'Modo ladrão': Google vai testar 1° no Brasil bloqueio automático de tela de celular; veja como será

Tecnologia anunciada em evento global foi sugerida por subsidiária da big tech no país

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São Paulo

A partir de julho, os smartphones Android terão a opção de bloquear a tela automaticamente, quando houver a detecção de um movimento que sugira furto —como alguém agarrar o aparelho e sair correndo. O recurso foi anunciado no evento Google for Brasil, realizado em São Paulo nesta terça-feira (11).

O Google começará a testar a solução primeiro no país em julho e usará a experiência dos usuários brasileiros como referência para aperfeiçoar a ferramenta antes do lançamento global, ainda sem data marcada.

A tecnologia batizada de "bloqueio por detecção de roubo" foi uma ideia da subsidiária da big tech sediada em Belo Horizonte repassada ao vice-presidente para Android, Sameer Samat, de acordo com o líder para Android no Brasil, Bruno Diniz. A solução teve anúncio em evento global do Google em maio.

Mulher jovem olha smartphone com tela aberta em pesquisa do Google em sala escura.
Ana, 26, que não quer ser identificada, sofreu golpe por meio de site falso em 2021 - Zanone Fraissat/Folhapress

"Foi uma dificuldade enfrentada pelos membros da nossa equipe e pensamos que poderia ter impacto para os usuários do resto do mundo", disse Diniz, em apresentação fechada à imprensa.

As facilidades proporcionadas pelo sistema financeiro moderno do Brasil, como o Pix, incentivaram roubos de smartphones. Esses dispositivos, com a tela desbloqueada, permitem a realização de transações financeiras, como compras e transferências, em instantes.

Ainda podem resultar no vazamento de imagens sensíveis, usadas posteriormente em casos de extorsão.

Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em julho, o Brasil registrou um crescimento de 16,6% de furtos e roubos de telefones celulares no período de um ano, saindo de 853 mil casos em 2022 para 999,2 mil ocorrências no ano passado.

A média é de 114 celulares roubados por hora no país, cerca de dois a cada minuto. Os estados da Bahia e do Rio de Janeiro puxaram a alta nesse tipo de crime. Na cidade de São Paulo, os roubos se concentram na região central, como mostra mapa interativo da Folha.

O Brasil oferece um ambiente de testes robusto para o Google, uma vez que o país é o terceiro maior mercado de Android no mundo, com mais de 150 milhões de usuários. Os brasileiros interessados em saber quando atualização passará a funcionar podem pedir notificação automática via inscrição neste link. Todos os parelhos com Android 10 e posteriores receberão a novidade.

A decisão final de levar o projeto adiante foi tomada a partir de reuniões do Google com o ex-ministro interino da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli, sobre o desenvolvimento do app Celular Seguro, do governo. "Foi uma inspiração", diz Diniz.

O ministério esteve representado no evento pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, que divulgou a ferramenta do governo.

COMO VAI FUNCIONAR

O bloqueio por detecção de roubo e é ativado a partir de um gatilho chamado "grab and run" —a partir dos sensores e do aplicativo aberto no smartphone, esse mecanismo detecta a chance de alguém ter agarrado o aparelho e ter saído correndo, seja em uma bicicleta, a pé ou em um carro.

Uma inteligência artificial interpreta os movimentos de "agarrar e correr" a partir dos dados do acelerômetro e dos aplicativos abertos no smartphone. O usuário precisa ativar na tela de configurações essa opção, que estará desativada por padrão.

Diniz previne que, em um primeiro momento, o recurso poderá gerar bloqueios indesejados, uma vez que foi programado para ter mais falsos positivos do que negativos. "Quando a IA bloqueia por engano, a perda é um pequeno incômodo para o usuário, mas, quando não tem bloqueio no momento do crime, o usuário pode ter suas contas esvaziadas."

Trata-se de um bloqueio de tela simples, desativado com reconhecimento biométrico ou senha, diferentemente do bloqueio presente no "Encontre meu celular", em que o usuário pode deixar uma mensagem na tela do smartphone.

Ao desbloquear o aparelho travado automaticamente, o usuário receberá a informação de que o mecanismo de bloqueio automático foi a razão da trava.

A opção vai funcionar mesmo sem acesso à internet.

BLOQUEIO POR PERMANECER OFFLINE

Também em julho, o Google disponibilizará outro recurso de bloqueio automático baseado no tempo em que o smartphone ficar desconectado da internet.

O Android passará a identificar comportamentos incomuns do usuário, como remover o chip, estar em locais não frequentados por períodos prolongados ou a perda prolongada de conectividade. São eventos comuns quando um smartphone é furtado ou roubado.

Nessas situações, a tela será bloqueada automaticamente para evitar acesso não autorizado.

O Google ainda calibra quanto tempo desconectado será necessário até o bloqueio automático, de acordo com o gerente técnico de engenharia de Android Fabrício Ferracioli.

BLOQUEIO REMOTO RÁPIDO

O Google também oferecerá uma opção ao bloqueio remoto disponível na página "encontre meu dispositivo". Será possível fazer um bloqueio de tela simples, sem necessidade de acessar a conta Google, com senha.

O intuito, de acordo com a big tech, é facilitar que usuários vedem o acesso ao dispositivo rapidamente, após furtos, roubos ou extravios. A nova página de bloqueio poderá ser acessada via computadores ou smartphones de terceiros, a partir do número de telefone.

"Sabemos que em uma situação de pânico é comum esquecer a senha e não conseguir bloquear o aparelho", diz Diniz.

O usuário poderá adicionar uma palavra-chave para evitar que estranhos bloqueiem seu aparelho indesejadamente.

ONDE ESTÁ MEU CELULAR REFORÇADO

O recurso Onde está meu celular, que permite localizar, bloquear e apagar dados do dispositivo à distância, após acesso à conta Google, também recebeu um reforço de segurança.

A partir da atualização para o Android 15, será necessário desbloquear o aparelho com biometria para desativar a funcionalidade, que precisa estar ativa nas configurações para funcionar.

Essa camada adicional de segurança também dificultará que criminosos restaurem o aparelho para as configurações de fábrica. Criminosos costumam recorrer a esse recurso para limpar o celular.

SISTEMA ANTIFRAUDE

O Google anunciou também a expansão de um programa-piloto de proteção contra tentativas de fraudes ou golpes em celulares Android, com data mercada para chegar ao Brasil no fim de junho. O recurso estava em teste antes em Singapura e Indonésia.

Os usuários receberão uma nova versão do antivírus Google Play Protect, que impedirá a instalação de aplicativos baixados fora da Play Store ou que peça permissões de acesso sensíveis, como a leitura de mensagens SMS, notificações e de acessibilidade —essas são vias comuns para executar golpes como o da mão fantasma, que manipula o celular para fazer Pix para golpistas.

Quando um usuário no Brasil tentar instalar um aplicativo nessas circunstâncias, o Play Protect bloqueará automaticamente a instalação e enviará uma notificação ao usuário explicando a razão, segundo o Google.

Desenvolvedores de apps que usam as permissões citadas precisam notificar o Google para pedir elegibilidade até o fim de junho.

O Google não informou quando estreará a função de detecção via IA de ligações fraudulentas, anunciada em evento global em maio.

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