Navio de US$ 1 bilhão lança varanda infinita e tapete voador

Novo Celebrity Edge investe no design inteligente para criar sacadas com vista de 180° e uma plataforma lateral móvel

navio no mar
O navio recém-inaugurado Celebrity Edge, da Celebrity Cruises, feito sob encomenda com foco em design inteligente e inovação tecnológica - Divulgação
 
Danae Stephan
Fort Lauderdale (EUA)

Elegância e cruzeiros marítimos são conceitos que podem até andar juntos. É o caso do Celebrity Edge, novo navio da Celebrity Cruises, inaugurado em novembro de 2018 no Caribe e feito sob encomenda com foco em design inteligente e inovação tecnológica.

Para dar forma ao projeto de U$ 1 bilhão, a empresa juntou um time profissionais famosos: Tom Wright, arquiteto britânico responsável pelo prédio em forma de vela de Dubai, o Burj Al Arab; e a dupla de designers Nate Berkus e Kate Hoppen —ele é conhecido pelo reality show que apresenta ao lado do marido, “Nate & Jeremiah by Design”.

O resultado é um navio inteligente em relação a aproveitamento de espaço. As cabines são 23% maiores do que a média da frota, e parte delas ganhou varandas “infinitas”, que dão uma visão de 180 graus. 

“Muita gente dizia que isso não era possível. Esse navio transformará não só a marca, mas também a indústria”, diz Lisa Lutoff-Perlo, diretora-executiva da empresa. 

“É uma experiência completamente diferente dos outros navios em que já viajamos”, afirma a arquiteta Claudia Henry, 62, que já fez mais de 25 cruzeiros com o marido, Renato Henry, 66. “A varanda tem vista lateral e dá a impressão de que você está dentro d’água.”

Para os milionários, foi criada uma nova categoria: as “iconic suites”, com mais de 230 metros quadrados cada uma, vista panorâmica no quarto e nas salas de jantar e de estar.

Só a varanda dessa cabine tem 65 metros quadrados, e fica no topo do navio, o que proporciona ao viajante vista similar à do comandante. O banheiro, de mármore, tem 18 metros quadrados.

Os hóspedes têm ainda um mordomo à disposição, acesso exclusivo ao restaurante Luminae, além de terraço, piscina e bar privativos. 

Tanta indulgência tem seu preço: cerca de R$ 80 mil por pessoa, para sete noites. As cabines mais baratas, sem varanda, custam a partir de R$ 3.500 por pessoa.

Mas quem não tem direito a mordomo não pode reclamar de falta de atenção: são 1.320 tripulantes para cerca de 3.000 passageiros

A parte gastronômica traz um diferencial: em vez de um restaurante de cortesia, no Edge são quatro opções: o Tuscan, que serve comida italiana; o francês Normandie; o Ciprus, com especialidades mediterrâneas; e o Cosmopolitan, em estilo novaiorquino.

Uma experiência diferente para quem tem crianças é o Le Petit Chef, no resturante Le Petit Bistro, que projeta uma animação sobre a mesa na qual quatro minichefs “preparam” os pratos ali mesmo. 

A pesquisa para a criação dos cardápios dos 29 bares e restaurantes foi comandada pelo chef Cornelius Gallagher, três estrelas Michelin.

No 15º deck, o Rooftop Garden tem música relaxante, um grill e o Sunset Bar, que prepara bebidas com ervas cultivadas ali mesmo. Em nome da sustentabilidade, pães e geleias também são produzidos a bordo —um jeito de reduzir a quantidade de embalagens. Garrafas de água? Só de alumínio, 100% reciclável.

Uma das atrações mais inusitadas é o Magic Carpet, uma plataforma móvel do tamanho de uma quadra de tênis, que se desloca, na lateral do navio, por 13 dos 15 andares. 

 

A cada momento do dia, a plataforma para em um andar. Tem bar e espaço para apresentações musicais. No final da tarde, é destino concorrido para ver o pôr do sol.

Vários espaços são multifuncionais. O Eden, uma área aberta de 112 metros cúbicos decorada com muita vegetação, é ideal para relaxar durante o dia. À noite, dá lugar a apresentações performáticas meio circenses, meio burlescas, que, se não agradam a todos, não caem na mesmice dos jantares dançantes.

O The Club também muda ao longo do dia. À tarde, tem games interativos, como pista de obstáculos a laser. À noite, é a vez dos baladeiros tomarem conta da pista.

No teatro, há um sistema de telas com 16 projetores a laser e uma plataforma rotativa que se eleva a dois metros de altura para a apresentação de cinco novos programas, incluindo uma adaptação acrobática de “Sonhos de Uma Noite de Verão”, de Shakeaspeare.

Apesar da elegância reinante na embarcação, há pequenas concessões ao kitsch: a mais divertida delas são as jacuzzi em forma de taças, no deck, com vista panorâmica. 

À beira da piscina, as manjadas esculturas de asas de borboleta gigantes são atração para quem quer fazer foto-clichê para o Instagram.

Já as flores emparedadas em blocos de gelo nos bares e restaurantes, que derretem durante a viagem, são dispensáveis, mas não comprometem.

A galeria de arte, por sua vez, vende quadros de Romero Britto e artistas desconhecidos que poderiam estar à venda em qualquer feira hippie à beira-mar. 

O navio tem dois programas de sete dias no Caribe, além de minicruzeiros de três dias, saindo de Fort Lauderdale, em Miami. A rota leste passa por Porto Rico, Ilhas Virgens Britânicas e St. Maarten. A oeste, por Key West, na Flórida, Costa Maya e Cozumel, no México, e Ilhas Cayman.

Em maio, o Edge segue para a Europa, com roteiro que inclui Itália, Espanha e Mônaco.

A jornalista viajou a convite da Celebrity Cruises 

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