Descrição de chapéu 6º Fórum A Saúde do Brasil

Reorganização do sistema vai partir da atenção primária, diz ministro da Saúde

Luiz Henrique Mandetta falou durante a abertura do fórum A Saúde do Brasil, realizado pela Folha em São Paulo

Everton Lopes Batista
São Paulo

A atenção primária à saúde, modelo que integra prevenção e tratamento e é desempenhado principalmente por médicos da família e equipes de agentes comunitários, vai ser a base das ações do governo federal na área, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em palestra de abertura do 6º fórum A Saúde do Brasil, realizado no auditório do MIS, em São Paulo - Reinaldo Canato/Folhapress

“Foi tomada uma decisão de governo de que a reorganização do sistema de saúde vai partir da atenção primária. Em qualquer discussão que se faça sobre saúde brasileira, o ponto de partida para encontrar soluções vai estar na atenção básica”, afirmou o ministro em uma palestra na 6º edição do fórum A Saúde do Brasil, realizado pela Folha nesta segunda-feira (27), em São Paulo.

O evento teve o patrocínio da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), e da Associação das Administradoras de Benefícios (Anab).

Embora o SUS (Sistema Único de Saúde) tenha evoluído desde sua criação, há quase 30 anos, doenças infecciosas como a tuberculose e a doença de Chagas, que têm novos casos registrados no país todos os anos, e o rápido envelhecimento da população adicionam custos ao sistema que dificultam seu bom funcionamento, disse Mandetta.

Há também os fatores externos que tornam o sistema ainda mais sobrecarregado, como a violência e os acidentes de trânsito, que geram a necessidade de novos e complexos atendimentos, acrescentou o ministro.

“Qualquer sistema de saúde no mundo, público ou privado, que não organiza a atenção primária está fadado ao fracasso”, afirmou.

“Os planos de saúde nunca tocaram na prevenção. As pessoas sempre viram seu plano de saúde como plano de doença”, disse. “Se continuar assim, não acredito que minha geração vá conseguir pagar um plano daqui a 20 ou 30 anos por causa do custo que vai ter”, concluiu.

Um dos maiores desafios para espalhar a atenção básica pelo país é assegurar que todas as cidades tenham a estrutura fundamental para prestar o atendimento. Mas manter médicos em pequenas cidades afastadas dos grandes centros tem sido um problema no Brasil.

 

O programa Mais Médicos, que leva os profissionais para lugares onde estão em falta, já registrou 15% de desistência entre dezembro de 2018 e março deste ano.

Segundo Mandetta, a criação de um plano de carreira próprio deve dar mais segurança para esses profissionais e colaborar para a sua retenção em cidades pequenas e carentes de trabalhadores da saúde.

A judicialização, que segundo o ministro custa de cerca de R$ 17 bilhões por ano para o sistema, deve ser combatida. O mecanismo é usado, entre outros casos, para forçar o sistema a fornecer individualmente medicamentos que ainda não fazem parte da cobertura do sistema de saúde nacional. Os remédios, geralmente, são novidades no mercado e muitos deles custam milhares de reais por dose. “É como se tivéssemos ordenadores de despesas em todo o território nacional sem o devido monitoramento técnico”, afirmou.

Uma das soluções apontadas por Mandetta para o problema é a incorporação de novos medicamentos com compartilhamento de risco, que acontece quando um remédio é adotado pelo sistema de saúde mesmo que, para alguns casos, os resultados dos estudos não sejam conclusivos. Se o remédio não tiver efeito, a empresa fornecedora deve devolver ao governo o valor pago.

Para conter o desperdício no SUS, o ministro disse que uma das principais estratégias é a criação do prontuário único de saúde que, segundo ele, já está em andamento. Inicialmente, estarão reunidas informações como vacinas, atendimentos primários e resumos de alta hospitalar.

“Essas informações agrupadas vão mostrar quanto desperdício existe no sistema. Vamos conseguir dar mobilidade para nossas informações”, disse. “Vamos ter de conviver com esse modelo atual por algum tempo ainda, pois ninguém constrói um sistema de saúde em 30 anos. Temos pontos falhos para reparar, precisamos de muito diálogo, educação em saúde e espaços como este evento”, encerrou.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.