Descrição de chapéu

Presente até na novela global, livro é pop, livro é fashion e resistirá a tudo

No Brasil, a venda de obras aumentou em 2018, e isso em meio à crise das livrarias

Heloisa Seixas
São Paulo

Livro é fashion, livro é trendy. Livro é pop. E está na Globo.

Não é brincadeira. O livro está na moda, não se fala em outra coisa. Para começar, houve a péssima ideia daquele que já é o pior prefeito da história do Rio —de confiscar e envelopar obras que considera perigosas—, e que provocou o efeito reverso: a Bienal do Livro carioca teve o melhor desempenho de todos os tempos, com 4 milhões de exemplares vendidos e, por vários dias, esteve no centro do noticiário.

Além disso, temos a novela das sete, “Bom Sucesso”. Com ótima audiência, a TV Globo está exibindo uma história sobre livros. 

Antonio Fagundes encanta no papel de editor daqueles das antigas, que lê os clássicos e despreza best-sellers (não por acaso, sua editora está em dificuldades financeiras). Sua acompanhante e amiga, vivida por Grazi Massafera, lê até em pé no ônibus lotado. Os dois conversam sobre literatura o tempo todo.

Outro exemplo de sua popularidade é a exposição “A Biblioteca à Noite”, que está no Sesc Copacabana, no Rio (leia ao lado). É uma mostra de realidade virtual, em que o visitante bota no rosto aquele aparelho que parece máscara submarina e, de repente, se vê transportado para outro universo. No caso, o dos livros. É como um sonho de Borges.

 
Essas são só algumas evidências. A resistência do livro vem de longe. E não falo só da reunião de conteúdos em qualquer formato, mas do livro de verdade, feito de papel, aquele que folheamos e dispomos nas estantes. Aquele com o qual, segundo uma definição picante, podemos escorar portas e matar moscas. 

Ao contrário do que se vaticinava, nem ele dá sinais de que vai acabar. No Brasil, a venda aumentou em 2018, em comparação a 2017, e isso em meio à crise das livrarias. Foram mais de 44 milhões de exemplares vendidos. O futuro existe.

Não me lembro de ter visto livros físicos na série “Years and Years”, distopia da HBO, terrível por ser tão próxima de nossa realidade atual. Mas havia, sim, muitas telas iluminadas que talvez contivessem histórias. 

Por isso, continuo otimista. E achando que o livro resistirá a tudo. Mesmo que no futuro seja feito de plástico, metal e tela de cristal líquido ou outro material, estará sempre entre nós. 

Porque livro é palavra, informação, história. É sonho, devaneio, escape. E acima de tudo imaginação. Não dá para viver sem isso.

É autora de “O Prazer de Ler” e “A Noite dos Olhos”

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