Descrição de chapéu Brasil China

Mercado chinês requer preparo e política nacional, dizem especialistas

Para cônsul comercial da China, país asiático está aberto a produtos mais industrializados

Yu Yong, consul comercial do Consulado Geral da China em São Paulo, durante seminário
Yu Yong, cônsul comercial do Consulado Geral da China em São Paulo, durante seminário - Reinaldo Canato/Folhapress
Everton Lopes Batista
São Paulo

As oportunidades comerciais para o Brasil na China são imensas. O mercado consumidor por lá não para de crescer, assim como o interesse por produtos brasileiros. Mas, para ocupar esse espaço, o país deve diversificar sua exportação --vendendo mais do que matérias-primas--, ampliar a divulgação de seus produtos e perseguir acordos comerciais.

“O mercado chinês está sempre aberto para produtos brasileiros, inclusive mercadorias feitas com mais tecnologia e de maior valor agregado [mais industrializados]”, afirmou Yu Yong, cônsul comercial do Consulado Geral da China em São Paulo durante debate no primeiro seminário Brasil-China, realizado pela Folha nesta quarta-feira (5). O evento terá um segundo dia de discussões nesta quinta-feira (6), em São Paulo.

O seminário tem patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da distribuidora Caoa Chery e do Banco Modal, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo Yu Yong, o país asiático deve importar cerca de US$ 24 trilhões em bens de consumo nos próximos 15 anos. “Isso vai trazer muitas oportunidades para empresas brasileiras, já que os dois países têm muitos mecanismos que podemos aproveitar”, disse, ao lembrar que a China já é o maior importador de produtos agrícolas do Brasil.

Apesar de provocar insegurança no mercado internacional, a guerra comercial entre China e Estados Unidos deve abrir mais espaço para o Brasil fazer negócios no exterior, declarou Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da CNI.

“O Brasil não vai ser o único substituto porque a dimensão disso é muito grande, mas não custa ousar e tentar suprir os vácuos.”

Mas a necessidade de diversificar a exportação brasileira para a China é só o começo, ressalva Abijaodi. “Há uma série de restrições para aumentar as exportações, como as barreiras impostas pela China para alguns produtos brasileiros, como a carne.”

Roberto Dumas Damas, professor de economia internacional e economia chinesa no Insper, também vê com cautela as oportunidades levantadas pela guerra comercial.

“Queremos exportar produtos com maior valor agregado agora, mas o tabuleiro internacional está muito incerto. Qual a probabilidade de o Trump amanhã pegar o Twitter e acertar as coisas com a China?”, questionou. Para Damas, a exportação de produtos agrícolas, área em que o Brasil tem competitividade comprovada no mercado chinês, deve permanecer como prioridade.

A baixa taxa de internacionalização das empresas brasileiras é outro obstáculo para que mais produtos nacionais cheguem do mercado chinês, aponta Abijaodi, representante da CNI.

Segundo ele, até pouco tempo atrás, o país não tinha uma política ativa para vender seus produtos no mercado exterior. “Precisamos de uma catequização para mostrar a importância do comércio exterior no cotidiano da indústria.”

Para Dumas, do Insper, há ainda o problema do despreparo dos executivos que fazem incursões no país asiático.

“Quando morei na China, via que muitos executivos brasileiros chegavam para visitar o país sem objetivo definido. Isso não é problema só dos empresários, é também do governo brasileiro. A falta de agressividade das empresas brasileiras é a falta de uma política pública bem definida”, afirmou. “O Brasil precisa sair da zona de conforto.”

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