Feira de decoração em São Paulo valoriza 'a beleza da imperfeição'

Técnicas artesanais, matérias-primas naturais e produtos sustentáveis foram destaque da 39ª Home & Gift

Yara Guerchenzon
São Paulo

​​Tramas, temas, cores e texturas que remetem à natureza estão entre as tendências apresentadas na 39ª edição da Home & Gift, feira do setor de decoração, presentes e mobiliário, realizada entre os dias 14 e 18 de agosto pela Associação Brasileira das Empresas de Utilidades e Presentes (Abup), em São Paulo.

O design independente e o artesanato nacional chamaram a atenção em propostas inusitadas, com o uso de materiais impactantes, a exemplo do concreto e da madeira bruta, entre os lançamentos reunidos por 187 expositores. 

São móveis feitos a partir de resíduos de madeira encontrados na mata, bordados aplicados em objetos decorativos e criações e revestimentos que resgatam as artes do tricô e do crochê.

No evento, artistas plásticos, artesãos e designers apresentaram seus trabalhos em áreas exclusivas. Um desses espaços, o Projeto Célula, voltado à promoção da diversidade criativa, da arte e da cultura brasileira, tem na direção a curadora de arte Cris Rosenbaum, ao lado de Marco Aurélio Pulchério, da marco500, agência que comercializa produtos de decoração assinados por artesãos e designers nacionais.

“Peças feitas à mão e com design autoral, como uma almofada bordada, podem mudar a decoração. É isso que dá a alma a um lar e diferencia o ambiente. Ao contrário de lugares bege e sempre iguais”, afirma Cris Rosenbaum. “Trazer para dentro de casa uma renda ou um tricô, por exemplo, é uma forma de esquentar os espaços com referências nacionais”, diz.

Para Pulchério, há um interesse crescente pela produção autoral e artesanal, e isso se deve à procura de uma identidade cada vez maior na escolha dos objetos que são levados para casa. 

“Antes, não havia tanto essa preocupação, de encontrar a sua própria cultura e de retratar a sua história em peças decorativas. Tempos atrás, as pessoas vinham de fora carregando objetos da Europa para decorar suas casas. Hoje, valorizamos a beleza da imperfeição, como costumo dizer”, conta, referindo-se às características do trabalho artesanal, que nunca se repete.

“O imperfeito é belo e faz parte, tanto na madeira quanto no metal ou em outro material, coisa que há pouco tempo era impensável. Cada vez mais, buscamos essa possibilidade, de ter uma peça única e que conte um pouco sobre a nossa origem e cultura”, afirma.

À frente da Massa Branca, marca de objetos utilitários e decorativos, que participou do Projeto Célula, a empresária Silvia Finotti diz que, atualmente, o consumidor quer comprar peças com algum valor agregado.

“Eu percebo que existe uma procura maior por objetos que tenham algo para contar e que sejam confeccionados a partir de materiais sustentáveis. Há uma preocupação em saber como e com o quê cada peça foi produzida.” 

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