Sem destino: garota que fez EUA-Brasil em um Fusca conta perrengues

Carro conversível só rodava à noite e quebrou várias vezes no caminho

São Paulo

No último dia 5 de setembro, os primos Yamara da Silva, 27, e Milton Barbosa Junior, 35, saíram num Fusca conversível 1972 de San Diego, nos Estados Unidos, rumo a São Paulo. Não planejaram quase nada —​nem fizeram revisão no veículo, porque o visto americano de Yamara expirava naquele dia.

A publicitária, que fazia intercâmbio nos EUA, decidiu voltar ao Brasil em um Fusca amarelo para dá-lo de presente a mãe, que teve um carro de mesmo modelo roubado anos atrás. Ela também pretendia fazer trabalho voluntário pelo caminho.

Quando soube da ideia, Junior pegou um avião em São Paulo, onde mora, e foi encontrar a prima para acompanhá-la no início da viagem. Lá, o comerciante descobriu que Yamara, que não tem a mão direita, não sabia dirigir o carro mecânico. Então, se deu conta de que teria que ser o motorista até o fim do percurso.

Logo que partiram, o Fusca quebrou no meio do deserto, no México, e precisou ser rebocado. A cena se repetiu por todo o trajeto.

No Peru, a dupla parou em uma estrada para tirar fotos com lhamas e, depois, o carro não ligou mais. Como quase ninguém passava por ali, esperaram quase uma hora até um caminhoneiro socorrê-los.

Para não forçar muito o veículo, viajavam nos horários mais frios do dia, normalmente à noite, e paravam a cada duas horas, colocando uma meia úmida para resfriar a bobina.

Em Guadalajara, no México, o Fusca quase foi roubado, contam. Os ladrões chegaram a tirar um vidro do carro, mas não conseguiram levá-lo.

De vez em quando, os dois conseguiam hospedagem na casa de pessoas indicadas por seguidores de Yamara no Instagram (são mais de 39 mil). Mas, na maior parte do tempo, eles dormiram dentro do veículo. “O despertador era quando a perna começava a formigar”, brinca Yamara.

Como o Fusca é conversível, sofriam com as condições climáticas. Quando chovia, a água entrava pelas laterais da capota e molhava tudo.

Na Colômbia, Junior já estava cansado de tanto problema e quis pegar um avião para São Paulo. Tentou ensinar Yamara a dirigir, mas não deu muito certo. “Não tinha parado para pensar no que seria viajar de Fusca até o Brasil.”

Mesmo com os percalços, os dois rodaram 17.600 km, passando por 12 países, em dois meses —conseguiram percorrer até 934 km em um dia.

Entraram no Brasil pelo Acre e chegaram a São Paulo no dia 8 de novembro. “Entreguei o Fusca para a minha mãe com o mesmo sacrifício com que ela comprou o primeiro”, diz Yamara.

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