Você sabe o que Ubatuba esconde em seus cem quilômetros de costa?

Conheça o que a cidade esconde entre a divisa com o Rio e a entrada de Caraguatatuba

Roberto de Oliveira
Ubatuba (SP)

De bermudão, biquíni, sunga ou sem roupa em uma ilha deserta ou numa praia muvucada, Ubatuba é daqueles lugares que fazem a cabeça de quem gosta de mar. Perfeito para curtir em família, ideal para ficar a dois, igualmente ótimo para estar a sós.

Para quem gosta de pegar ondas e mergulhar, também está valendo. Da mesma forma, é destino para quem quer se embrenhar na mata e caminhar muito à procura de um areal intocado. Se a intenção for simplesmente esticar a canga na areia fofa e esquecer que existe outra vida além daquele marzão sem fim, Ubatuba continua sendo uma boa pedida.

Mesmo durante a concorrida temporada de verão, é quase impossível não encontrar uma praia capaz de fazer a cabeça dos visitantes mais exigentes.

Em algum trechinho do litoral de uma cidade que é dona de uma geografia tão peculiar, vai haver uma opção.

Nos cem quilômetros de costa, em que se espalham mais 20 ilhas e ilhotas, há 102 praias ditas oficiais.

Isso porque, a depender da contagem dos caiçaras, esse número pode ultrapassar 110. É que uma pedra estendida na areia já é suficiente para dividir uma praia em duas –a que fica do lado de lá merece outro nome.

Os amantes da natureza também podem comemorar. Apesar do lobby imobiliário, Ubatuba ainda conserva em seu território 80% de mata atlântica. Daí o verde ser a cor predominante em morros, encostas, baías e enseadas.

A cidade abriga o Núcleo Picinguaba do Parque Estadual Serra do Mar, um dos dez que formam o maior corredor biológico da mata atlântica no Brasil. Além de preservar cenários e paisagens, o parque protege nascentes e cabeceiras de rios formadores das bacias hidrográficas do Paraíba do Sul e do Tietê e também mananciais, que abastecem municípios da Baixada Santista e do litoral norte e sul. No Núcleo Picinguaba, esse corredor ecológico estende-se até o nível do mar, abarcando belas praias cercadas de natureza.

Da divisa entre os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo até a entrada para Caraguatatuba, a Folha percorreu cerca de 250 quilômetros, deslocando-se pela Rio-Santos e seguindo por estradas de terra e areia até alcançar as praias mais selvagens –boa parte desse trecho é de difícil circulação para um veículo mais simples, tipo 1.0.

Nas praias urbanizadas, tanto as do lado sul quanto as do norte, o motorista precisa comprar o cartão de zona azul, que vale para o dia todo e para diferentes paradas. Custa R$ 12. Nos lugares mais movimentados, é fácil encontrar seus vendedores.

No trajeto, há vias muito estreitas, cercadas de mata, por onde passa apenas um carro de cada vez.

Vale redobrar a atenção para evitar o atropelamento de animais. É justamente por causa do acesso difícil que algumas praias permanecem (ainda) desertas.

Chuvas habituais de fim de tarde nesta época do ano produzem lamaçais que são verdadeiras armadilhas para atolamentos, mas isso não foi uma barreira suficiente para frear a missão de apresentar sugestões que contemplem gostos e estilos variados quando o verbo aqui é "praiar". Afinal, sempre existe um lugar novo para ser explorado em Ubatuba.

Veja abaixo particularidades de algumas das praias da cidade.


1 - FIGUEIRA

É impressionante como em menos de 20 minutos você deixa o agito da Rio-Santos de lado, sobe o morro por uma estrada de terra, entra à direita numa pequena propriedade, que anuncia o nome da praia. O motorista deve deixar o carro ali e pagar R$ 15. Cerca de 20 passos adiante, quase que ludibriado pelo canto dos passarinhos, você sairá em uma praia completamente deserta.

A faixa de areia ali tem cerca de mil metros. Quase no meio do caminho, há uma rocha encostada na mata. Ela é conhecida na região como Toca da Onça, uma pequenina caverna onde cabem ao menos quatro pessoas em pé e que, entre os nativos, sustenta inúmeras histórias.

Nos dias de temporais, o espaço é usado como abrigo pelos pescadores.

Segunda praia de Ubatuba depois de Caraguá, a Figueira é mansinha, mansinha. Tem uma bela vista de frente para a ilha do Tamanduá. Olhares atentos enxergarão Ilhabela.

