Descrição de chapéu Donald Trump

Toronto celebra recorde de visitantes, beneficiada por resistência a Trump

Capital cultural do Canadá recebe turistas desanimados com discurso anti-estrangeiros dos EUA

Vista de fachada com casas coloridas
Queen Street West, exemplo da miscelânea arquitetônica no centro de Toronto, com construções antigas preservadas e edifícios modernos ao fundo - Roberto Machado Noa/LightRocket via Getty Image
Mariana Zylberkan
Toronto

​​

Turismo virou símbolo de resistência a Trump em Toronto, no Canadá. Um termo, emprestado das análises econômicas americanas, vem sendo repetido nas ruas da cidade para explicar o crescente fluxo de turistas registrado desde o ano passado.

Pendurada na fronteira com os Estados Unidos, a capital cultural canadense se assume, com certo orgulho, como uma das maiores beneficiadas pelo chamado "Trump slump", ou "baixa do Trump".

A vocação tradicionalmente liberal dos canadenses tem sido vista como um dos atrativos por turistas que deixaram de visitar o país vizinho após a posse do presidente Donald Trump.

"Temos recebido mais turistas desde o início do ano passado, enquanto os EUA têm sentido um declínio nesse setor", confirma Jessica Halliday, gerente de marketing do bureau de turismo de Toronto.

O discurso anti-imigração e as regras mais rígidas de segurança da atual administração norte-americana refletiram em queda no turismo no país, que perdeu para a Espanha, em 2017, o posto de segundo destino mais procurado no mundo (o primeiro é a França).

 
Em julho do ano passado, o turismo de Toronto entrou em rota de colisão com o presidente americano após um hotel da cidade retirar o nome Trump do letreiro na fachada.

O então Trump International Hotel and Tower, instalado no centro financeiro, passou a se chamar The Adelaide Hotel Toronto.

Coincidência ou não, Toronto fechou 2017 com recorde de visitantes: 43,7 milhões, 4% a mais do que em 2016.

No caso do fluxo de brasileiros, que visitaram 54% mais vezes a cidade no ano passado em comparação com os cinco anos anteriores, serviram de estímulo a alta do dólar americano, compensada pela taxa menor da moeda canadense, e a simplificação do processo para tirar o visto de turismo, em maio de 2017.

O brasileiro que vai sair de avião para o Canadá pode emitir o visto online, sem filas, burocracias e entrevistas com agentes consulares —diferentemente da praxe para obter o documento norte-americano.

Como em qualquer grande cidade do mundo, é fácil ouvir pessoas falando português pelas ruas de Toronto, em especial na Bloor Street, espécie de rua Oscar Freire local, onde há profusão de lojas de grife.

Mas não apenas. Ao menos 5 em 10 moradores de Toronto são imigrantes, a maioria de origem asiática, como coreanos, chineses e japoneses.

Dependendo do bairro, avisos em inglês nas placas de sinalização são seguidos de traduções em um desses idiomas.

A mistura fica mais evidente na vitrine dos restaurantes que se enfileiram pelas ruas do centro. Há comida coreana-mexicana, italiana-jamaicana e até tailandesa-húngara. Há também uma série de restaurantes tibetanos que competem entre si.

Outra miscelânea, menos atraente, mas igualmente evidente, se refere à arquitetura.

Talvez por ser relativamente nova, fundada em 1793 —mais de 200 anos depois de São Paulo—, Toronto ainda busca conciliar o antigo e o novo em suas construções.

As casas em estilo vitoriano, que remetem à era industrial, têm perdido espaço para arranha-céus, vidro e concreto.

O prédio do Royal Ontario Museum, considerado o principal museu do Canadá, por exemplo, resume bem a disputa de estilos. A construção original de 1914 ganhou uma ampliação futurista em 2007, desenhada pelo arquiteto Daniel Libeskind —nem de longe uma unanimidade entre os moradores mais antigos.

Outra mudança urbanística recente e bastante criticada entre os locais é a "hipsterização" do centro.

Galpões e sobrados antes ocupados por imigrantes recém-chegados, e sem muito dinheiro, têm sido reformados na mesma velocidade do aumento dos aluguéis.

Além da proximidade com a Queen Street, conhecida por suas lojas, bares e cafés descolados, a concentração de grafites no centro atrai o público moderno para a vizinhança.

O turismo também tem se beneficiado da nova roupagem do centro e são comuns tours pelo Grafitti Alley.

Bem menor do que em metrópoles como Nova York e São Paulo, a street art canadense acaba atraindo por particularidades que confirmam o estereótipo do país.

