Descrição de chapéu Brasil China

Megaplano chinês de investimento pode ser chance para o Brasil

País precisa de estratégia para aproveitar o "Belt and Road", para projetos de infraestrutura

Thomaz Machado, presidente da consultoria ChinaInvest; embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex); Larissa Wachholz, sócia do grupo de consultoria Vallya; e Jaime Spitzcovsky, da Folha de São Paulo
Thomaz Machado, presidente da consultoria ChinaInvest; embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex); Larissa Wachholz, sócia do grupo de consultoria Vallya; e Jaime Spitzcovsky, da Folha de São Paulo - Reinaldo Canato/Folhapress
Leonardo Neiva
São Paulo

Especialistas concordam: o Brasil precisa aprender como atrair mais investimentos chineses na área de infraestrutura logística para se tornar mais competitivo no mercado mundial e firmar parcerias comerciais frutíferas com o gigante asiático.

Para Larissa Wachholz, sócia do grupo de consultoria Vallya, esse investimento seria inclusive do interesse das empresas chinesas, que, após desenvolverem a infraestrutura interna de seu país, precisam olhar para fora para se manter ativas.

Wachholz participou de debate nesta quinta-feira (6) durante o seminário Brasil-China, realizado pela Folha, com patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), do Banco Modal e da distribuidora Caoa Chery, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As grandes necessidades do Brasil ainda são infraestrutura e cadeia logística, áreas em que a organização nacional deixa muito a desejar --e nas quais a China tem know how, afirmou a palestrante.

Nesse sentido, uma grande oportunidade é a iniciativa “Belt and Road”, megaplano de investimentos do governo chinês para injetar bilhões de dólares em projetos de infraestrutura na Ásia, África, América Latina, Oriente Médio e Europa. Mas isso, afirmou a consultora, requer coordenação de uma estratégia interna e definir posições concretas sobre o que o Brasil pretende alcançar.

Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), apontou como essencial para o crescimento econômico nacional o investimento chinês em áreas como ferrovias, bens de consumo e produção de energia.

Seriam investimentos de interesse da própria China, já que o Brasil pode se mostrar um parceiro valioso pelo potencial produtivo capaz de suprir as grandes necessidades de consumo chinesas.

“O Brasil é um parceiro estratégico enorme. Precisamos construir uma relação calcada na complementaridade econômica e em uma grande convergência que existe entre os interesses dos dois países.”

Algumas das barreiras, destaca Jaguaribe, são a falta de estratégia nacional bem definida para atrair investimentos em áreas-chave, como a infraestrutura logística, e de conhecimento mais aprofundado sobre o funcionamento do mercado chinês.

“No Brasil, não se consegue dizer o nome de uma única empresa onde se tenha interesse em inserir o produto no mercado chinês”, concorda Thomaz Machado, presidente da consultoria ChinaInvest. E a recíproca é verdadeira, diz ele.

O seminário aconteceu nesta quarta e quinta-feira (5 e 6) no Rooftop 5 & Centro de Convenções, em São Paulo. A mediação do debate foi feita por Jaime Spitzcovsky, jornalista e colunista da Folha.

 
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