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Moro repete discurso lava-jatista na Paraíba e diz que vaias foram pagas

Ex-juiz tem encontros no estado, investe na defesa da operação e minimiza críticas em aeroporto

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Recife

O ex-ministro Sergio Moro investiu no discurso lava-jatista durante o segundo dia de visita à Paraíba. O pré-candidato do Podemos à Presidência cumpriu agendas na região metropolitana de João Pessoa nesta sexta-feira (8).

Durante entrevista a uma rádio local, Moro criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) pelas decisões que anularam as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Operação Lava Jato. Além disso, o ex-juiz negou que tenha sido parcial contra o petista nos julgamentos.

Moro durante entrevista a emissora de rádio na Paraíba, nesta sexta-feira - @arapuanfm95.3 no Facebook

No ano passado, o ex-juiz sofreu uma dura derrota no STF (Supremo Tribunal Federal), que o considerou parcial nas ações em que atuou como magistrado federal contra Lula. Com isso, foram anuladas ações dos casos tríplex de Guarujá, sítio de Atibaia e Instituto Lula pela Lava Jato.

​"Infelizmente, alguns tribunais, inclusive o STF, parte dele, têm anulado condenações, não dizendo, porque eles não conseguem, que as pessoas são inocentes, mas dizendo que não podiam ter sido julgados em Curitiba e que o juiz tinha animosidade em relação ao acusado. Fiz meu trabalho aplicando a lei", afirmou.

"A anulação da condenação do ex-presidente Lula foi um baita erro Judiciário", disse Moro, citando o rival na disputa ao Planalto de 2022 e que tem forte apelo de popularidade no Nordeste.

Moro foi juiz dos casos da Operação Lava Jato entre 2014 e novembro de 2018, quando aceitou o convite de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele ficou no posto entre janeiro de 2019 e abril de 2020. Deixou a função acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

Apesar das críticas às decisões, Moro disse que respeita o STF como instituição e teceu elogios ao presidente da corte, ministro Luiz Fux, de quem é próximo.

"Tenho grande respeito pelo STF como instituição. O presidente do Supremo é uma grande personalidade e tem um sério compromisso no combate à corrupção."

Em troca de mensagens com o procurador Deltan Dallagnol em abril de 2016, Moro declarou que confiava em Fux por meio de termos em inglês: "In Fux we trust". O conteúdo das conversas foi divulgado em 2019 pelo The Intercept Brasil e pela rádio BandNews.

Na entrevista desta sexta, o ex-juiz também defendeu a criação de uma corte específica para julgar casos de corrupção no Brasil, com juízes específicos para atuar junto a esse tipo de caso. Em paralelo, Moro reafirmou a defesa do fim do foro especial para políticos.

"Com o fim do foro privilegiado, um governante que fizer algo errado vai ser julgado igual a outra pessoa. Também defendo a criação de uma corte nacional anticorrupção. Vamos criar um tribunal específico usando juízes selecionados com vocação e passado ilibado para romper essa tradição de impunidade com a corrupção", disse.

O ex-magistrado afirmou que quem coordenará o grupo de juristas para elaborar suas propostas de reforma do Judiciário é o professor de direito constitucional Joaquim Falcão, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras). Procurado pela reportagem, Falcão não se manifestou.

Outra promessa de Sergio Moro é o fim da reeleição para cargos do Executivo. Ele disse que o veto à medida deve ser implantado no Brasil em 2023, primeiro ano do mandato de quem for eleito em outubro.

​Moro chegou à Paraíba na quinta-feira (6). No aeroporto de João Pessoa, onde desembarcou, ele foi xingado por um grupo de pessoas que gritava as expressões "traíra" e "juiz ladrão".

Em entrevista a uma rádio de Pernambuco nesta sexta, Moro foi questionado sobre as manifestações contra ele e levantou a possibilidade de que essas pessoas tenham sido financiadas para xingá-lo na chegada à Paraíba.

"Nesse tempo de internet, pega lá duas pessoas que ainda provavelmente foram pagas e fazem lá uma gritaria. Cheguei lá no aeroporto e tinha uma multidão favorável, elogiando, pedindo para tirar foto. Onde estou indo as pessoas pedem para tirar foto, selfie, tem sido uma receptividade enorme."

Na quinta, em reunião com empresários, Sergio Moro disse que foi traído por Bolsonaro. A fala se deu durante um encontro em Campina Grande, segunda maior cidade paraibana.

"Ele traiu a promessa que ele faz para mim. Ele disse que ninguém iria ser protegido se eu entrasse no governo. Se ele tivesse me falado em 2018 que todo mundo poderia ser investigado menos ele a família dele, eu não teria entrado. Eu não sou pessoa de vender meus princípios e valores por cargo. Saí desse governo e tenho muito orgulho disso".

Em entrevista, o ex-juiz ainda disse ter orgulho de sua participação no governo Bolsonaro.

"Tenho orgulho de ter aceito o convite para compor o governo porque fui para um projeto. Entendi que meu ciclo como juiz da Lava Jato tinha se encerrado e que eu poderia contribuir muito indo para Brasília. Não só para avançar no combate à corrupção como à criminalidade em outras áreas", afirmou.

"E tenho muito orgulho de ter deixado o governo porque chegou o momento em que me foi colocado que ou eu ficava no governo como ministro e seria cúmplice de coisa errada ou sairia de cabeça erguida. Não entrei no governo pelo cargo, entrei pelo projeto."

Nesta sexta, Moro dedicou a manhã e o início da tarde a conceder entrevistas a emissoras de rádio locais. Além disso, teve reuniões com aliados políticos. Ele segue em João Pessoa até este sábado (8).

Na Paraíba, o principal articulador de Sergio Moro é o deputado federal Julian Lemos (PSL), ex-apoiador do presidente Jair Bolsonaro. No estado, o Podemos procura um palanque para Sergio Moro. Isso porque as principais forças políticas locais estão vinculadas a outros postulantes do Palácio do Planalto.

O governador João Azevêdo, mesmo sendo filiado ao Cidadania, flerta com o ex-presidente Lula e poderá voltar ao PSB. O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB), pré-candidato ao Governo da Paraíba, apoia o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na disputa pela Presidência.

Moro ainda deverá fazer visitas a Ceará e Sergipe nos próximos meses. No Ceará, a principal figura do Podemos é o senador Eduardo Girão, eleito na onda bolsonarista de 2018 e um dos principais defensores do governo na CPI da Covid no Senado.

Já em Sergipe, Moro deverá circular com o senador Alessandro Vieira, pré-candidato do Cidadania à Presidência. A cúpula do Podemos acredita que Alessandro poderá desistir da disputa presidencial declarando apoio a Sergio Moro.

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