De águas transparentes e calmas, ela é ideal para curtir a dois ou em família.

A criançada adora principalmente o canto esquerdo da praia, ainda mais transparente

2 - TRILHA DAS SETE PRAIAS

Existem duas opções para conhecer essas praias quase desertas do litoral sul de Ubatuba. A primeira é caminhando. O nível é médio de dificuldade –ou seja, começa tranquilo, mas em alguns pontos irá exigir esforço extra.

São menos de 10 km, percorridos em aproximadamente cinco horas. Um jeito mais fácil é ir de barco. O caiçara Douglas de Oliveira, 20, da Táxi Boat, cobra R$ 160 para até seis pessoas. Partindo da Lagoinha, segue por Oeste, Perez, Bonete, praia Grande do Bonete, Cedro e praia Deserta.

Você pode escolher onde quer ficar e combina com ele o horário de retorno. Uma das paradas pode ser na praia do Perez, onde fica o bar Ponta do Jarobá.

Ali, os moradores vivem felizes sem estradas de acesso ao mundo urbano, mas tristes por não terem ainda energia elétrica.

Quem faz o trajeto costuma eleger o Cedro como a praia mais bonita do percurso. Mar de tom azul-esverdeado, calmo, que forma piscinas naturais, com a areia emoldurada por extensa vegetação nativa

3 - ILHA DO PRUMIRIM

Deixe o carro estacionado numa área próxima à praia de mesmo nome com o cartão de zona azul. Ao pegar a pequenina trilha de areia em meio à vegetação de mata atlântica, siga à esquerda. Caminhe pelas rochas e logo irá avistar os barqueiros. Entre eles está Matheus Sousa, 18, que cobra R$ 25 por pessoa pelo trajeto de dez minutos até a ilha. Marque com ele o horário que você pretende retornar ao continente. Do outro lado, há um bar simples, mas você não vai querer sair da água cristalina, de um verde que salta aos olhos. De mar calmo, é ideal para as crianças. A vegetação exuberante na frente da praia ajuda a refrescar os efeitos do sol.

Dica: leve sua máscara de snorkel. A ilha é ideal para gente que gosta de mergulhar

4 - PURUBA

Cercado de árvores lado a lado, numa faixa estreita por onde circula um só veículo, o caminho até Puruba já é um indicativo do que virá pela frente. Logo ao adentrar a Vila da Praia, o visitante passa diante da capela Santa Cruz, de 1913, reforçando a simplicidade e a harmonia do local.

Há mais peculiaridades: é ali que os rios Puruba e Quiririm deságuam no canto esquerdo da praia. O acesso a ela pode ser feito com barqueiros a R$ 5 cada trecho. É possível, contudo, ir a pé, caminhando com a água na altura da cintura.

Com cerca de 1 km de extensão, essa praia de tombo tem areia branca e fofa. Vale avisar: a infraestrutura é básica –apenas um quiosque

5 - JUSTA

São cerca de 50 passos contornando a costeira à direita de quem chega à praia de Ubatumirim. Na maré baixa, a água atinge o joelho de um adulto, mas até mesmo crianças e idosos atravessam por ali com tranquilidade. É só prestar atenção nas pedras submersas.

Vale a pena: pequenina, com cerca de 300 metros de extensão, de águas calmas e tranquila, esbanja natureza.

De lá, há uma vista privilegiada da serra do Mar e de outras praias de Ubatuba. Há apenas um bar, bem simples, como suporte.

Na maré cheia, a melhor opção é acessar uma trilha de nível fácil que se resume a subir e a descer o morro até a praia, o que leva um pouco mais de 15 minutos. Justa é, na verdade, uma grande piscina natural, principalmente a que se forma do lado direito, junto ao encontro do riozinho com o mar.

Antes de chegar até lá, prepare-se para um caminho em estrada de terra repleta de buracos. O acesso é feito pelo km 22 da Rio-Santos

6 - ENGENHO

Uma saída secundária da Rio-Santos segue por um caminho esburacado e bastante sinuoso. Relaxe. Logo, ao atingir o ponto mais alto, ele irá te presentear com uma vista impressionante da enseada de Ubatumirim.

Após a descida do morro, o percurso morre na praia da Almada. É ali que deve-se estacionar o carro (R$ 20). O lugar costuma ficar bem cheio, mas basta seguir à esquerda por aproximadamente 50 metros para a tranquilidade voltar a reinar soberana na praia do Engenho. De águas rasas e claras, é ideal para tomar um banho calmo de mar e passear de caiaque.

