Natureza e fantasia guiam design de produtos para casa e jardim

Pedra, falsa ou verdadeira, e efeito furta-cor são tendências mostradas na feira Home & Gift, em São Paulo

Danae Stephan
São Paulo

A principal tendência em objetos de decoração e utilidades domésticas para 2020 vem da natureza: pedras, falsas ou verdadeiras, dominaram os lançamentos do setor na 40ª Home & Gift Fair, realizada de 14 a 17 de fevereiro, em São Paulo, pela Associação Brasileira das Empresas de Utilidades e Presentes.

Entre os lançamentos que chegarão às lojas nos próximos meses, tem de tudo: de jogos de jantar de porcelana a assento de vaso sanitário com efeito marmorizado.

Já o furta-cor, microtendência forte na moda e na beleza nos últimos anos, migrou para talheres, copos e até panelas.

“Existem as tendências rápidas, como essa de cores fantasia, e as macrotendências, que estão sempre ligadas ao comportamento humano. Como macro, identificamos a busca do natural, em equilíbrio com o tecnológico”, diz Zaira da Silva, gerente de marketing da fabricante de cerâmicas Oxford, que levou 450 lançamentos à feira.

 

Destaque para os jogos que simulam pedras e mármore. “Está havendo uma maior valorização do manual, do artesanal e de matérias-primas regionais, mesmo que as peças sejam produzidas industrialmente”, diz Silva. 

Para simular o efeito do mármore e do granito, a empresa investiu em uma máquina de impressão digital, que produz estampas mais nítidas.

Já a Tramontina fechou com uma pequena fábrica de Minas Gerais o fornecimento das peças em pedra-sabão que compõem a linha Concreta. “As formas orgânicas da linha possibilitam irregularidades no acabamento, o que reforça seu caráter artesanal”, afirma André Guerra, diretor comercial da fábrica da Tramontina em Belém.

A valorização das matérias-primas brasileiras se deve, em grande parte, ao reconhecimento do papel do designer na indústria.

“Estamos em um momento muito bom para o design brasileiro”, diz Natasha Schlobach, presidente da Associação dos Designers de Produtos. Com a concorrência chinesa, a indústria nacional precisou se diferenciar.

“O setor passou a valorizar o profissional do desenho para conseguir evoluir. Todo mundo está percebendo que é preciso ter um designer por trás da criação para ter uma identidade própria”, diz Marco Aurélio Pulchério, proprietário da Marco 500, agência que promove o trabalho de artesãos e designers do país.

Marco é também curador dos projetos Célula e Núcleo DA, que reuniram nesta edição da feira 52 artesãos e designers brasileiros.

De acordo com Zaira da Silva, da Oxford, a combinação de investimentos em desenho e tecnologia foi determinante para o sucesso da empresa. 

“Nos últimos dez anos, viemos crescendo pelo menos dois dígitos ao ano. Em 2019, mesmo sendo um ano fora da curva, tivemos um crescimento de 20%”, conta.

Para Pulchério, casos como o da Oxford ainda são exceções no setor de utilidades domésticas. “A criação autoral brasileira, muito valorizada e reconhecida no setor mobiliário, está chegando aos poucos aos objetos, mas ainda é muito recente e incipiente. Essa é a bandeira que carregamos agora”, diz.

No estande da Japi, marca do Grupo Astra que tem em seu portfólio mais de 1.500 itens de jardinagem, decoração e construção, o destaque era a linha Studio, assinada pelo designer industrial Oswaldo Mellone e pela arquiteta Mariana Quinelato. “Essa linha foi responsável por 40% dos negócios fechados na feira”, diz o gerente comercial Diego Matos.

O retorno à natureza não contempla apenas a forma, mas também o conteúdo. “Vi nesta edição várias marcas pequenas apostando na sustentabilidade”, diz Schlobach. “Muita fibra de bambu e muita mistura de materiais, com tecnologia agregada.” 

Um exemplo é a Evo Produtos Sustentáveis, que levou sua linha de cestos, organizadores e acessórios feitos com madeira de reflorestamento e polietileno verde (produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar).

A Santa Fé lançou mais de 40 itens, entre cases de computador, organizadores e cestos, produzidos a partir de seu feltro sustentável, o Santa Flex.

O material, feito de garrafas pet recicladas retirou de circulação mais de 480 milhões de unidades só em 2019.

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