'É impossível controlar a fronteira sem tecnologia', diz ministro

Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, defende parcerias com países vizinhos

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, durante o seminário Segurança e Desenvolvimento, em Brasília - Keiny Andrade/Folhapress
Marcelo Toledo
Brasília

É impossível fazer o controle das fronteiras brasileiras sem tecnologia, que também deve ser feito em parceria com os países vizinhos, locais de nascimento da maioria dos crimes transnacionais praticados dentro do Brasil.

As afirmações foram feitas pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, durante o seminário Segurança e Desenvolvimento, promovido nesta terça-feira (20) pela Folha, com patrocínio do Instituto Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial), no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília.

“É absolutamente impossível controlar as fronteiras sem tecnologia. Não há a menor possibilidade de que venhamos a monitorar áreas tão largas, terrestres e marítimas, que têm trânsito tão intenso, em regiões tão remotas, sem tecnologia”, afirmou.

De acordo com o ministro, os trabalhos estão sendo desenvolvidos para a criação de um sistema integrado para monitorar as fronteiras, em parceria com outros países.

Etchegoyen, em seu pronunciamento, também falou das características dos crimes transfronteiriços e transnacionais.

“É preciso diferenciar um do outro. O transfronteiriço é o pequeno delito, com alcance limitado à sua área geográfica de atuação. O transnacional tem estruturas de um lado e de outro da fronteira, tem alcance nacional e até fora. E esse é obviamente a prioridade que foi estabelecida.”

O ministro ainda afirmou que as diferentes características da fronteira são um obstáculo, mas que nelas não há discussões envolvendo ódio e preconceitos, como em outros locais do mundo.

“[As fronteiras são] nossa riqueza e nosso grande desafio. São 16.700 km das mais variadas naturezas. Ao mesmo tempo há algumas vantagens competitivas. Em nenhum metro identificamos as tragédias fronteiriças que ocorrem mundo afora, com exclusão, ódio e preconceito.”

Ainda conforme o ministro, crimes transnacionais nascem em sua maioria fora do Brasil e, por isso, é importante estreitar as relações com os países vizinhos.

Ele disse que o governo tem conversado sobre o assunto com todos os países sul-americanos, exceto a Venezuela, por causa dos problemas enfrentados no país do ditador Nicolás Maduro. “Mas não estão ali as fontes maiores das preocupações em relação aos crimes transnacionais.”

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