O canto esquerdo também é convidativo para praticar snorkeling –com sorte, dá para avistar tartarugas.

Na areia, poucas opções de bares e restaurantes, como o simpático Quiosque do Engenho, que fica ao lado da trilha de acesso à Brava da Almada.

O pôr do sol lá é imperdível

7 - BRAVA DA ALMADA

Deixe o carro estacionado na praia da Almada. Siga pela areia à esquerda, em direção à praia do Engenho. Fique atento às placas, que irão indicar o caminho de aproximadamente 40 minutos até a Brava, praia que, como o próprio nome indica, costuma (mas nem sempre) ter ondas que seduzem surfistas. Há dias em que o mar está tranquilo, perfeito para um banho calmo, contemplando a imensidão azul do mar e o verde finito da serra. Sombreada por abricós, a praia faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar. Vive deserta. Ideal para relaxar. Dica: leve sua água e comida. E, por favor, traga seu lixo de volta

8 - FAZENDA

Num giro de 360 graus, a natureza é soberana. Afinal, a praia abriga a sede do Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Picinguaba. Praticamente intocada, é o ponto ideal para observar o encontro da mata atlântica com o mar. Por lá, não há barracas, tampouco ambulantes. O acesso se dá por uma entrada de terra que sai da Rio-Santos, antes de chegar à praia de Picinguaba, onde, aí sim, há boa estrutura de restaurantes e pousadas. De lá, é possível caminhar até a Fazenda, seguindo pela estrada de asfalto e pegando uma trilha até o rio Picinguaba. Na maré baixa, dá para atravessá-lo tranquilamente e percorrer os 3,5 km de areia clara ao lado do mar calmo

9 - CAMBURI DE UBATUBA

Bem na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, é a última praia de Ubatuba sentido norte. Também pode ser considerada como uma das mais rústicas do litoral paulistano. A praia fica dentro de uma área de proteção ambiental.

Com formato da letra "C", tem um rio em cada canto. É comum os visitantes avistarem golfinhos e tartarugas.

Não espere por luxo e boa infra por ali. Há apenas pequenas e simples pousadas, sendo que prevalecem áreas de camping. Na areia, as barracas também são muito simples. Quem procura algo mais sofisticado pode rodar cerca de 20 minutos e ir fazer as refeições em Paraty.

O acesso a Camburi é pela Rio-Santos, em frente à Escada, cachoeira que se transforma em rio para depois, de novo, se tornar cachoeira e, outra vez, rio até chegar ao mar.

Normalmente, as águas são cristalinas e tranquilas. Há trilhas curtas que levam a praias de concentração rochosa, como a praia das Pedras

COMO CHEGAR E ONDE FICAR

Saindo de carro de São Paulo, há duas formas de chegar a Ubatuba. Na primeira, deve-se seguir pela via Dutra ou pela Ayrton Senna até São José dos Campos. De lá, pegar a Tamoios até Caraguatatuba e, depois, a Rio-Santos sentido Rio até Ubatuba. Essa opção vale mais a pena para quem vai às praias do litoral sul da cidade, como Toninhas e Picinguaba. Já quem se hospeda no centro ou no litoral norte da cidade também deve ir por Dutra ou Ayrton Senna até Taubaté. Lá, pode pegar a rodovia Oswaldo Cruz, que vai direto até a cidade.

Hospedagem

Pousada Picinguaba
Endereço* rua G. Picinguaba, 130, praia de Picinguaba
Quanto a partir de R$ 900 a diária (preço para dias de semana)
Telefone (12) 99637-7173
Site picinguaba.com

Ubatuba Palace Hotel
Endereço rua Coronel Domiciano, 500, centro
Quanto a partir de R$ 457 a diária para o mês de fevereiro (menos Carnaval)
Telefone (12) 3832-4500
Site ubatubapalace.com.br

Solar das Águas Cantantes
Endereço estrada do Saco da Ribeira, 951, praia do Lázaro
Quanto diárias custam a partir de R$ 320 (depois do Carnaval)
Telefone (12) 3842-0178
Site solardasaguascantantes.com.br

Recanto das Toninhas
Endereço praia das Toninhas, s/n, Toninhas
Quanto a partir de R$ 827 a noite (preço para fevereiro, após o Carnaval)
Telefone (12) 3842-1410 ou (12) 3842-1425
Site recantodastoninhas.com.br

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