro na gestão de Dilma Rousseff. É a primeira vez que o PSDB governará Caxias do Sul. Adiló fez 59,57% dos votos válidos, contra 40,43% de Pepe Vargas.

Em Santa Maria, na região central, o atual prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) foi reeleito com 57,29% dos votos contra 42,71% de Sergio Cecchin (PP).

Em Canoas, Jairo Jorge (PSDB) —que já foi prefeito da cidade quando era filiado ao PT— foi eleito com 53,06% dos votos válidos contra o atual prefeito, Luiz Carlos Busato (PTB), que fez 46,94%.

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