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Palestrante ganha até R$ 20 mil para ensinar funcionário a ser feliz

Especialistas defendem que a satisfação pode influenciar os resultados da empresa

Flávia G. Pinho
São Paulo

Há 15 anos, o psiquiatra americano Howard Cutler ficou famoso ao escrever “A Arte da Felicidade no Trabalho”, em parceria com ninguém menos do que o Dalai Lama. Desde então, o tema nunca esteve tão em alta.

Empresas brasileiras de todos os portes pagam até R$ 20 mil por palestras que têm como objetivo ensinar aos funcionários como encontrar felicidade no escritório.

“Antes, era uma iniciativa tímida que partia dos departamentos de recursos humanos. Hoje, o próprio colaborador busca formas de se sentir feliz no trabalho”, explica Catarina Moraes, diretora da Palestrarte, que tem em seu elenco mais de cem palestrantes especializados nos mais variados assuntos.

Mulher loira com notebook no colo
A empresária Camila Cônsolo Dornelles, sócia da consultoria Reinvent, em São Paulo - Keiny Andrade/Folhapress

Um dos mais requisitados do momento, segundo Moraes, é o presidente-executivo do Grupo Gaia, João Paulo Pacífico. Dono do programa de rádio Felicidade iLtda (Globo FM), Pacífico tornou-se conhecido por combater a sisudez dos escritórios do mercado financeiro —a sede de sua empresa, em São Paulo, tem tobogã e rede elástica no lugar do mezanino.

Nas palestras, que custam a partir de R$ 20 mil, Pacífico explica que a felicidade dos funcionários deve fazer parte da cultura da empresa e, obrigatoriamente, partir do alto escalão. 

Outro nome do elenco da Palestrarte é Alexandre Pellaes, que se apresenta como “transformador do mundo do trabalho”. Grandes empresas pagam a partir de R$ 15 mil para que Pellaes mostre como é possível gerar resultados e ser feliz ao mesmo tempo. 

“Propósito é a palavra-chave de 2019”, resume Moraes.

Sócia da consultoria Reinvent, a gestora de recursos humanos Camila Cônsolo Dornelles também oferece aos clientes uma palestra de gestão de felicidade no trabalho. Ela vende em média um evento por mês para pequenas empresas e startups por valores a partir de R$ 1.500.

A Reinvent pode criar ainda um programa sob medida para aumentar a sensação de felicidade na empresa, que engloba pesquisa de clima organizacional e elaboração de planos de ação para a equipe. 

“Perguntamos a cada colaborador o que é felicidade e adaptamos o conceito para o ambiente do trabalho”, conta Dornelles, que cobra a partir de R$ 2.000. 

Na avaliação do jornalista Alexandre Teixeira, autor de “Felicidade S/A” (Arquipélago, 288 pág., R$ 42,16), os motivos para se debater a satisfação no trabalho mudaram. 

Antes, quando a economia ia bem, as pessoas podiam trocar de emprego em busca da felicidade. Hoje, os profissionais estão em “modo de sobrevivência” —eles ainda querem ser felizes, mas não podem abrir mão do emprego por isso, então se esforçam mais para encontrá-la no trabalho. 

Teixeira diz que o bem-estar é uma discussão que perdurará. “As empresas precisam do engajamento dos funcionários, e as pessoas querem trabalhar em algo que dê prazer.”

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