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STF

Lula no jogo e Bolsonaro cercado dão janela estreita para nome alternativo

Petista celebra resultado no STF e se firma para 2022 enquanto rivais disputam espaço

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São Paulo

A confirmação da possibilidade da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, assegurada pela manutenção da anulação de suas condenações, confirma parte da tendência registrada desde que, com a decisão liminar do ministro Edson Fachin, em março, ele voltou ao jogo.

Ou seja, o petista é parte integral da discussão de 2022, mesmo que seu nome não esteja na urna eletrônica.

Lula faz primeiro pronunciamento após a liminar de Fachin que lhe restituiu direitos políticos
Lula faz primeiro pronunciamento após a liminar de Fachin que lhe restituiu direitos políticos - Amanda Perobelli - 12.mar.2021/Reuters

A ressalva é importante porque Lula pode, ao fim, não concorrer. Talvez 90% de seus aliados não acreditem nisso, mas há espaço para mudanças: notadamente, alguma percepção de que não será favorito na corrida, o que é inescrutável neste momento.

Pode ainda haver alguma mudança jurídica inaudita neste momento, o que não seria surpresa —como diria o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, até o passado é incerto nessas plagas. Ou o autor da frase foi o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola? Pois é.

Isso dito, o que está colocado é Lula, ou sua presença com liberdade de campanha, na disputa de 2022.

É boa notícia para Bolsonaro, devido ao antipetismo que se mostrou bastante vivo na eleição municipal de 2020 e em pesquisas. O presidente ainda é o candidato a beneficiário do movimento mais ativo na praça. Seus rivais estão mais preocupados em bater no Planalto de hoje do que no de há cinco anos.

Ao mesmo tempo, a equação se adensou desde o momento inicial da decisão de Fachin. Bolsonaro está sob um cerco muito mais coordenado neste momento, e tem agido com crescente exasperação.

Há uma ofensiva dupla na crise sanitária-política-econômica em curso, que é a formação da tempestade da CPI da Covid e o imbróglio da aprovação de um Orçamento que equivale à confissão de culpa de crimes fiscais.

Tal conjuntura colocou Bolsonaro na parede, mesmo depois de ter obtido a suposta carta de alforria de impeachments do centrão ao colocar o grupo no controle das verbas parlamentares liberadas pelo Planalto.

Isso em meio a uma crise militar que arrefeceu, mas que ainda causa abalos secundários razoáveis toda a vez que o capitão reformado do Exército abre a boca para falar de fardados.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro demonstra um desespero óbvio com os rombos em seu dique, falando para meia dúzia de papagaios de alambrado no Alvorada que espera a "sinalização do povo", seja lá o que for e com qual sentido.

Fechar o Supremo? Em nome de quê? Da sua confissão de incompetência no trato da pandemia, ao jogar a culpa para estados e municípios? O Congresso não parece disposto a comprar a balela, muito menos os militares, por mais que tenham ojeriza aos 11 do outro lado da praça dos Três Poderes.

Nessa espiral entrópica se encontra o presidente, o que facilitaria a leitura de que Lula ou algum preposto petista se tornaria uma barbada para 2022.

Hoje parece algo meio improvável, dada a persistência do antipetismo. Claro, o antibolsonarismo é uma força tão formidável quanto aquela nos dias de hoje, mas talvez com escopo menos amplo —tende a crescer entre mais pobres e conservadores com a piora na economia, contudo.

Por isso a colocação de um projeto claro de alternativa ganha agora uma janela de oportunidade mais clara, se quiser de fato ter um rosto para apresentar em 2022.

Dado o senso de oportunidade dos envolvidos até aqui, todos sem viabilidade clara, a tendência é a da manutenção de manifestos de princípios públicos e desconfianças privadas. Aí, o naufrágio sem uma decisão nos próximos meses será inevitável.

A amálgama centro-direitista na qual se posicionam João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo) terá de conversar mais com o franco-atirador Luciano Huck (sem partido) e o eterno candidato Ciro Gomes (PDT), esse de centro-esquerda.

Para Lula, por óbvio, é o melhor dos mundos, pois sua bandeira será levada à frente num momento de desgaste extremo de Bolsonaro.

Mas isso ocorre sem impeachment à vista, o que abre ao presidente também a porta para um cenário igual ao do petista em 2005, quando foi poupado pela oposição no mensalão só para se reeleger no ano seguinte.

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