Descrição de chapéu Brasil China

Varejo online chinês deve crescer US$ 70 bilhões por ano até 2022

Valor se soma aos US$ 488 bi faturados em 2017, segundo representante de consultoria britânica

A partir da esquerda, Gabriel Yin, da CCTV; Leonardo Palhares, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico; Marcel Motta, diretor no Brasil da consultoria britânica Euromonitor International; Augusto Castro, gerente do Núcleo China da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex); e Jaime Spitzcovsky, da Folha
A partir da esq., Gabriel Yin, da CCTV; Leonardo Palhares, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico; Marcel Motta, diretor no Brasil da consultoria britânica Euromonitor International; Augusto Castro, gerente do Núcleo China da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex); e Jaime Spitzcovsky, da Folha - Reinaldo Canato/Folhapress
Beatriz Maia
São Paulo

A expectativa é que o varejo online chinês cresça em média US$ 70 bilhões por ano até 2022, segundo Marcel Motta, diretor no Brasil da consultoria britânica Euromonitor International. “É mais ou menos como adicionar [o equivalente ao comércio eletrônico de] um Japão ou uma Alemanha e meia”, declarou o executivo no último painel do primeiro dia do seminário Brasil-China, promovido pela Folha.

Explorar o potencial do mercado consumidor de um país com mais de 1,3 bilhão de habitantes pode ser a saída para o crescimento das exportações brasileiras, mas entender as características dos consumidores chineses é fundamental para entrar no varejo eletrônico chinês.

Em 2017, apenas as lojas online da China movimentaram US$ 448 bilhões --quase o dobro do valor faturado por todo o varejo brasileiro, US$ 228 bilhões, segundo Marcel Motta, da Euromonitor International.

No curto prazo, é pouco provável que o Brasil possa competir com aquele país no comércio de produtos industriais de baixa complexidade, porque  a capacidade chinesa de oferecer melhores fretes e tarifas não será superada tão cedo, segundo Augusto Castro, gerente do Núcleo China da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“A China é o principal polo industrial do planeta. Como os salários naquele país estão aumentando, podemos ter oportunidades nesses setores em longo prazo”, afirmou Castro.

A saída para o crescimento do varejo brasileiro, na visão do representante da Apex, está em setores nos quais o Brasil já exporta bastante, mas não consegue chegar ao consumidor final. Mesmo carnes e couro, por exemplo, são processados naquele país.

Ele destacou ainda a possibilidade de entrar no mercado chinês com produtos em que o Brasil é competitivo, como frutas e cosméticos. Para isso, é preciso se adequar às rígidas normas sanitárias e ao gosto do consumidor chinês.

Do lado do Brasil, as dificuldades começam na falta de métricas do mercado. Levando-se em conta o consumo no mercado eletrônico chinês, cerca de 75% são feitos pelo celular e resultam de forte integração com as mídias sociais, afirmou o representante da Apex. “O consumidor confia nas avaliações feitas por outros consumidores, na opinião de amigos e de influenciadores digitais.”

Leonardo Palhares, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, considera que as discussões sobre o comércio digital tendem a enfocar cada vez mais a economia digital. “Não é só o varejo propriamente dito, é esse ecossistema inteiro que está em volta e ajuda a promover a economia.”

O debate foi mediado pelo jornalista Jaime Spitzcovsky e pelo correspondente da CCTV, rede de televisão chinesa. O seminário continua nesta quinta-feira (6) a partir das 8h30, no Rooftop 5 & Centro de Convenções (rua Coropé, 88, Pinheiros), em São Paulo.

O seminário Brasil-China tem o patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da distribuidora Caoa Chery e do Banco Modal, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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