De fone tradutor a tela flexível, cinco tecnologias que chegarão ao consumidor

Milhares de produtos são apresentados na CES, mas nem todos serão incorporados à rotina

Paula Soprana
São Paulo

A CES (Consumer Electronic Show) 2019, que acontece até esta sexta-feira (11), em Las Vegas, apresenta carros elétricos autônomos com decolagem vertical, drones inteligentes e humanoides, mas nem tudo chegará à rotina do consumidor comum.

Grande parte da exposição das cerca de 4 mil marcas presentes representa tendências tecnológicas já maduras em mercados desenvolvidos, como itens relacionados a casas conectadas e robôs utilitários. 

Selecionamos produtos que podem chegar (ou já chegaram) aos consumidores sem a necessidade de interferência regulatória – como os chamados 'carros voadores' – ou impedimentos de infraestrutura, como o 5G.

  • Robôs cuidadores

O Google Home e a Alexa são auxiliares domésticos populares. Atendem a ordens simples como chamar um Uber, tocar músicas no Spotify ou fazer ligações. Os alto-falantes inteligentes, no entanto, não são bons companheiros.

Entre os destaques de auxiliares na CES  estão os robôs médicos, cujas funções primordiais são medir a pressão arterial, a frequência cardíaca e administrar os remédios do dono. É o caso do Bot Care, da Samsung, ainda sem data para ser lançado.

Gary Lee, à esquerda, vice-presidente da Samsung, e Yoon Lee, vice-presidente da empresa na América, fazem demonstração com o Bot Care durante a CES 2019; a Samsung apresentou uma série de robôs para diferentes utilidades
Gary Lee, à esquerda, vice-presidente da Samsung, e Yoon Lee, vice-presidente da empresa na América, fazem demonstração com o Bot Care durante a CES 2019; a Samsung apresentou uma série de robôs para diferentes utilidades - Justin Sullivan/AFP

Já o Lovot, da startup japonesa Groove X, é versão moderna do Tamagotchi dos anos 1990. Trata-se de um companheiro robótico de US$ 6.000, cujo objetivo principal, segundo a marca, “é trazer amor”.

Com sensores e um sistema de inteligência artificial, o robô de olhos grandes reage a cócegas, sorri, dorme, abraça e 'fica tímido' na presença de estranhos. 

Lovot, o companheiro robô desenvolvido pela Groove X; com um sistema de inteligência artificial, eles pedem por atenção e 'ficam tímidos' com pessoas que não conhecem
Lovot, o companheiro robô desenvolvido pela Groove X; com um sistema de inteligência artificial, eles pedem por atenção e 'ficam tímidos' com pessoas que não conhecem - Robyn Beck/AFP
  • Fones tradutores

Já é possível conversar com uma pessoa de outro país sem entender sua língua. Com aprendizado de máquina e computação em nuvem, os dispositivos e fones de ouvido que traduzem idiomas em tempo real estão avançados e prometem ganhar relevância em locais com grande concentração de estrangeiros, como conferências e eventos mundiais.

A chinesa iFlytek apresentou um aparelho que traduz chinês e outros 30 idiomas; custa US$ 400
A chinesa iFlytek apresentou um aparelho que traduz chinês e outros 30 idiomas; custa US$ 400 - Steve Marcus/Reuters

Várias marcas expõem seus produtos na feira, e a maioria garante sucesso nas vendas. O Pocketalk, da japonesa Sourcenext, um dispositivo semelhante a um celular antigo, traduz 74 idiomas, e custa US$ 299. Já os fones Pilot, da Waverly Lab, traduzem 15 idiomas e custam de US$ 180 a US$ 250.

A chinesa iFlytek apresentou um tradutor capaz de traduzir chinês e outros 30 idiomas. Seu mais recente modelo do Translator sai por US$ 400. 

  • Carros multiúso e conectados

Os VTOL (veículos de decolagem e pouso vertical) –popularmente chamados de carros voadores –, ganham investimentos e divisões dedicadas ao seu desenvolvimento em empresas como a Uber.

No entanto, os carros autônomos que circulam no espaço aéreo ainda são futurismo, e a tecnologia autônoma para automóveis ainda enfrenta desafios regulatórios.

Do setor automotivo, o que deve chegar aos consumidores são os veículos multiúso, como os elétricos que servem de gerador residencial, caso do Nissan Leaf, e os carros conectados a quase tudo, como idealiza a Ford.

Nissan Leaf funciona como gerador de energia para quiosque de café na feira de tecnologia CES, em Las Vegas
Nissan Leaf funciona como gerador de energia para quiosque de café na feira de tecnologia CES, em Las Vegas - Eduardo Sodré/Folhapress

Na CES, a montadora anunciou que, em três anos, um sistema chamado C-V2X estabelecerá conexão com pedestres e placas nas ruas.

  • Telas flexíveis

As telas flexíveis, de celulares ou televisores, são apostas de empresas de tecnologia, que querem oferecer aos clientes a opção de redimensionar seus aparelhos.

Um dos momentos mais aclamados do evento foi o lançamento da televisão ‘enrolável’ da LG. A tela de 165 centímetros entra e sai de um suporte base, podendo desaparecer ou ficar em um modo que mostra apenas o relógio ou fotos programadas.

LG OLED TV R, lançamento da LG; a tela roda para baixo e fica escondida em uma base
LG OLED TV R, lançamento da LG; a tela roda para baixo e fica escondida em uma base - REUTERS

A portas fechadas no evento, a Samsung teria apresentado um protótipo do Galaxy F, seu celular dobrável. Há expectativa de que a sul-coreana o lance comercialmente ainda neste semestre.

  • TVs com integração de marcas

Os televisores OLED da LG, incluindo o modelo 'enrolável', poderão ser integrados aos assessores virtuais Google Assistant, Alexa, e ao AirPlay, software de streaming da Apple. 

Além da LG, outras empresas rivais anunciaram cooperação. A Vizio, de TVs, trabalhará com o AirPlay, com a Siri e com o iTunes. A Samsung e a Sony também anunciaram parcerias com a Apple ao incluir o iTunes em seus aparelhos.

Visitantes assistem a uma demonstração da Samsung na CES; empresa firmou parceria com a Apple
Visitantes assistem a uma demonstração da Samsung na CES; empresa firmou parceria com a Apple - Liu Jie/Xinhua
 

Com agências internacionais

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