Entre os becos grafitados do centro de Toronto, há uma parede que funciona como rascunho para grafiteiros iniciantes. O espaço de cerca de cinco metros em um estacionamento particular concentra a rebeldia em forma de grafite. Os demais desenhos, que preenchem as paredes nobres dos becos, por exemplo, retratam passarinhos amarelos jogando hóquei.

Evite, porém, fazer o passeio no inverno. Os becos formam um vento encanado que espanta qualquer um.

 

SOBRE TORONTO

População: 2,73 milhões de habitantes
Fuso horário: uma hora a menos em relação ao horário de Brasília
Temperatura: 10 a 19 graus, em média, no mês de maio
Moeda: dólar canadense (cerca de R$ 2,70)
Tempo de voo: 10 horas, sem escalas

 

PACOTES PARA TORONTO

R$ 2.515

Cinco noites, entre 16 e 20 de maio, no Hilton Airport Hotel & Suites em Toronto. Valor para duas pessoas em apartamento Standard. Sem café da manhã. Não inclui taxas. Na Hotel Urbano: hotelurbano.com

US$ 935 (R$ 3.310)

Seis noites, entre 14 e 20 de agosto. Preço por pessoa com hospedagem no Newton Villa Toronto com café da manhã. Inclui aéreo a partir de São Paulo. Na Maringá Lazer: maringalazer.com.br

US$ 1.234 (R$ 4.370)

Pacote individual de sete noites, com passagens por Montreal, Ottawa, Québec e Toronto. Inclui passeios em todas as cidades, traslados, seguro-viagem e bilhete de trem. Na New Age: newage.tur.br

R$ 4.865

Valor para oito noites, com hospedagem no Courtyard by Marriott Toronto Markham. Preço por pessoa. Inclui aéreo a partir de São Paulo. Sem refeições. Na CVC: cvc.com.br

US$ 1.568 (R$ 5.550)

Quatro noites, com passagens por Toronto e Cataratas do Niágara. Por pessoa, inclui aéreo a partir de São Paulo, passeio em Toronto, excursão às cataratas e traslados. Preço para saídas em novembro. Na 55destinos: 55destinos.com

R$ 5.834

Pacote de nove noites, por pessoa, com hospedagem no Holiday Inn Oakville Center. Inclui aéreo a partir de São Paulo. Sem refeições. Na CVC: cvc.com.br

R$ 5.871

Pacote de 12 noites, por pessoa. Inclui degustação de vinhos em Belleville, ingresso de trenó para a Blue Mountain e sobrevoo pelos lagos e florestas ao redor dos lagos de Kawartha. Sem aéreo e sem alimentação. Na Trade Tours: tradetours.com.br

US$ 1.700 (R$ 6.020)

Roteiro de seis noites por Toronto, Ottawa, Québec e Montreal, para uma pessoa. O pacote inclui café da manhã, sem aéreo. Na Tereza Ferrari: terezaferrariviagens.com.br

US$ 1.723 (R$ 6.100)

Pacote de oito noites para Toronto, Ottawa, Québec e Montreal, para uma pessoa. Sem aéreo, inclui hospedagem com café da manhã, seguro-viagem e passeios para as Cataratas do Niágara, Mil Ilhas, parque florestal de Algonquin e basílica de Notre Dame, em Montreal. Na Venice Turismo: veniceturismo.com.br

US$ 1.743 (R$ 6.170)

Preço por pessoa para viagem de oito noites por Toronto, Hull, Ottawa, Mont Tremblant, Québec e Montreal. Inclui café da manhã e passeios em todas as cidades, sem aéreo. Na RCA: rcaturismo.com.br

CAD 2.268 (R$ 6.240)

Três noites no Four Seasons Hotel em Toronto, em quarto duplo da categoria deluxe. Inclui passeio privativo pela cidade e traslados, sem aéreo. Na Teresa Perez: teresaperez.com.br

US$ 2.917 (R$ 10.325)

Pacote de nove noites, por pessoa, com passagens por Toronto, Ottawa, Québec e Montreal. Inclui café da manhã e ingressos para a CN Tower, passeio nas Cataratas do Niágara e pelo arquipélago Mil Ilhas e para a basílica de Notre Dame, em Montreal. Sem aéreo. Saídas até outubro de 2018. Na Flot: flot.com.br

CAD 3.869 (R$ 10.640)

Pacote de 13 noites, por pessoa, de costa a costa do Canadá, com paradas em Toronto, Ottawa, Québec, Montreal, Calgary, Banff, Jasper, Kamloops e Vancouver. Inclui café da manhã, passeio pelas cataratas do Niágara, cruzeiro pelas Mil Ilhas e entradas nos parques nacionais de Banff e Jasper. Sem aéreo. Na Trains & Tours Lufthansa City Center: lufthansacc.com

A jornalista viajou a convite da See Toronto Now

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.