Região Centro-Oeste lidera a geração de energia limpa no Brasil

Em MS, Instituto Senai de Inovação pesquisa novas maneiras de aproveitamento da biomassa

Luiz Antônio del Tedesco
São Paulo

Os dados relacionados às fontes alternativas de energia no Centro-Oeste revelam como a região está empenhada em diminuir a dependência de combustíveis fósseis, minimizar impactos ambientais e reduzir gastos com energia.

Entre as cinco regiões do Brasil, a Centro-Oeste é a que mais utiliza fontes renováveis em sua matriz energética, com 58% do total. No caso específico da energia elétrica, 87% dela no Centro-Oeste vem de fontes renováveis, bem acima da média nacional (74%).

A biomassa produzida pelo setor sucroalcooleiro, que no país representa 17,5% da oferta de energia, é responsável por 33% da energia do Centro-Oeste. E os investimentos em pesquisa e inovação no setor de biomassa continuam crescendo na região.


Laboratório do ISI - Instituto Senai de Inovação em Biomassa, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul
Máquina de pirólise, que decompõe estruturas da biomassa, no ISI Biomassa, em Três Lagoas (MS) - Divulgação

ALÉM DA ENERGIA

Uma das principais iniciativas tecnológicas para aprimorar o aproveitamento da biomassa foi a inauguração em Três Lagoas (MS), em dezembro de 2017, do Instituto Senai de Inovação em Biomassa, o ISI Biomassa.

Com investimento de R$ 35 milhões, a estrutura de 4.900 m², que ocupa os antigos galpões de manutenção da rede ferroviária Noroeste do Brasil, agrupa seis laboratórios de pesquisa aplicada, nos quais trabalham seis doutores, dois mestres, dois técnicos e dois estagiários.

As pesquisas ali desenvolvidas também são voltadas a aprimorar o rendimento da biomassa como fonte energética, mas vão muito além desse objetivo.

“Nosso lema é transformar biomassa para agregar valor”, diz Carolina Andrade, doutora em biotecnologia na Alemanha e diretora do ISI Biomassa. “Poucos países têm a disponibilidade de biomassa que nós temos aqui, mas não podemos simplesmente vender a biomassa como commodity. Nosso desafio é desenvolver tecnologias, em parceria com a indústria, para que isso se reverta em bens ao setor e ao país.”

“Queimar bagaço de cana para produzir vapor, todo mundo faz. Mas pegar uma parte desse bagaço e dele tirar produtos com alto valor agregado, como solventes e outras matérias-primas, é uma outra história”, diz José Paulo Castilho, engenheiro químico, coordenador de pesquisa do instituto.

E é por meio de processos químicos e biológicos que o ISI agrega valor à biomassa.

Um exemplo recente desse trabalho foi o desenvolvimento de um composto obtido do amido da mandioca para substituir uma resina derivada do petróleo que uma indústria de tintas usava na fórmula da massa corrida. O novo composto, além de ter a vantagem de não ser derivado do petróleo, reduziu o custo de fabricação do produto.

Carolina dá outro exemplo da importância das pesquisas. “Você planta um eucalipto e vai esperar sete anos para ver se aquela variedade é boa? Vai esperar quantos meses para ver se a cana é produtiva?

Usando técnicas e estratégias de biologia molecular, podemos identificar em laboratório, no genoma da planta, quais são as melhores variedades a serem exploradas. Então, se surge a pergunta ‘é possível eu avaliar a qualidade da cana ou do eucalipto antes de plantá-los?’, nós podemos responder: ‘Sim, é possível’.”

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